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DATAS HISTÓRICAS, E DE OUTROS ACONTECIMENTOS EM PARDELINHA

 

Capela de Santo Antão :

Os mais idosos não se recordam da data da sua construção, mas informaram-nos, que se consta, ser ainda muito antes de 1900, talvez remontar a finais do século XVIII.

De que se recordam, sofreu obras de melhoramento por volta de 1958, onde também foi alteada a cobertura. Há pouco mais de uma década, voltou a ser restaurada e acrescentado uns anexos para recolha de material da Comissão de festas. As últimas foram em Janeiro de 2011, inauguradas no dia da festa do Padroeiro e que foram as seguintes: subida do chão ao nível exterior, aplicação de um novo pavimento em pedra, quer no interior, quer no exterior por baixo do telheiro, e ainda, a aquisição de uma nova mesa do Altar-mor. A patrocinadora principal de todos estes trabalhos de melhoramento foi uma filha da terra, de nome Otília de Jesus Alves dos Reis, que contribuiu com cinco mil euros e a parte restante pela Comissão de Festas, Autarquia e pequeno peditório popular. Resta reparar a cobertura do telheiro que está mesmo a necessitar de obras.

 

Cruzeiros e Nicho:

Situado junto à rua da Veiga que vai dar a uma antiga eira e ao cemitério, existe um cruzeiro que inicialmente se encontrava a meio do caminho vicinal/agrícola que ligava a aldeia à sede de freguesia, Santa Valha, antes da construção da estrada. Só entre 1930 a 1935, é que foi transferido para o local onde agora se encontra. Foram duas pessoas que o transferiram, os falecidos: João “Da Couve” e  Roseira. Também a cruz que se encontra no interior do cemitério público, conhecida por “Cruz do Calvário” foi transferida aquando da construção deste (1928), do lugar denominado por lameiras ou calvário perto da Capela de Santo Antão. Ainda hoje é possível ver o local cavado na rocha onde assentava a sua base. O recente “Nicho” com a imagem de Nª. Srª. de Fátima, localizado junto ao cruzeiro na rua da veiga/eira, foi oferecido por uma devota da terra, chamada de Leontina de Castro Alves, em 19-01-2011.

Alminhas do Senhor dos Aflitos:

Ficam situadas junto ao largo principal ou praceta, na parede de uma habitação. Datam de 1892, mas desconhece-se a origem e história deste património religioso. O peto para colocação de esmolas dá para o interior dessa habitação.

 

Cemitério Público:

A construção data de 1928,  a custo de dois filhos da terra, João António de Castro e Manuel J. Rôlo, pessoas de posses, que residiam no Porto. Antes dessa data, os mortos eram enterrados no cemitério de Santa Valha, onde eram transportados, ou à mão, ou, em carros de bois. O primeiro alargamento foi no início da década de 2000, e o segundo, foi em 2009, ambos na presidência da Junta de Freguesia do Sr. Jorge Castro.

 

Escola Primária Pública (mista):

Foi construída em 1935 a custo de um filho da terra, o Senhor João António de Castro, sogro do falecido Dr. Olímpio Seca e avô materno do Dr. Jorge Castro Seca. Estas instalações, agora centro de convívio desde 2009, ainda sem encontram registadas na matriz predial do primeiro proprietário.

Informaram-nos que só recentemente o povo da aldeia soube desta situação pelo agora novo proprietário Dr. Jorge Seca, médico muito ilustre, pois pensavam que estas instalações estavam registadas em nome do Estado. Também nos informaram que vai oportunamente ser constituída uma Associação, e que o Dr. Jorge Castro Seca, vai transferir este bem para nome dessa Associação, onde também se disponibilizou para fazer parte dos Corpos Sociais.

O encerramento da escola primária aconteceu na época escolar  de 2005/2006, e o último aluno(a) foi a Rosa Alexandra Lopes Bruno, filha de Armando Serra.

 

Estrada:

Rompimento: 1947 a 1948 na presidência da Câmara do Sr. Engº. Saraiva. Foi iniciado por três vezes, perto do Cemitério de Santa Valha. Este rompimento foi feito a ajuda de um caterpillar, e sobretudo, com a força dos braços dos homens, utilizando picaretas, pás, enxadões, enxadas, e ainda, e também, com a ajuda de animais de trabalho. Havia anteriormente um caminho vicinal/rural que ligava a sede de freguesia, onde quase nem um carro de bois conseguia passar. Uma das pessoas que trabalhou nesse rompimento, foi o Senhor Cândido Fontoura, que já conta a bonita soma de 91 anos de idade.

Consta-se que a primeira viatura a circular nele, foi  uma camioneta de mercadorias, seguindo-se, de imediato, o Dr. Olímpio Seca, casado nesta localidade, onde tinha bastantes haveres, herdados dos sogros. Foi médico no nosso Concelho, “médico do povo como era chamado”e pessoa ilustre muito querida, e ainda chegou a ser Presidente da Câmara Municipal de Valpaços.

O primeiro piso de Alcatrão foi aplicado no início da década de 1970. Alargamento e novo tapete, por volta de 1999 ou 2000,

Fontenário com duas bicas e Lavadouro: Construção de 1928 , a custo dos Senhores, João António de Castro e  J. Rôlo.

 

Forno Comunitário:

Existe desde meados da década de 1949/1950. O primeiro “forno do povo”, como se costuma chamar, esteve inicialmente situado, no cimo da rua que desce para a Capela. Foi mais tarde demolido quando das obras  da estrada e, construído o actual, no local onde agora se encontra.

 

Luz eléctrica: A Inauguração foi em 1977.         

Água ao domicílio: 1985/1987.      Saneamento básico: 1999 ou 2000.

Pavimentação das Ruas: Iniciaram-se na década de 1985 e a conclusão foi em 2009.

Centro de Convívio: Foi inaugurado em 03-10-2009  (reconversão da antiga escola primária).

Telefone Público e Particular: Finais da década de 1960. Pertenceu ao Sr. Germano.

Primeira Bicicleta: A de Maximino Coelho em 1960. Seguiu-se em 1982, a de Júlio F. Santos.

Primeira Motorizada: A de Vicente Vilardouro em 1971. Seguiu-se a de Artur Serra em 1975.

Primeiro Tractor: O de Adelino Alves, em 1981.

Primeira Televisão: Foi a de Herculano Rodrigues Santos, em 1977 ou 1978.

 

Correio ao domicilio :

Até ao início da década de 1970, o correio era transportado da Estação de Vilarandelo, a pé, ou a cavalo num burro. A última pessoa a exercer vários anos essa profissão, foi o falecido Victor Fernandes de Santa valha, (sacristão) também conhecido por “Kiko Cego”, mas somente a pé, dado nunca ter tido qualquer animal de carga. Também o fazia para o Gorgoço. Porém, apesar de todos esses anos de serviço, nunca chegou a receber qualquer reforma dessa actividade.

 

Comércio, Indústria e Serviços:

Apesar de terem  aqui residido, antes do início da emigração - década de 1970 -, mais de cento e trinta pessoas, nunca chegaram a existir até à presente data, quaisquer comércios ou tavernas. Houve sim, bastante agricultura, e algumas pequenas indústrias e serviços, que referimos:

Três moinhos (de rodízio) de moer cereal, um deles, situado na ribeira das Poças da Avessada/Valongo, pertencente aos herdeiros de José Manuel Bruno, junto a um lameiro do Sr. Zeferino Alves de Castro, um outro, situado à Ribeira -  ribeira das Olguinhas  - , pertencente ao Sr. Herculano Alves, ainda em bom estado de conservação, e o último, situado no lugar do Fonjo, da mesma ribeira, pertencentes ao Sr. Augusto Lopes, totalmente destruído. O situado no lugar da Avessada ou Valongo, dizem ter trabalhado até finais da década de 1960, e, o do Herculano Alves, à Ribeira, só até ao início da década de 1950.

Nessa época, a água dessas duas pequenas ribeiras nunca secava no verão, sendo sempre suficiente para mover as pedras para os moinhos moerem até finais do mês de Julho.

Informaram-nos um residente, que os moinhos em geral, começaram a deixar de funcionar a partir do início da década de 1960, em virtude começarem a aparecer as primeiras  moagens de farinhas, e de um imposto que o governo de então começou a aplicar aos moleiros dessas indústrias “artesanais e milenares”.

 

Barbeiros:

Neste último século, houve três. Foram eles: Eliseu Félix dos Santos, já falecido há muitos anos, Cândido Fontoura e Artur Serra.

Contou-nos o Sr. Cândido, nascido em 1919, que cortou cabelos e bardas durante vinte e sete anos, mas só o fez até (+-) 1960. O motivo de deixar de exercer essa profissão caseira, foi, porque nessa altura, não se recebia em dinheiro, - que o não havia -, mas sim em cereal, e a maior parte das famílias não pagavam mais do um alqueire de centeio por ano (12 kg), para o corte de cabelo e barba de toda a família, e isso não dava para nada. O Artur Serra, também já o deixou de fazer há muitos anos, muito provavelmente, por deixar de ter clientes, e ainda, e sobretudo, pela facilidade de transporte das pessoas a outras localidades.

Acrescentaram, que nessa época, para desinfectar, molhava-se o pincel em água ardente, e passava-se pela cara e pescoço.

Pastores e Gado:

Uma das principais actividades continua a ser a da pastorícia de gado ovino. Antes da década de 1970, chegaram a existir na aldeia uma dúzia de rebanhos de gado. Hoje (2010) ainda se conservam, e bem, quatro rebanhos: “irmãos Serras” Miguel, Armando e Artur, e o de José Joaquim Fontoura Lopes.

Animais de trabalho: Antigamente existiram nesta aldeia muitos animais de trabalho, nomeadamente, juntas de bois e vacas. De tantos animais possantes dessa espécie, hoje (2010) só resta uma ao serviço da lavoura, a “junta de vacas” do Sr. Augusto Lopes.

 

Vestígios dos Romanos e Mouros:

A duzentos e tal metros da Capela de Santo Antão, encontram-se algumas fragas com vestígios dos mouros ou romanos esculpidos, conhecidas por “Fragas da Moura ou Mouros”. Uns metros mais abaixo, existe  uma fraga, com forma arredondada, conhecida por “Talha da Moura”, com um buraco apertado junto ao solo, que dá para o seu interior onde muitos jovens de outros tempos conseguiram entrar talvez por mera curiosidade. Provavelmente existiu alguma lenda desses locais, mas ninguém nos soube dizer ou contar.

Também perto, está uma fraga de grande porte que serviu em tempos de escorregadouro, onde muitos jovens rasgaram as calças e os vestidos, se bem que existe outra em Pardelinha, com o mesmo divertimento, no lugar/monte do escorregadouro, a uns escassos metros da casa de habitação de Maximino Coelho.

Entre este local e a Capela de Santo Antão, a uns trezentos metros mais abaixo, já perto da ribeira/regato, existem três lagares de vinho cavados/escavados na rocha, que tudo indica serem de origem dos Romanos ou Mouros, nos lugares denominados por Fonjo e Ladeira. O do “Fonjo”, de pequenas dimensões, está situado numa propriedade agrícola dos herdeiros de José Joaquim Rôlo, agora pertencente a  João Rôlo(?). Os dois maiores encontram-se no lugar da “Ladeira”, numas propriedades que pertencem, um, aos herdeiros de Alexandre Fontoura e, o outro, aos herdeiros de Artur Bruno Serra, falecido recentemente. Pelo piso encontrado num dos caminhos agrícolas de acesso a estes lagares, tudo leva a querer que poderá tratar-se de calçada romana, talvez local de passagem da época para outras localidades distantes.

No lugar conhecido por “Buraquinha”, a uns cem metros para baixo da estrada (águas-férreas), numa propriedade agrícola de  Cândida da Fontoura, ainda é possível ver alguns (poucos) vestígios de uma antiga adega, com um lagar de vinho de paredes inteiras no interior. Também no lugar da “Fraga”, a uns quatrocentos metros do cemitério público, numa propriedade de monte que pertenceu ao falecido Dr. Olímpio seca, agora de Sandra Neves Alves, podemos encontrar uma adega idêntica com lagar de vinho de pedras inteiras no interior, também já em ruínas, mas em melhor estado de conservação. Atendendo à forma e método de arquitectura, tudo indica que se trate de construções do século XV ou XVI, ou até mesmo antes, do tempo da idade média.

A poente de Pardelinha, entre esta e Monte de Arcas, existem ainda mais duas adegas deste tipo e época em menos ruínas do que os anteriormente referidos, que distanciam, uma da outra, cerca de duzentos metros, nos lugares denominados de “Valongo (de Cima) e Raposa”, sem bem que um deles o lagar é cavado/escavado na rocha dentro de muros em ruínas. Apesar de se encontraram a cerca de trezentos metros do lado de lá do regato e as propriedades pertenceram a gentes de Monte-de-Arcas, da freguesia de Tinhela, encontram-se ainda inseridos no território da freguesia de Santa Valha.

Estas  adegas, situadas nos montes,  são de construção muito mais recente do que as dos lagares cavados/escavados nas rochas do tempo dos romanos ou mouros. Tudo leva a querer que se trate de construções datadas dos séculos XVIII ou XIX.

Há um local no monte, perto do lugar das Águas - Férreas, chamado de monte dos Açougues, onde se costa, que, noutros tempos, serviu para sacrificar animais para alimentação das pessoas ou para alguns rituais.

 

Censos Antigos

Abbadia de Santavalha, &lugares, que neste termo lhe pertencem.

 

Santa Valha he cabeça da Abbadia do Padroado Real, que rende setecentos mil reis: tem este lugar, & a quinta de Calvo da sua Freguesia cento & trinta visinhos, & demais da Igreja Matriz tem huma Ermida, & vinte fontes.

Fornos tem noventa visinhos, Igreja Paroquial da apresentação do Abbade de Santavalha, mais huma Ermida, & oito fontes.

Paradelinha tem 16. Visinhos, nenhuma Ermida, & seis fontes.

Bouça tem cincoenta visinhos, Igreja Parochial da mesma apresentação, nenhuma Ermida, & huma fonte.

Gregozos tem treze visinhos, huma Ermida, & quatro fontes.

 

“COROGRAFIA e desrcipçam topográfica do famoso reyno de Portugal…” do Padre António Carvalho da costa.

 (1706 – 1712)

LIVRO SEGUNDO – Da Comarca da Provincia de Trás os Montes

TOMO PRIMEIRO

CAP. III – Da Villa de Monforte do Rio Livre [pp. 432 - 433]

[conforme o original]

 

Abbadia de Santavalha, &lugares, que neste termo lhe pertencem.

 

 

 Agradecimento: Agradecemos às várias pessoas de Pardelinha que colaboraram para estas memórias. No entanto, há uma, a quem deixamos aqui um agradecimento especial, ao Sr. Cândido Fontoura, homem, que apesar dos seus 91 anos de idade, ainda é muito bom conversador e possuidor de uma excelente memória.

 

Nota: “Dados colhidos pelo Site”.

Pardelinha, 01 de Março de 2010

(Última actualização: Novembro de 2011)