

Coisas e Gentes da Nossa Terra
DESPORTO E CULTURA:
Campo de Futebol:
O primeiro Campo de Futebol de que nos recordamos (até final da década de 1950 ou início de 1960), foi numa propriedade de Laudemira da Cunha “Cagigal”, (avó materna do Lilo, entre outros) conhecido pelo Campo das Lages, e o penúltimo, foi no lugar do “Cruzeiro”, junto à Capelinha do Senhor da Boa Morte, terreno pertencente ao pai de João Atanázio. Tanto um, como o outro, eram arrendados a troco de uma renda anual (centeio ou dinheiro).
Ainda há muitos que se recordam, de um campo de futebol construído na Cerca, propriedade agora dos herdeiros de Cândido dos Santos, mais concretamente situado por detrás da casa de Eduardo Quintela, agora vinha e olival, junto à estrada que dá a Pardelinha, propriedade esta, que umas décadas antes, chegou a pertencer à Igreja/Casa Paroquial, por doações de paroquianos, e que lhe foi roubada e/ou vendida ilegalmente a uma família de Fornos do Pinhal, António Gonçalves Pereira.
Esse campo foi construído por um grande grupo de pessoas, que, por volta de 1950, tomaram a propriedade da Cerca de assalto, por não concordarem com a venda ilegal, através de documentos falsos, mas que tiveram que ceder de imediato, por força das autoridades e da justiça. (Facto contado na íntegra no Link” Memórias: Assuntos Religiosos”). O campo chegou ainda a funcionar um ou dois anos, até a justiça sentenciar a entrega/devolução da propriedade ao comprador.
Alguns desportistas de então que jogaram nesse campo: Lafaiette Alves, Manuel Guedes, Ernesto Pereira, Aníbal Barreira “50”, Francisco Batista “Roque”, Osvaldo Fernandes, António Moreiras “Periquito”, “Quim “ da Teresa”, Albano e Ângelo Sarmento, Mário Picamilho, Maneca Ribeiro, Armindo/Armando(?) Sarmento, e ainda, alguns jovens da Casa/Solar dos Aciprestes (Sarmentos), entre outros. A maioria desses jovens também participou na revolta e tomada de posse das terras acima referidas e os líderes foram: Lafaiette Alves e Manuel Guedes.
No Campo das Lages, chegou mesmo a existir um pequeno “Tasco” em madeira, onde se vendia (bastante) vinho, algumas bolachas, tremoços, e rebuçados, estes, conhecidos por “Catraios”, pertencente ao José Maria “Cagigal” (barbeiro de profissão, bom tocador de guitarra e cantor popular), que emigrou para o Brasil em 1952. Após essa data, só se vendia vinho, transportado em cântaros, remeias ou regadores. Nunca havia mais de dois ou três copos de vidro para dar de beber a uma centena, ou mais, de jogadores e assistentes, e a lavagem não era necessária.
As bolas, eram na altura, de couro “ Capão”, como se chamavam, e tinham um “pipo”, para extrair a câmara-de-ar quando era necessário remendar por furo; a maioria jogava descalço. O primeiro equipamento de futebol da aldeia teve as cores do Futebol Clube do Porto. Foi comprado pela Dª. Tute na cidade do Porto no ano de 1958. Era um equipamento completo (camisola calção, meias, botas e bola) e a juventude para agradecer, (des)escavou-lhe dois anos seguidos as vinhas gratuitamente.
Os responsáveis da manda de uma pequena parte dos custos, foi tirada por Mário Picamilho e Artur Feijão.
Disseram-nos que esse equipamento, estreado no campo das Lages, veio a ser vendido passados dois anos para Barreiros, pelo Sr. António Teixeira (comerciante), mais propriamente ao Sr. Sequeira do comércio/taverna, mas não se recordam da justificação e/ou motivo da venda. O segundo equipamento teve as cores do Leixões Sport Club (camisola e meias com riscas verticais vermelhas e brancas e calções brancos), foi comprado no ano de 1976, também com dinheiro dado pela juventude.
A construção e inauguração do actual campo de futebol deu-se entre 1977 e 1978. O terreno foi adquirido pela Junta de Freguesia, (presidida pelo Sr. Osvaldo Fernandes Ribeiro) à Dª. Helena Lobo, (ambos já falecidos), propriedade agrícola, onde existiu uma vinha e bastantes cerdeiros.
Algumas quadras populares da década de 1950, cantadas pelo povo, ao nosso conterrâneo Lafaiette Alves, pessoa que toda a gente gostava, conceituada, de reconhecida idoneidade e liderança na nossa aldeia. Foi jogador, treinador e árbitro da equipa da nossa terra.
*Senhor Lafaiette defenda a bola, - Não tenha medo de sujar a camisola, - Não tenha medo de sujar a camisola!.
A camisola é azul e verde ,- Senhor Lafaette!, não deixe furar a rede. (Idem).
O Rio do Calvo já vai vazio, - Falta um minuto para acabar o desafio. (Idem).
Associação de Desporto e Cultura:
Em 18/05/1988, foi constituída a “Associação Recreativa e Cultural e Melhoramentos de Santa Valha”, por escritura pública, lavrada no Cartório Notarial de Valpaços, publicada no Diário da República (DR), Nr. 166 de 20/07/1988, III Série, tendo por fim a prática de algumas modalidades desportivas e culturais. Esta Associação nasceu para substituir uma Comissão criada em 20/06/1983, denominada “Comissão de Melhoramentos da Freguesia de Santa Valha”, que nunca chegou a ser legalizada, e o seu presidente “provisório” foi Manuel Guedes.
Consta-se, que na altura, foram atribuídos a esta Comissão, posteriormente Associação, vários subsídios de várias entidades do Estado, destinados a melhoramentos de infra-estruturas do desporto e cultura e outras ajudas ligadas principalmente à prática do futebol. Também se consta, que a construção da sede da Associação, agora sede do Rancho Folclórico, foi subsidiada por verbas do Estado atribuídas do mesmo modo.
No âmbito dos estatutos da Associação, foi criada a Secção de Futebol, com o nome oficial de Grupo Desportivo de Santa Valha, com as modalidades de seniores, juvenis e iniciados, mas só estas duas últimas (iniciados e juvenis) é que foram federadas, tendo o clube vindo a participar no Campeonato Distrital da Associação de Futebol de Vila Real, na época de 1988/1989. O Presidente foi Manuel Guedes, também presidente da Junta de Freguesia. No Site oficial da Federação Portuguesa de Futebol (www.fpf.pt) Link: Família do Futebol – Clubes, consta na época de 1988/1989, o nome do nosso Grupo Desportivo.
Já quanto à modalidade sénior (não federada), organizou e participou em vários torneios de futebol particulares, cessando a actividade em 2002 ou 2003, por um lado, por falta de apoios, mas ainda, e acima de tudo, devido à diminuição progressiva da juventude.
O anexo da Sede da Junta, que serviu em tempos de Sede da Secção de Futebol, oficialmente denominado Grupo Desportivo de Santa Valha, agora Sede do Rancho Folclórico e Posto de Análises, foi construído, com dinheiros/subsídios dados por Entidades Públicas, particularmente do desporto, canalizados através da Associação Recreativa e Cultural e Melhoramentos de Santa valha, atrás referida.
Sala de Teatro da Abadia:
Ficava instalada numa dependência da Casa paroquial, também conhecida nessa altura por “Abadia”, muito perto da Capela de São Miguel, do lado esquerdo da entrada principal. Por volta de 1962 ou 1963, um incêndio nocturno destruiu essas instalações.
Música:
Apesar de no início da década de 70, já ter actuado na nossa Festa um pequeno conjunto de música popular, oriundo, pensamos, da zona do Tua, o primeiro Conjunto Musical/Orquestra a sério a actuar na nossa Festa foi no ano de 1976.
O Conjunto Musical chamava-se “ Os Icebergues), tinha sede no Porto (São Mamede Infesta) e o palco foi instalado no pátio da Casa Paroquial, junto á escada da habitação, espaço com a área de superfície muito superior à de agora, visto na altura ainda não existir a actual Sede da Junta de Freguesia, nem o jardim contíguo.
Dada a fama que granjeou entre nós, veio a actuar mais duas ou três vezes nas festas da nossa terra e conquistou prestigiosamente outras actuações no nosso Concelho e Região. O músico/cantor muito conhecido em Portugal, “Luís Portugal”, a residir e actuar (na altura) num Conjunto Musical (regional) de Chaves, foi contratado por esta Banda (Icebergues) numa actuação que a Banda fez em St. Valha.
No ano seguinte, em Santa Valha, já integrava esta Banda como vocalista principal. Mais tarde, este vocalista, veio formar e liderar a Banda Musical muita conhecida (líder de Tops) em Portugal, denominada por “ Jáfumega”. No primeiro ano de actuação em St.Valha , a Banda foi contratada à margem da Comissão de Festas, pelos conterrâneos (jovens) António Neves (Tótó) e Amilcar Rôlo (Lilo), que se deslocaram ao Porto para a contratar.
O contrato foi para as noites de sábado e Domingo, rubricado pelo montante de nove mil escudos, (muito caro na época – preço de agora 45 euros -), mas as entradas e a novidade publicitada, fizeram com que os bilhetes, (sessenta escudos), se esgotassem rapidamente. Dada a brilhante actuação e os fundos angariados, que excederam a expectativa, foi oferecida uma gratificação extra aos elementos do Conjunto de dois mil escudos. A parte restante (sobras), nove mil escudos, foi posteriormente doada à Junta de Freguesia.
De referir também que os elementos do (Staf) Conjunto (9), ficaram alojados gratuitamente em casas particulares da aldeia, quer a nível de dormidas e alimentação, e que os bilhetes de entrada foram impressos manualmente em cartolina, com a colocação de um carimbo, com os seguintes dizeres: “ Beba Vinho da Adega Cooperativa de Valpaços”. Muito original….!!!. Nas futuras deslocações que fizeram a St.Valha, esta Banda, sempre teve uma especial atenção económica com a Comissão de Festas.
Até à presente data, nunca mais a nossa terra recebeu um Conjunto Musical com tanta apresentação em palco, charme, profissionalismo, e categoria musical. Os Santavalhenses dessa época, jamais irão esquecer os “Icebergues”.
Orquestra Musical de Santa Valha:
Na década de 1950, houve uma famosa “Orquestra Musical” em Santa Valha.
Os músicos que a compunham eram os seguintes:
Toninho Vieira: Violino
Duarte Picamilho: Clarinete
Duarte Picamilho: Violão
Fernando Pires “Mascimenta”: Violino
José Teixeira (Arrobas): Bandolim
Amândio e Luís Reis: Bandolim e Violão
António Alfaiate: Violão e Violino
Manuel Alfaiate: Mestre da Orquestra, tocava todos os instrumentos musicais
Todos os elementos deste grupo, já tocavam por pauta musical/partitura, ensinada e ensaiada pelo chefe/mestre Manuel “Alfaiate” (conhecido por este nome, por ter sido alfaiate na nossa aldeia), em virtude de ter vindo (pensamos) de Lisboa e ter sido lá mestre de bandas de música.
Informaram-nos algumas pessoas, e mesmo um elemento deste grupo (Sr. Fernando Pires), que esta orquestra tocou inúmeras vezes para bailaricos na praça, chegando ainda a actuar também em festas de aldeias vizinhas.
Havia também nesse tempo, outros tocadores de guitarra, viola, concertina, e realejo: José Maria Cagigal, Armindo da Conceição, Luís de Castro “Ló”, Zé Barrosão, os irmãos: Ernesto, Teófilo e Duarte Mairos, João Alves (de Pardelinha), mais conhecido por João da Amélia, etc., e ainda, Adamastor Fontoura e Artur Domingues, este último, mais conhecido entre nós pelo “ Praça ou Zé Velho”, bons em realejo, mas mesmo só tocando de ouvido, eram também bons animadores de bailaricos domingueiros e até de serenatas nocturnas.
Algum tempo mais tarde, década de 1960, bons acordeonistas, Julieta Videira e sobrinho Francisco Videira Rocha (Médico). Todavia, alguns aprendizes, teimaram sempre ao longo de muitos anos, em saber tocar concertina, como: os irmãos Leandro e Joaquim Amendoeira, Agostinho Mosca Pires “Nascimenta”, e outros mais.
Caça e Caçadores:
Ontem, tal como hoje, o futebol e a caça continuam a ser o principal desporto praticado na nossa aldeia.
Antigamente, ou seja, até meados da década de 1970, a caça era abundante nos nossos montes, nomeadamente coelho e perdiz, onde estas espécies podiam ser caçadas todos os dias, sem qualquer restrição de quantidade e local para caçar, desde o início do mês de Outubro, até finais de Dezembro.
Nessa altura, o furão, animal (já) proibido no exercício da caça, nunca deixava de acompanhar as equipas de caçadores de coelhos. Também as boízes, esparrelas, costelas e ratoeiras e outras armadilhas artesanais de caça, tais como laços e lousas, etc., faziam parte dos apetrechos caseiros de alguns para caçar perdizes e outras aves e animais no monte. Mesmo assim, a caça era muito abundante como atrás referido. Os caçadores davam quase sempre o mesmo nome aos furões que utilizavam na caça, “Papalbos/Papalvos ou Ferreiros”, dependendo da cor mais clara ou mais escura do animal, se bem que os “papalb(v)os” dizem ser animais mais dóceis. Também quem chegasse a matar um lobo era considerado um grande caçador e até herói na terra e redondeza. Felizmente que esta espécie em vias de extinção está protegida por uma lei de 1988, regulamentada posteriormente, Abril de1990.
Até ao início do século XIX, o urso, chegou a fazer parte dos animais silvestres da nossa freguesia. Exemplo ainda vivo da sua estadia na nossa aldeia, são alguns colmeais ou silhas dos ursos com alguns ainda lhe chamam, construídas nos montes no século XVII de forma rudimentar em granito e formato circular e fechado. Serviam para proteger as colmeias (cortiços) e o mel, dos ataques gulosos dos ursos. (Obs.: Ver espaço Agricultura/Lavoura).
A caça menor não fazia grande esforço para se alimentar, tendo em conta que os terrenos agrícolas estavam todos semeados pelos lavradores, assim como os nascentes e poços estavam sempre limpos para os animais beberem. Os rios, ribeiros e regatos também não secavam, e as doenças nos animais eram quase nulas, para além do vírus da mixomatose nos coelhos, mais conhecida por nós por “Xamorro”, que começou a aparecer no início da década de 60 em todo o território nacional, mas que a maioria dos animais se safava. Os pinhais e os matos estavam limpos sempre limpos, e por esse motivo os incêndios quase não existiam.
Por volta de 1976, com o aumento significativo de praticantes dessa actividade desportiva, atendendo sobretudo ao regresso dos caçadores das ex-colónias, e ainda de algum já poder de compra dos portugueses, houve, por parte do Estado, alterações à legislação do exercício da caça. As armas de um e dois canos de carregar pela boca, de percussão de cães de pequenos calibres, e os cartuchos carregados e fechados (rebordeados) à mão, com pólvora negra, “farelos de centeio”, e papel de jornal, a servirem de buchas de plástico, começaram a ser encostadas progressivamente na prateleira.
A partir dessa data, e tendo em conta que já existia algum esforço ou sobrecarga cinegética no terreno, o exercício da caça passou só a poder ser praticado às quintas, domingos e feriados nacionais. Também o limite máximo diário de perdizes a abater, passou a ser fixado em cinco, e algumas pequenas aves, deixaram de poder ser abatidas, por já começarem a estar em vias de extinção.
Sucederam-se posteriormente outras significativas alterações à legislação do sector da caça, como a Lei nr.30/86, de 27 de Agosto de 1986, tida como a principal e primeira lei após o 25 de Abril de 1974, que veio restringir também o exercício de mais algumas espécies de caça, e a criação das primeiras reservadas de caça condicionadas, associativas e turísticas. Depois desta, outras alterações à lei da caça se seguiram, como a Lei de 173/99, de 21 de Setembro, etc, etc..
Os javalis, depois de algumas décadas desaparecidos dos nossos montes, começaram novamente a marcar presença em meados da década de 80, e as primeiras correcções de densidade, por prejuízos na lavoura, iniciaram-se passados dois ou três anos.
Atendendo à sucessiva e progressiva degradação do património cinegético, quer por alguma culpa dos amantes deste desporto, quer, acima de tudo, por leis governamentais quase anualmente criadas, a maioria, por incompetentes alguns que nunca saíram dos gabinetes ministeriais e outros, o desporto da caça foi-se deteriorando ano após ano, e o território livre, onde outrora se podia caçar com muita abundância e sem quaisquer restrições, foi-se perdendo em todos os aspectos.
Ainda e para complementar, a doença hemorrágica viral (HDV), que afecta gravemente o coelho, começou a aparecer na nossa região, por volta dos meados da década de 90, se bem que o seu aparecimento na Europa se deu a partir de 1988, contribuindo também e de algum modo, para o desaparecimento da espécie cinegética mais caçada.
Em 2000, Já com a caça a “bater (mesmo) no fundo”, atendendo ao património cinegético nacional totalmente desbastado, o Ministério da Agricultura, (já sem saber o que fazer) veio novamente a legislar através pelo Decreto-Lei nr.227-B/2000, de 15 de Setembro, para entregar a política/ organização da caça, aos caçadores, pressionando os caçadores de todo o país, a organizarem-se urgentemente, no sentido de ser substituído o terreno livre, por terreno ordenado, e os caçadores constituírem “reservas de caça” próprias, com a seguinte denominação e regulamentação: Zonas de Caça Municipais, Associativas, ou Turísticas.
Foi assim então, que em 30 de Agosto de 2001, no Cartório Notarial de Boticas, foi constituído o Clube de Tiro, Caça e Pesca do Vale do Rabaçal, publicado no D.R. III Série, nr. 248, 2º. Suplemento de 25/10/2001, com o objectivo de criar urgentemente junto da Direcção Geral das Florestas, a Zona de Caça Municipal do Vale do Rabaçal (ZCM), que veio a ser aprovada através do Processo nr.3210 – DGRF, publicado na Portaria 1317-D/2002, de 03 de Outubro, integrando inicialmente terrenos das freguesias de Santa Valha, Barreiros e Tinhela e, mais tarde, Agosto de 2005, pela Portaria nr. 762/2005, de 31 de Agosto, I Série B, terrenos da freguesia de Nozelos, ficando assim a ZCM, com 4.862 hectares de actividade cinegética ordenada. Quem liderou nessa data o processo da constituição do nosso Clube de Caça foram: Manuel Augusto da Silva Barreira (Dr.) e Jorge Manuel Mata Pires(Engº.).
Lembramos aqui alguns bons caçadores de outros tempos: Manuel Maria Pereira (Vilareal); José Joaquim Rôlo (avô paterno do Agenor, Fernando, Lilo, entre outros; José Contins, mais conhecido por “Zé Caxinhas”; Amadeu Moreiras (Pedreiro); Francisco Rôlo (Xico Rôlo) e Filipe do Nascimento (Palheiras).
Em Dezembro 2010, destes seis afamados caçadores da nossa terra, cuja maioria infelizmente já não se encontra entre nós, só, Francisco Rôlo, com o seus 80 anos de idade, é que ainda vai dando uns tiros, e matando uma ou outra peça de caça.
A primeira arma de caça na freguesia, sem ser de carregar pela boca, ou de precursão com cães, chamada nessa época de “arma mocha”, pertenceu, no início da década de 50 do século XX, ao mais “afamado” caçador de outros tempos da nossa aldeia, o melhor dos melhores, como ainda muitos o consideram, chamado de José Joaquim Rôlo (Zé Rôlo), falecido em 30/11/1961 com 61 anos de idade, e que morou no Bairro do Pontão. Essa arma de caça, era de canos paralelos (justapostos), de calibre 12, e tinha a marca Augusto-Francote. A segunda arma do mesmo género vista na nossa aldeia, pertenceu a Amândio Lopes, ex-Presidente da Junta de Freguesia, que a trouxe de África, no início da década de 60. As armas de canos sobrepostos, só começaram a aparecer na nossa freguesia, em meados da década de 70.
Disseram-nos, que foi um seu tio, de Pardelinha, chamado de Manuel J. Rôlo, muito rico, que residia no Porto, que a comprou, e que lha ofereceu, e que nunca lhe faltava material com abundância para carregar as suas armas (polvorimento) e cartuchos já carregados de fábrica, que eram na altura muito escassos e novidade só para ricos, material oferecido pela sua irmã, que morava também no Porto e pessoa de posses.
Contaram-nos também, que esse afamado caçador, quando ia à caça, e que não matava um cinto cheio de perdizes, não era considerado por ele, um bom dia de caça, e que tinha sempre bons cães, quer perdigueiros, quer de coelhos, e até um perdigão, que por vezes levava para o monte numa gaiola de madeira, para servir de chamariz.
Era habitual até à década de 1960, alguns caçadores, usarem perdigões nos montes como chamarizes de caça, se bem de já proibidos pelo Estado nessa época, para chamar a um certo e determinado lugar as perdizes, atirando-lhes um tiro para as matar sem qualquer dificuldade.
Também nos contaram, que há muitos anos atrás, antes da década de 40, houve dois caçadores, Mariano da Mata, e ainda, Manuel Maria Pereira, este último, mais conhecido por “Ti Vilareal”, que morava no bairro dos Ciprestes, pai do sogro de Victor Neves e Adriano da Mata, que também praticava esse método para caçar perdizes. Contaram-nos ainda, que as perdizes por si caçadas, antes de serem cozinhadas, eram penduradas pelo bico numa trave da adega ou cozinha, lugar mais fresco da casa, sem a (única) tripa, que era extraída do interior do animal, com uma ou duas penas das asas apertadas por nó. Quando as perdizes penduradas se despegassem/separassem do pescoço em relação ao restante corpo, é que estariam com o paladar ideal para serem cozinhadas e comidas.
Já tinha-mos ouvido falar desse método, a várias pessoas, incluindo alguns caçadores mais antigos, que também o faziam. Também nos coelhos, como não havia luz eléctrica, nem frigoríficos na época para os conservar, tiravam as tripas aos animais e enchiam esse espaço com ervas aromáticas (mato) do campo, conhecido por “bentrastos”, e penduravam-nos em lugares da casa mais frescos.
Havia sempre bastantes mais caçadores de coelhos do que perdizes, atendendo às fracas armas de caça que existiam na altura, à forma como se caçava e, acima de tudo, ao tal “polvorimento”, para carregar as armas, que o valor da jeira de trabalho recebido (quando havia) pela maior parte deles, não chegava para alimentar o lar, quanto mais para o comprar.
Santa Valha, Site/01-03-2011
Última actualização: Fevº. de 2012