MEMÓRIAS E DATAS QUE MARCARAM VÁRIOS ACONTECIMENTOS NA NOSSA TERRA

 

Coisas e Gentes da Nossa Terra

INFORMAÇÃO DIVERSA:

 

Casas da Coutada:

Esta casa, ou casarão, como lhe queiram chamar, em ruína progressiva desde finais da década de 50, conhecida por “Casas da Coutada”, situada a meio caminho ente Santa Valha e Gorgoço, pertenceu outrora, (por compra a um proprietário do concelho de Mirandela)  ao “Cego da Coitada” como era vulgarmente conhecido por deficiência numa das vistas, de nome verdadeiro João Evangelista Fernandes (falecido em 1918) e esposa, Carlota Ferreira, avô paterno de Manuel e Joaquim Leite Contins, entre outros, e ainda, trisavó materno de Maria Augusta Cagigal Neves (Marieta) e Amílcar da Cunha Cagigal Rôlo (Lilo), entre outros. Encontra-se desabitada desde (+-) 1925.

Os últimos moradores foram dois netos desse casal: Mário Moura e João Agostinho da Cunha. Após o falecimento do “Cego da Coutada” e da esposa, os seis filhos do casal, quatro do casamento com a esposa Carlota: Ana Teresa Ferreira (Aninhas), Maria Ferreira, Rosa Ferreira, José Ferreira (professor), e os restantes dois perfilhados pós sua morte: João Evangelista Contins, e outro que só conhecido por apelido “Barreira?”, mas que nos disseram ser de Tinhela, vieram todos eles a herdar, não só esta enorme habitação, como as inúmeras propriedades contíguas e outras, tendo em conta que, para além desses bens, tinham mais três grandes casais: dois em Santa Valha e um outro em Tinhela. Disseram-nos, que se constou após a morte, ter deixado ainda outro casal agrícola em Vila Frade, do concelho de Chaves, e que os herdeiros nunca chegaram a saber da sua existência, ficando este património para o seu caseiro de então.

Para além dos seis filhos atrás referidos, consta ainda ter havido mais dois fora do casamento: Mário Machado, que residiu na aldeia de Agordela e casado em Ervões e José Luciano, que residiu em Tronco. Estes dois, depois da morte do pai, não quiseram, por sua livre vontade, vir a ser perfilhados e receberem a herança a que tinham direito da parte do património do pai biológico.

Todos os filhos legítimos do casal, usaram só o apelido de mãe “Ferreira”, facto estranho, que nem os descendentes e os parentes souberam e sabem responder. Coisas caricatas do Registo Civil de então. Só um, fora do casamento: João Evangelista Fernandes, também conhecido por “João Contins”, veio a ser registado com o apelido do pai “ Fernandes”.

O filho José Ferreira, o mais culto de todos, por ter estudado em Bragança e exercido a profissão de professor, veio a falecer ainda bastante novo por ter contraído uma pneumonia. O pai, traumatizado com a morte dele, mandou cortar um velho castanheiro e, com o seu tronco, mandou serrar cinco tábuas bastante grossas para forrar o caixão, que na altura eram feitos à mão nas aldeias. Com essa atitude, seria, com certeza, muito provavelmente, para conservar mais tempo o cadáver por baixo da terra.

Era, de todos os irmãos, o único que sabia ler e escrever, apesar dos pais o saberem fazer, nomeadamente a mulher Carlota Ferreira, pessoa de posses e bastante culta. Mesmo com a influência e insistência junto do pai por parte do tio (paterno) padre, este, não os deixou estudar, argumentando que só iria servir para escreverem cartas aos namorados e andarem com a cabeça no ar.

Era individualmente a pessoa com mais posses na nossa freguesia no início do século XX. João Evangelista Fernandes, “Cego da Coutada,” era oriundo de Carção do concelho de Vimioso, Bragança. Veio ainda de muito jovem para Tinhela pelas mãos de um tio que era padre. Sua esposa, Carlota Ferreira, que já contava a bonita soma de 97 anos quando faleceu, era natural de Tinhela, do nosso concelho; quando se casou, era já pessoa com algumas posses, oriundas de seu pai, que também exerceu a actividade política em Lisboa.

Após o casamento, para além do casal que já possuíam em Tinhela, compraram em Santa Valha todos esses bens, incluindo residências: uma, situada no bairro da igreja, agora parte já em ruínas dos herdeiros de Aglai Moura, mais conhecida por “Glaizinha Moura”, e outra,  contígua, no local da agora casa de Fernando Alves, e mais outra habitação e quinta, no cimo do bairro do Sobreiró, dos herdeiros de Laudemira da Conceição Ferreira da Cunha (Cagigal ), neta do “Cego”, agora dividida e de dois netos:  Aglai Cagigal Neves,( esposa do professor José Carlos) e de seu irmão José Maria C. Neves.

Para além de duas juntas de bois e outros animais de trabalho permanentes nas terras da Coutada, trabalhavam para essa casa, vários criados e outras inúmeras pessoas de Santa Valha e Gorgoço. Disseram-nos que no Gorgoço só houve, nessa época, duas famílias que nunca chegaram a trabalhar para esse casal.

Para dar de comer a tanta gente, matavam nessa casa doze ou treze porcos (cebas). Os porcos andavam quase todo o ano a pastar no enorme lameiro que ainda existe em frente à habitação. Tinha também  rebanho(s) de gado ovino e um criado rapaz só para apanhar a água da fonte que ficava do lado de lá do ribeiro. Existia também no local e para consumo próprio, forno de cozer a lenha, forja para reparar as ferramentas, forno de fabricar telha e duas eiras para malhar o cereal. 

Chegou até a fazer, perto da fonte e de uma das eiras, uma divisão/capoeira tipo lagareta em pedra para criar perdizes. Os peixes das duas ribeiras circundantes podiam-se tirar aos baldes e até as enguias que subiam do rabaçal abundavam, fazendo também parte do petisco à mesa. Sinónimo de abundância que a natureza se encarregava de oferecer nesse tempo.

Ouvimos ainda o seguinte: quando um pobre ia pedir trabalho ao “ Cego da Coutada”, primeiro mandava-lhe dar de comer; se comia bem! ficava a trabalhar, se não!, como não servia para comer, muito menos iria servir para trabalhar.

Acrescentaram ainda algumas pessoas, que também ouviram falar, ter sido o “Cego” uma pessoa respeitável, influente e muito rica, chegando a ser a sétima com mais posses da nossa Comarca, e que se constava, ter já nessa época, para além de muito dinheiro, também uma rasa cheia de libras de ouro, parte delas, deixadas por um seu irmão, que diziam, ter residido algum tempo na Inglaterra e que chegou a participar na  guerra mundial. De um modo geral e dessas várias virtudes anteriormente referidas, era ainda portadora de uma enorme bondade humana. Contudo, já com a idade um pouco avançada, passou a ser uma pessoa muito mulherenga, e por esse motivo, acabou por dar cabo na sua fase final, de parte da fortuna que possuía em dinheiro e até outros bens móveis.

Quando faleceu,  por volta de 1918, com oitenta e tal anos, deixou no testamento o seguinte: quem transportasse o seu caixão à mão até Tinhela, local  onde foi sepultado, tinha direito a quatro alqueires de centeio (pão) e que, perante esse facto já previamente conhecido, apareceram de imediato uma enorme quantidade de pessoas a pretender prestar esse serviço.

Mais tarde, por volta da década de 30, as “Casas da Coutada” vieram a ser divididas em duas partes e herdadas pelas netas de duas filhas, da seguinte forma: a parte nascente ficou na posse de Aglai Moura (Glaizinha), vindo na década de 1990 a ser vendida pelos herdeiros a Joaquim Santos, mais conhecido por “Quim Lucas”; a parte poente ficou na posse de Laudemira Cunha Cagigal (avó materna do Lilo, entre outros), agora pertencente à neta desta, Aglai Cagigal Neves (trineta do “Cego”), já atrás referida.

Já quanto às inúmeras propriedades agrícolas que o “Cego da Coitada” e esposa possuíam por toda a freguesia de Tinhela e Santa Valha, e que o povo chegava a dizer: serem tantas, que o “Cego”  não necessitava de colocar os pés fora das suas terras, para se deslocar de St. Valha a Tinhela, frase que algumas pessoas mais idosas ainda se recordam bem de ouvir. A maior parte delas foram há muitas décadas atrás vendidas por herdeiros, existindo ainda muitas na posse de descendentes. Chegou ainda a ser proprietário na aldeia de Agordela de vários moinhos,  e um deles, era o conhecido “Moinho da Ana”, não muito longe das casas do Calvo.

O último caseiro que trabalhou durante muitos anos o casal de Aglai Moura (Glaizinha), foi o lavrador António Modesto e seu filho Zé, mais conhecidos na aldeia pela alcunha “Tenentes”. Dissera-nos que o fizeram até finais da década de 80. Relativamente à parte da senhora Laudemira, foi o seu filho Amílcar Cagigal,  mais conhecido por “Milo”, que o fez, desde meados da década de 70, até ao início de 2000, data do seu falecimento.

E é isto um pouco da história interessante deste imóvel, agora amontoado de paredes em ruínas, e dos seus antigos proprietários, contada por alguns familiares e outras pessoas que nos disseram terem ouvido também contar há muitas décadas atrás. Mas acima de tudo, foi aqui neste espaço, que teve origem uma geração, que veio a multiplicar-se por muitas outras ao longo do século passado, e que irá, certamente, dar continuidade no presente e no futuro.

Ao longo das várias conversas que tivemos para esta memória, foram-nos também descritas outras histórias e peripécias sobre esse homem e a sua casa da Coutada - Coitada, como dizem incorrectamente ainda algumas pessoas -, porém achámos por conveniente não as contar aqui, com sentido único de não tornar mais extenso este texto memorial.

 

Casas do Calvo: O último residente neste povoado foi Mário António (Teixeira), conhecido entre nós por “ Mário Cego”. Nasceu nesse local em 1904 e faleceu em 1984. Residiu lá sozinho até 1982. Chegaram a morar no Calvo perto de dez famílias. Neste pequeno povoado havia: Capela, com o Stº. António como Padroeiro, cemitério no adro desta, forno comunitário e fonte de mergulho de água potável. (Ver Link - Anexas)

 

Quinta da Teixogueira:

A última família a habitar nesse local (quinta de cima) foi a do falecido António Augusto Sarmento Afonso, conhecido entre nós por “Toninho da Quinta” que faleceu na década de 1990. Posteriormente, inícios da década de 2000, os filhos deixaram de lá habitar. (Ver Link - Anexas).

Morgadios de Santa Valha:

Na nossa freguesia, chegou, em outros tempos, a haver dois morgadios, assim identificados nos livros (Tomo I e Tomo II) - Família Transmontanas – Descendência Francisco de Morais, Palmeirim =  Ligações Familiares e Outras Famílias de Trás-os-Montes, datado de 2001 – Autor: Francisco Xavier de Morais Sarmento, que abaixo referimos:

Morgadio de Santo António dos Aciprestes, “e Descendência”

e

Morgadio da Quinta da Teixogueira, que também se chamou: Costa Homem – Morgadios de Valpaços, da Quinta da Teixogueira e do Nosso Senhor Jesus Cristo Ecce Homo.

 

Marco Geodésico (Castelo):

Estes marcos, vulgarmente conhecidos nas aldeias por “Castelos” foram construídos no século XVIII, no reinado de Dª. Maria I, nos pontos mais elevados das freguesias - no nosso caso, no lugar de Monte Cerdeira/Vale das Lousas  - , para determinar os levantamentos topográficos e coordenadas da zona e região. Informaram-nos as pessoas mais idosas, que sempre se recordam de ele lá estar e que só foi pintado (caiado), há uns anos atrás. Para além de um local bem localizado para umas boas merendas ou magustos, é ideal para tirar umas fotos panorâmicas na nossa freguesia, para mais tarde recordar.

  

Feira de Santa Valha

As pessoas mais idosas, dizem, que ouviram também dizer, que a feira em Santa Valha se realizou até ao início de 1900, em terrenos do agora Bairro da Maçaira ou Maceira, localizados perto do Cemitério, e que a pequena feira de compra e venda de animais, particularmente suínos (porcos), era feita no Bairro de Santa Maria Madalena, num pequeno largo que existiu nessa época, agora ocupado pelas casas de Arménio Rua, de Manuel Vilardouro e contíguas.

Até ao final da década de 1980, o principal mercado para adquirir ou vender, e até trocar produtos agrícolas, era a feira quinzenal de Vilarandelo, a 9 e 23 de cada mês. Era aí que as pessoas encontravam quase tudo para as suas necessidades domésticas, agrícolas, ou outras, e ainda, estar actualizado quanto aos preços, nomeadamente da lavoura e dos animais. Também a de Lebução a 3 e 16 de cada mês (hoje último domingo do mês). Não sendo tão importante para Santa Valha como a de Vilarandelo, era no negócio de gado o seu maior valor comercial.

A grande maioria deslocava-se a pé ou acavalo. Por cima da albarda do animal era colocado a melhor manta ou cobertor,  guardados para esse efeito ou para as saídas a localidades vizinhas, tudo apertado com a “cilha”. Para transportar parte da mercadoria, as pessoas com mais posses, colocavam por cima da albarda os “alforges”.

O dia de feira era um dia de festa, principalmente para as crianças, quando os pais os levavam consigo. Alpergatas, sapatos (de pano), ou socos, eram normalmente comprados lá, e teriam que durar para o ano todo, ou até mais, nomeadamente os socos.

Também era o principal local de negócio de animais de trabalho, rebanhos de gado, e outros animais. Havia mais duas feiras importantes de negócio de gado, Lebução, e Torre de Dona Chama, mas tudo veio a acabar, por volta de meados da década de 1980, devido à entrada em vigor de uma Lei criada para regulamentar a venda de animais em feiras, sobretudo no tocante à sanidade, transporte e local.

 

Registo Civil Público de Santa Valha:

Foi numa pequena dependência da casa dos herdeiros do Sr. Arnaldo Domingues, (Augusto Simão) no largo do Br. dos Ciprestes, mesmo em frente à porta principal do lagar de Azeite, divisão ainda hoje conhecida por algumas pessoas por “escritório”, funcionou até ao início do século XX (1920 ?.), um Posto Público de Registo Civil, destinado ao registo dos nascimentos, óbitos e casamentos, das pessoas da nossa freguesia e de outras da redondeza.

O imóvel foi anteriormente propriedade da família dos Videiras, e as últimas pessoas a exercer esse cargo público, conhecidas como “Ajudantes”, pensamos  com alguma remuneração do Estado, foram os próprios proprietários, João António Videira e filho, Luíz António Videira, visa-avô e avô paternos da Dª. Julieta Videira. Informou-nos a Dª. Julieta, filha da falecida Dª. Hermínia Pereira, que o nascimento da sua mãe em 16/06/1911, foi registado nesse Posto  (Repartição) e que os livros desses registos se encontram na Conservatória do Registo Civil de Valpaços.

Fomos pessoalmente confirmar o facto junto da Conservatória do Registo Civil da nossa Comarca, bem assim como conhecer o Livro de Registos de Assentamento de então, e o acto narrado pela Dª. Julieta, está conforme. O Assento de Registo é o Nr.669 de 18/07/1911, tendo pago Emolumentos do Acto (imposto do selo), no valor de 400 Reis.

Verificámos também, que o nome da pessoa que escriturou esse registo de nascimento, foi o Sr. Luí(z) António Videira, tendo assinado  conjuntamente com o pai da criança,  Manuel Pereira, e duas testemunhas: Manuel Luí(z) e Manuel Mata. O falecimento da Dª. Hermínia, ocorrido em 11/11/2003, também se encontra registado nesse mesmo livro.

Não obstante o Posto do Registo Civil da nossa terra ter sido extinto, tudo indica, entre 1915 e 1920, por motivo de falecimento do último Adjunto Luiz Videira, alguns, ainda se conservaram abertos em algumas freguesias do país,  até à publicação do DL. nº.519-F2/79 (DR.1ª. Série nr. 299 - 9º.Suplemento),de 29-12-1979 e DL. 131/95, de 06/06/1995 com entrada em vigor a 15/09/1995.

Na fachada principal dessa casa, junto desse anterior escritório, encontra-se na padieira de uma porta (antiga janela), uma inscrição esculpida na pedra “Ano de 1778”. Desconhecemos o motivo dessa inscrição.

 

Guerras: Mundial e Ex-Colónias:

Santa Valha teve alguns filhos soldados que participaram na guerra colonial do Ultramar (ex-colónias africanas), de 1961 a 1975. Mas teve também vários outros filhos “soldados” que militaram na primeira Guerra Mundial, também conhecida por “Grande Guerra”; conflito mundial ocorrido entre 1914 e 1918. Lutaram com armas nas trincheiras de França e foram eles: Antero Augusto Cagigal, Francisco Luís Alberto, também conhecido por Francisco Ferruge(m), Alberto Morais de Castro, Mariano da mata, Manuel Batista “Regalório”, Manuel “Raposo” e “Capitão” Baltazar Castro.

Na “guerra mundial “ felizmente nenhum destes nossos heróis chegou a morrer em combate. Na guerra das ex-colónias, já não podemos dizer o mesmo. Foi em 30-06-1972, o conterrâneo combatente 1º. Sargento chamado António Alberto Teixeira, nascido no povoado do Calvo em 15-10-1928. Encontra-se sepultado em Angola, mais concretamente em Luanda, no cemitério de Santana (Catete), talhão militar campa nr.5. (Posto 1º.SAR, Ramo EXE, Unidade de Origem CDMM, Unidade Operacional ASMA).

Era filho dos falecidos (do Calvo) Marcelo da Assunção Alberto e de  Emília Joaquina Teixeira, e irmão da falecida Constança Alberto, “Constância” como a maioria a chamava, do Br. dos Ciprestes (mãe do Luís, Zé e António Castro, entre outros).

 O falecido combatente deixou os seguintes descendentes: José Manuel da Fonseca Alberto; Victor Manuel da Fonseca Fidalgo; António Jorge da Fonseca Alberto Teixeira e João Paulo da Silva Teixeira.

*Esta informação foi-nos prestada (via e-mail) pela Liga dos Combatentes/Lisboa. Todavia desconhecemos a causa da morte deste conterrâneo que na altura tinha 44 anos de idade.

**Nome dos 47 Combatentes Valpacenses mortos na Guerra Colonial: http://clubehistoriaesvalp.blogspot.com/2010/04/combatentes-valpacenses-mortos-na.html

Bem perto das casas do Calvo, existe uma mina, que em outros tempos foi  local de extracção de volfrâmio, utilizado no fabrico de material de guerra para (a primeira?) e segunda guerras mundiais: (1914 a 1918 / 1939 a 1945). Existem ainda na aldeia outros locais com alguns vestígios de exploração deste metal/minério, nos seguintes locais: Lugar da Cruz, a aproximadamente 150 metros da estrada e muito perto do estradão para Monte Cerdeira/Castelo; Outeiro do Abade, a cerca de duzentos metros da Capelinha ou Cruzeiro do Senhor da Boa Morte; Semuro: junto aos lameiros dos Rolos; Canamão: a cerca de duzentos e tal  metros do lado de lá do ribeiro, logo a seguir às terras de cultivo e antes da fraga redonda (fragão) do fundo da Cabeça Gorda.

 

Emigração dos filhos da terra:

Primeiro, finais do século XVIII e início do século XIX, começou para o Brasil. Mais tarde, 1940 e 1950, para Angola e Moçambique e, em início de 1960, é que se deu a grande emigração dos filhos da terra, para os Estados Unidos, Espanha e, sobretudo, para França, onde veio este país  a acolher a maioria dos nossos emigrantes.

Os censos de 1960, registam a maior densidade de população residente da nossa freguesia, 1454 residentes, mas com o regresso (da descolonização de Angola e Moçambique) dos “filhos da terra” em 1975/1976, “Retornados”, como eram conhecidos, temos a certeza, que este registo foi ultrapassado.

 

Último Regedor

O último foi Artur Domingues Gonçalves, mais conhecido por “Artur Feijão” coadjuvado pelos Cabos de Polícia ou Regedor, Amadeu Moreiras (Pedreiro) de Santa valha, e Manuel Carolino do Gorgoço. Antes de Artur Feijão, (penúltimo e anti-penúltimo), foram: João Manuel da Mata Barrosão e Gualdino Nogueira), ambos já falecidos.

Este cargo foi extinto em todo o país no ano de 1976, com o fim da ditadura e opressão fascista, que terminou em 25 de Abril de 1974. 

“Ver espaço neste Link: As minhas Memórias”

 

Primeiras Eleições Autárquicas por voto do povo (democráticas):

Aconteceram no ano de 1976, onde foi eleita a Assembleia de Freguesia.

Composição da Junta de Freguesia:

Presidente: Francisco dos Santos Rôlo

Secretário: Manuel Joaquim Fontoura 

Tesoureiro: Augusto Ervões.

 

Louvados e louvações  de propriedades:

As propriedades rústicas (terras de cultivo e outras), nos termos da Lei, só em 1960 é que foram registadas nas matrizes prediais das Repartições de Finanças do Estado.

Para esse efeito, em 1958, existiram Comissões de Registo e Louvações, chamadas na época de “Louvados”, que não só identificavam e registavam a propriedade com o nome de localização, confrontações, área,  e número matricial, como também, lhe atribuíam o valor patrimonial tributável, para efeitos de pagamento anual de contribuição, conhecido nessa época e durante muitos anos por “décima ou finta”, mais tarde, por Contribuição Autárquica, e agora, por (IMI) - Imposto Municipal Sobre Imóveis.

Nesses registos, havia sempre um ou mais elementos da aldeia/freguesia que faziam parte dessas comissões. Na nossa, recordam-se ainda de uma, o (falecido) Sr. Lafaiette Alves, que residia no largo do bairro do Pontão, agora casa do (também falecido) Manuel “Mudo”.

Consta-se, que antes de 1960 houve um registo matricial muito desactualizado, que se destinava só ao pagamento da contribuição, mais conhecida por finta ou décima.

As propriedades urbanas (casas de habitação e outros), foram registadas em 1937, no entanto, desconhecemos o nome das pessoas da nossa terra que fizeram parte da comissão de louvados.

 

Salário Mínimo Nacional: Em 1975, era de 4.000$00 (escudos), equivalente a 20,00 €.

 

Poema de Desavenças Antigas…..:

Santa Valha deu um tombo,

O Barreiros tente-o lá,

O Gorgoço não te assustes,

Que Fornos avança já.

Observação: Sinal de desavenças antigas entre localidades vizinhas e que, os habitantes de

                         algumas,  eram mais amigos de umas, do que de outras.

 

Memórias do Rio Calvo:

 

Por Leonel Salvado – Clube de História de Valpaços

 

O rio Calvo, afluente do Rio Rabaçal, ainda é uma das referências do património natural do concelho de Valpaços que em vários locais do seu quadrante setentrional proporciona aos visitantes boas oportunidades para desfrutarem de ambientes de frescura e paz de extraordinária beleza paisagística que fazem a maravilha dos espectadores especialmente dos mais nostálgicos. Tem admiravelmente merecido o maior apego e carinho da parte dos moradores (de várias gerações!) das localidades que lhe estão próximas.

Mas para além da beleza natural que ainda nos oferece, o rio Calvo foi acima de tudo, durante séculos e até um passado relativamente recente, uma fonte essencial de recursos para a sobrevivência de algumas comunidades localizadas nesse espaço. Das suas águas se serviam os povos, na maior parte dos casos livremente, para “limarem prados e Linhares”, regarem terrenos de cultivo, darem de beber ao gado, fazerem funcionar moinhos e azenhas e obterem variáveis castas de peixes. Na maior parte das suas margens abundava uma grande variedade de vegetação silvestre e árvores de grande porte e noutras partes se viam cultivar as terras de vinhas, castanheiros e outras árvores de fruto.

 

 

O Rio Calvo visto por uma lebuçanense dedicada às coisas do Património

 

«Chama-se Calvo e corre em leito apertado, aconchegante, junto dos moinhos do Pimentel, como são conhecidos.

Há uma manta verde, muito verde, que cobre a área envolvente, salpicada de outros tons, agora que é Primavera.

O rio canta melodias, batendo nas pedras que descansam no leito e, muitas vezes, adormece à sombra dos amieiros que lhe bordam as margens.

Já foi pão que matou a fome do povo, quando as suas águas faziam mover as mós dos moinhos que labutavam dia e noite, numa azáfama que não tinha fim.

Hoje, os moinhos estão desmantelados pelo tempo e pela incúria do homem, mas há memórias, doces memórias, que jamais se desvanecerão.»

 

Graça Gomes, “Sei De Um Rio”, in Lebução de Valpaços

 

O rio Calvo, segundo Adérito Medeiros Freitas

 

«O rio Calvo nasce nas proximidades de Dadim, concelho de Chaves, como nome de Ribº de Lamigueiras. Tem como afluente, na margem direita, a Ribeira do Porto de Veiga. Depois da Ponte da Pulga (E.N. 103), adquire a designação de Ribeiro da Pulga; esta ponte foi destruída por uma violenta trovoada que ocorreu no dia 17 de Junho do ano de 1939. Nas proximidades da aldeia e freguesia de Nozelos é chamado Ribº de Nozelos e, a partir das proximidades de Tinhela recebe a designação de Rio Calvo. Em resumo, o Rio Calvo passa nas proximidades das aldeias de Pedome e Nozelos, e por Tinhela, Agordela, Calvo e Vale de Casas indo, finalmente, desaguar na margem direita do Rio Rabaçal, depois de ter passado pela Ponte Romana do Arquinho. […] Existiram, ao longo deste curso de água, 44 moinhos hidráulicos (43 moinhos de rodízio e 1 azenha).»

 

In Moinhos (Moinhos de rodízio e azenhas), Concelho de Valpaços, Vol. I, CMV,2009, p. 156

 

Se recuarmos aos meados do século XVIII encontramos em alguns documentos, entre outras informações, indicações acerca desta realidade, nem sempre muito claras e condizentes mas suficientemente conformes com ela.

 

O Rio Calvo nas Memórias Paroquiais de 1758

 

LEBUÇÃO - A crer no pároco memorialista desta freguesia, no século XVIII o rio Calvo tinha origem na conjunção das águas de duas nascentes distintas, ambas localizadas dentro dos limites da freguesia (abadia) de Cimo de Vila de Castanheira (actualmente do concelho de Chaves), a primeira no sítio do Pereiro (que entretanto terá secado) e a segunda junto à aldeia de Dadim, a que actualmente se tem por única nascente. O seu percurso pelas terras do actual concelho de Valpaços era já descrito pelo mesmo pároco de Lebução, grosso modo em conformidade com a descrição de Medeiros Freitas, ao mesmo tempo que destacava a grande quantidade de moinhos nele em actividade, desta forma:

 

«Pela parte do Poente e margens das terras de Tronco corre um regato que neste lugar se lhe pode chamar rio, o qual nasce num sítio chamado Pereiro que é termo de Cima de Vila de Castanheira e este se junta com as águas do lugar de Dadim aonde chamam Valados, as quais juntas e incorporadas umas nas outras fenecem o regatinho que por diminuição não tem nome distinto e vai formando um ribeiro com elas que se chama ribeiro da Pulga no qual há infinitos moinhos. E tem o tal regato uma légua de comprimento, de onde nasce, que é na parte do Norte, até quando chega ao lugar de Pedome, anexa desta freguesia e ali tem uma ponte de pedra e de pau, onde se passa para o lugar de Tronco.

E logo mais abaixo tem outra ponte que é somente de pedra e que fica na estrada Real que vai de Chaves para Bragança. Este ribeiro vai dilatando seu curso, que é presente em todo o ano, por uma veiga abaixo que é termo de Nozelos e Tinhela a cujos lugares corre vizinho. Porém, ao de Tinhela se avizinha mais aonde tem uma ponte melhor do que as outras de que acima falámos, pela qual entram e saem os que vão e vêm da parte do Sul para cujo lado fica a dita ponte a respeito do tal lugar.

 

O Padre [cura] António Fernandes d’Além»

 

ANTT - Memórias paroquiais, vol. 20, n.º 71, p. 527 a 540

 

 

NOZELOS - O Pároco de Nozelos, pela mesma data, também assinala o “sítio do Pereiro” como a nascente do Rio Calvo,(“o que corre pela parte do Nascente”). Como se vê pelo excerto que se segue, dá-o pelo nome de “ribeiro de Pedome” e descreve as suas principais virtudes, a montante de Nozelos, e defeitos, sobretudo a jusante da mesma freguesia.

 

«Nesta terra não há rio. Nesta terra há dois ribeiros, os quais correm girando este lugar, um pela parte do Nascente e outro pela do Norte, e ambos se juntam no termo deste lugar no sítio chamado as Olgas e o que corre pela parte do Nascente tem o seu nascente daqui na distância de uma légua, no sítio chamado de Pereiro, termo de Cimo de Vila de Castanheira, freguesia de São João Baptista, e corre por terra infrutífera, porém os moradores de Cimo de Vila lhe divertem as águas para limarem os prados e Linhares com ela e o mesmo fazem os moradores da quinta de Pedome, que corre distante dela dois tiros de pedra, e entrando neste termo tem o mesmo efeito de limar os prados e linhares deste termo até onde se junta com o que corre pela parte do Norte para o Sul e, juntamente, nele há duas casas de moinhos, cada uma com duas rodas, para centeio e trigo, que moem ordinariamente desde o mês de Dezembro até ao de Maio e nele há umas castas de peixes que nesta terra se chamam escalos, os quais se extinguiram pela grande seca, porque no estio é preciso buscar algum poço mais fundo para nele beberem os gados e, assim, não cria senão escalos, rãs e cágados. Este tem o nome de ribeiro de Pedome porque passa somente na quinta chamada Pedome e tem um pontão de três traves de pau cobertas com pedras. E o que passa pela parte do Norte que nasce no sítio chamado da serra das cortiças, do termo de Bobadela, daqui distante meia légua, é mais pequeno, porém com mais substância e é mais saturável no Verão e tem o mesmo efeito de limar prados e Linhares deste termo e tem quatro casas de moinhos e as mesmas castas de pesca e, tanto que se juntam ambos não têm utilidade alguma neste termo porque correm pelo melhor sítio de terras de centeio e nelas fazem algum dano e daqui três léguas se metem no rio chamado Rabaçal.

 

O Padre Caetano de Sá Pereira, Confirmado do lugar de Nozelos»

 

ANTT - Memórias paroquiais, vol. 25, n.º (N) 42, p. 293 a 302

 

 

POSSACOS – O pároco desta freguesia que designa o Rio Calvo por “Ribeira de Vale de Casas”, também realça a grande quantidade de moinhos nele existentes:

«Passa por esta terra uma ribeira que vem de Vale de Casas. Esta corre com bastante curso por todo este termo e tem moinhos bastantes de centeio. E tem esta um arco de pedra por onde se passa para o Bispado de Miranda e é de pedra lavrada e, dizem, tinha este dois padrões feitos à romana; um foi para Vale de Telhas e outro, dizem, veio para este lugar. Esta ribeira se mete logo dentro deste termo em um rio chamado rio Rabaçal que traz seu nascimento do Reino de Galiza e corre por este termo pela estremadura do Bispado de Miranda.

O Pároco, vigário, Padre Baltazar Fernandes de Figueiredo»

 

ANTT - Memórias paroquiais, vol. 30, n.º 236, p. 1813 a 1816

 

 

SANTA VALHA – Por fim, o Abade de Santa Valha ainda que aparentemente equivocado quanto à nascente do rio Calvo é o único dos quatro párocos-memorialistas que o designa por este nome, a jusante de Tinhela, fazendo uma descrição suficientemente detalhada dos seus recursos e do seu percurso.

 

«Neste lugar de Santa Valha somente há quatro ribeiras, uma chamada o rio Calvo que nasce no lugar de [Lomba?] e suas montanhas. Nasce brando e pequeno e corre todo o ano. Entra nele uma ribeira de Alvarelhos por baixo do lugar de Tinhela, duas léguas distante da nascente. Não é rio de barcas nem capaz para isso. É de curso arrebatado em toda a sua distância. Corre de Norte para o Meio-dia. Cria muitos peixes chamados escalos. Nas margens se cultivam muitas delas de vinhas, terras, prados e tem muitas árvores de fruto, como são castanheiros, e silvestres, como são amieiros, salgueiros, carvalhos, medronheiros e outras muitas castas de árvores silvestres. Conserva sempre o nome de rio do Calvo. Morre no rio chamado o Rabaçal, rio caudaloso, no sítio do Cachão. Tem uma cachoeira no sítio de Cachão e por essa causa não sobem os peixes chamados barbos e bogas por ele acima. Tem três pontes de pau, uma chama-se a ponte de Tinhela que está no mesmo lugar de Tinhela, outra chama-se a ponte de Agordela, na quinta de Agordela, e outra na quinta do Calvo e chama-se a ponte do Calvo. Tem perto dele infinito número de moinhos, regueiros e [olmeiros?]. Usam os povos de suas águas livremente para as culturas.

Tem o rio seis léguas desde a nascente até aonde acaba e passa por seis povos: O primeiro é Tinhela, o segundo é Agordela, o 3.º é o Calvo, o 4.º é Vale de Casas, o 5.º é Poçacos e o 6.º é o Cachão.

 

O Abade, Padre Domingos Gonçalves»

 

ANTT - Memórias paroquiais, vol. 34, n.º 67, p. 601 a 606

 

Termos Típicos, extraídos do “Blogue de Pedome” ( http://lamadeiras.blogspot.com/ ) de Armando Sena. A maioria destes termos também se aplica na nossa freguesia, dado esta localidade estar próxima da nossa freguesia.

Última actualização do Blogue: Julho de 2011.

 
Abada - Regaço cheio (dádiva com o objectivo de conseguir proveitos);
Abascado- Apalermado
Abêbora - Figo grande
Abéspora - Vespa
Aboucar - Fazer muito barulho
Acancelar - Meter o gado em cancelas, em terreno para estrumar
Acarrar - Transportar
Acarrijar- Transportar em carro de bois, usualmente palha
Açoga – Tira de couro que prende o jugo ao pinalho
Afoutar - Gritar
Aguilhada - Vara para guiar animais
Agulheta - Caruma de pinheiro
Alacraio - Escorpião
Alanzoar- dizer coisas à toa
Alcatruz - balde para tirar água da nora
Alustrar - Relampejar
Amadurar - Amadurecer
Amamotadas - Com mazelas de crescimento
Amanhar -
Ameroso - Macio, liso
Amover - Abortar animais
Arganel - Argola que se coloca no focinho dos porcos
Arganiço - magricelas
Apaparica - Mimar
Arranjar
Arrebunhar...arranhar
Arrecadar - Arrumar
Arrecaxada - De pernas abertas
Arreigar...arrancar pela raiz
Arrefuxir – Puxar as mangas para trás
Arreganhado - Aberto,Escancarado
Arrendo - Arrendamento
Arrepelar - Puxar os cabelos
Arriba - Puxar para cima
Arrouçar - Virar em espaço acanhado
Arroxo – Pau torto para esticar cordas, Punição
Aspado - Cheio de pressa
Avaloar - Avaliar
Aviaca – Aiveca, mulher desengonçada
Azagal – Ajudante de pastor
Azeiteira - Almotolia
Baixo - Armazém no piso térreo da casa
Balancim - Artefacto para lavrar com animal isolado
Balho – Gordura da barriga
Baraça – Cordel para fazer andar o pião
Baraço - Cordel
Benairo - Grande porção
Betrana - Gaja boa
Bilharda- jogo com um pau
Barleiro – Cesto de vime
Bebes - Cu
Berrão - Barrasco
Bilhó – Castanha assada, descascada.
Biqueiro - Pessoa esquisita quanto à comida
Blouro - Preguiçoso
Bondar - Chegar, bastar
Bota – Anda, vem, atira
Brochas – Metal para protecção dos socos
Bucheira – linguiça de carnes menos nobres
Burgatas - Frutos pequenos
Cabaça - Abóbora
Cabaçote – Pequena abóbora
Cabanal- espaço coberto para guardar lenha e alfaias agrícolas
Cachouço - Brincadeira
Cácimo - Planta de cujas bagas se retira um veneno
Cadabulho – parte lateral do terreno
Cainso - Cio
Caldo - Sopa
Canca - Idoso
Calhêa – caminho estreito ladeado de paredes
Cancela - Porta em grade feita de madeira
Cancelas – Vedação para os rebanhos
Cancha - Passo
Canear - Dormitar
Canelha- caminho estreito
Cangaço - Uvas depois de esmagadas
Cangalhas - Óculos
Canhoto – Pau grosso
Caniço – Rede para secar castanhas na cozinha
Capão - Molho de vides
Carabunha - Graínha, caroço pequeno
Carambina – Gelo formado pela geada
Carambelo – Frio extremo
Cardiela –Cogumelo amarelo, bebedeira
Carolo - Pedaço de pão
Carpins - Meias de lã
Carrachola - Cavalitas
Carranha – Macacos do nariz
Carramouço – Monte de coisas
Carrichas (às) - às costas (usa-se, levar às carrichas)
Cássimo – planta com sementes venenosas
Cascabulho - Monte de cascas
Castanheirol - Batateiro
Ceitoura - Foice
Cerdeira - Cerejeira
Cerrar - Fechar
Chaboto - Cigano
Chalmistreira - Impostora
Chamorro – Doença de coelho
Chanato - Calçado velho
Chabelão - Cavilha usado no pinalho dos carros de bois
Charguaço – Arbusto rasteiro usado como estrume
Chedas-
Chedeiro –
Chiasco - Vento frio
Chisquete - Pedaço pequenino de carne sorçada
Choquelateira - Cafeteira
Chouriça de verde – Chouriça de sangue
Chuclear...agitar
Chupa - Chaminé
Cibinho - Bocadinho
Cisqueira - Diarreia
Cito-cita – Fiscal camarário de obras
Coberta - Colcha
Cobrante – Doença de ossos
Côdeo – Pedaço de pão

Colmo - Telhado de palha
Concharra - Colher de lançar a sopa
Conchouço - Loja
Cornizó - Fungo do centeio, diz-se que usado para fabicar armamento
coroa...cimo, o ponto mais alto
Corpela - Crosta de ferida
Couracha - Pele de porco
Cortelhas - Entre pernas
Cortinha - Terreno de cultivo de grande dimensão normalmente vedado por muros 
Crencho - Contente
Crocha - Primeiro pedaço do pão
Crossa - Capa de palha
Cueiro - Fralda
Dafeito - Tudo seguido
De cacaranhas - De cócoras
Delambido - Palrador
Derindaina - Sova
Derrega – Rego para escorrer água de terrenos
Desandadela - repreensão
Desinçar - Eliminar, exterminar
Eivado - Com crescimento pequeno
Enforretado - Sujo de fuligem
Embarrar - Tocar, raspar
Embelga - Delimitação de terreno em corredores para a sementeira
Embloutar...sujar, enlamear
Embude – Funil muito grande
Emonar-se - amuar
Embuzilar - Comer de forma desmesurada
Encartar - Dobrar
Enchouriçar- encher alheiras e chouriços
Engaço - Ancinho
Engaranhado - Com frio
Engatinhar- começar a andar
Engrunhar - Encolher
Enta - Geração, colheita
Entre-telas – pessoa magra
Erbanço – Grão-de-bico
Esbarar - Escorregar
Esborralhar- demolir
Escanar – Dormir, Desfolhar milho
Escaravanar - Saraivar, Chover granizo
Esfoura - Diarreia
Esgoda - Grande canseira
Esmoucar - Partir a cabeça
Espalhadoura - Instrumento para espalhar estrume
Espanzurrada - Relaxada
Esparger - Espalhar
Espoldrar- podar
Estadulhos – paus de madeira para estabilizarem a carga
Estardalho – Pessoa sem nexo
Estrafogueiro – Objecto para pousar lenha na lareira
Esturgido - refogado
Famelga - Familia
Farinhota - Doença da vinha
Feiloa - Gás intestinal
Ferreiras – jogo à procura das pessoas
Filharasco - Enteado
Fingir – Dividir a massa em pão para cozer no forno
Finta - Contribuição
Fuga – Vigas horizontais onde assentam os lareiros do fumeiro
Fulcro - Media do polegar ao indicador
Futurar - Supor
Gabarrista - Gabarola
Gabela - Conjunto de objectos que se agarram e transpotam com os braços
Gadanha - Foice grande, pessoa qeu apanha tudo o que vê
Galela - Vinvima de restos da vindima principal
Galelo - Pedaço de uva
Galheiro – Pau para sustentar vegetais na horta
Gamechâme - Vinho de fraca qualidade
Gamela - Pia dos porcos
Ganapada, Ganapos - Jovens em geral
Garabano – Utensílio para tirar água do poço
Garavelho – Fecho de porta em madeira
Gemelgo- gémeo
Giga – Cesto de vime largo
Gramalheira- corrente de ferro que suporta a caldeira sobre o lume
Grandura - Tamanho
Grolo - Que não chegou ao fim da gestação
Guedelhudo – Que tem o cabelo comprido
Guiar - Compor, consertar
Guisote – Depreciativo de guisado
Herdança - Herança
Impontar- mandar embora
Indromineira - Enganadora, Impostora
Interpicar - Implicar
Laços - Corda comprida
Ladrais – tábuas que ladeiam os estadulhos
Lambão – Pessoa desleixada, mandicante
Latada - Ramada
Lareiro – Varas onde se pendura o fumeiro, pau de varrer o forno
Laronas - Alheiras azedas
Larouga – Cerejas verdes
Lazarado - Cheio de fome
Leiranco – rato grande
Letria - Aletria
Listo - Esperto, vivaço
Livreta - Agenda
Loa – Conversa fiada
Lumiacos - Tufos verdes criados em água estagnada
Quilé - Coisa pouca. Mais usado na negativa "Nem quilé - Rigorosamente nada"
Malata – Geada
Mamão - Rebento inútil
Mandicante - Fulano
Manhuça- Feixe de coisas que se podem abranger com a mão
Maquia...porção de farinha ou grão que os moleiros recebem pelo trabalho
Marafolho - Ramo de cerejas
Marafona - Mulher mal vestida
Matrajela - Marosca
Mercar- comprar
Merondo – montículo
Merouço – montículo ligeiramente maior que merondo
Merujar - Chuviscar
Mijacão –Todos os cogumelos não comestíveis
Mocanca – Produtos vários
Mochana - Faúlha
Moinante – Bom vivant
Molida – Artefacto para o pescoço dos animais
Môcas - Ranho
Moreia – Grande monte de molhos de palha na eira
Morneiro – Monte de molhos de palha
Mulo, estar de - De trombas, amuado
Munifates - Gestos idiotas
Niscaros - cogumelos
Palafrão - Pessoa gorda e mal feita
Palaio -Chouriço de pão
Palhada...vagens secas dos feijões
Palhitos - Fósforos
Parabena - Ventania
Parada – Local de cobrição de animais
Pardieiro - Casebre
Parreco - Pato
Passota - Sêca, encarquilhada
Peldrecha – Pele da barriga do porco
Pernóstico - Vaidoso
Perrão - Chorão compulsivo
Picar - cortar lenha
Pinalho – extremidade do carro
Pincha Carneira - Cambalhota
Pita – Galinha
Píveda – garganta, fanfarronice
Pocho - Cachorro
Pondão – Pessoa lenta
Portelo – Entrada de propriedade
Pote -  panela de ferro, com três pés, para cozinhar no lume e alambique de fazer aguardente
Poula – Terreno árido
Rabanada - ...de vento. Rajada de vento
Rabeira - Restos de centeio depois de peneirado
Raboto – Sem rabo, gay
Racha- cavaco de lenha
Ranheira - Coceira
Rassada (de sol) - Passagem de sol por entre nuvens
Responso - Reza
Rigueiro- ribeiro
Rijar - Fritar
Rilhar - Comer roendo
Roca – Roco, Frade
Roda – Conjunto de molhos de malha em espiral
Rodilha – Pano de cozinha
Rodilheira – Pessoa que cria mal-estar
Saborreiro – Neblina quente de verão, pão mal cozido
Saçamelo- pronuncia mal certas palavras
Saltão- gafanhoto
Segar - Ceifar
Serranço - Fundo das costas
Sibo - Pedaço
Sinceno - Nevoeiro
Sombreiro – Guarda-chuva
Sorça – Vinha d’alhos
Soutar - Colher tudo
Sureto – Sem rabo
Tãlha – Recipiente de barro
Tantinho - Um pedacinho
Tarandeira = utensílio para por o pão
Tártaro – Insecticida para frutos
Tartaranho - Milhafre
Tascos - Resíduo de linho
Tempre – Tripé para fritar
Termino - juízo, tino
Termoncela – Artefacto para lavrar
Tesão - Ferramenta para fechar a boca dos tonéis
Tiés -Membrana
Timoeiro -
Tissão - Brasa grande
Tomba-louceiros - Desajeitado
Toutiço - Inchaço
Tralhar- coagular, solidificar
Trocha-Mocha - À maluca
Trocho – Estrutura grossa da couve
Upado - Inchado
Verdasca – Vara fina e verde
Vergalheira – Parte do porco
Vincelho - Envolvente, normalmente de palha, para apertar molhos
Xamorro – Doença de coelhos
Xiba - Cabra
Xoino - Amante
Xotar - Enxotar
Zarcão – Pessoa muito feia
Zerbada - Chuvada forte
Zorra – Pião grande
Zorra – Pessoa muito parada.

 

Santa Valha, Site: 01-03-2011

Última actualização: Fevº. de 2012