

Coisas e Gentes da Nossa Terra
Comércio, Indústria e Serviços:
Comércios, Tavernas e Cafés:
O último Comércio e Taverna “misto” da nossa terra a funcionar, pertenceu a Victor Teixeira Neves, mas já com o filho Rui à frente do negócio. Encerrou em 1987, para demolição das instalações, tendo em vista a abertura de um café no imediato e mais tarde habitação.
Sempre existiram, neste último século, bastantes comércios, quer mistos, com lugar de taverna, quer só de negócio de comércio a retalho, e a grande maioria existiram no Br. dos Ciprestes, tendo chegado mesmo a haver um no cimo do bairro, no baixo da casa do falecido Fernando de Castro, (pai do Luís, António, Zé ….) e ainda no mesmo local, um talho (Açougue) de Amadeu Moreiras (Pedreiro).
Também no cimo do bairro do Sobreiró, mais concretamente junto ao largo e no rés-do-chão de uma casa dos herdeiros de Laudemira Conceição Cunha (Cagigal), mesmo em frente à casa de Gilberto Cardoso, existiu, por volta de 1925, um comércio taverna, pertencente a Antero Cagigal, avô materno do Lilo. Às pequenas tavernas, o povo chamava-lhe chamar-lhe “tasco.”
Últimos Comércios/Tavernas: Adelino Alves, herdado do sogro Francisco Santos (Xico V(b)olante); Adelaide Astorga; António Teixeira e Victor Teixeira Neves. Também duas funerárias incorporadas no comércio, de Arnaldo Augusto Domingues (Augusto Simão) e Adelaide Astorga; pensamos terem abandonado este negócio no final da década de 1960, ou início de 1970. Nesse tempo, os caixões eram forrados e embelezados pelos próprios comerciantes e as grinaldas de flores de plástico, eram alugadas nos funerais à unidade.
Como ainda não havia luz eléctrica na altura, para refrescar as bebidas (laranjadas Flávia e o vinho servido ao copo), quase todas essas tabernas, tinham, por baixo do balcão, um mini poço, de aproximadamente um metro de profundidade e com areia molhada de água da fonte. Os primeiros frigoríficos a electricidade (conhecidos por geleiras) na aldeia foram os das tavernas de António Teixeira e Victor Teixeira Neves, adquiridos após o aparecimento da luz (1967), e primeiro particular também a electricidade, foi o da casa da (falecida) Laudemira Cunha (Cagigal), no Br. do Sobreiró, em 1968. Anteriormente houve um a funcionar a petróleo, que pertenceu a Amândio Lopes.
O primeiro Mini-mercado e Café contíguo abriu as portas por volta de 1973/1974. Pertenceu aos irmãos, Domingos e Fernando Mosca Pires. Mais tarde, Adelino Melo Alves, também instalou mercearia e café. Seguiu-se José Maria Maia Gaspar, no baixo de Stª. Maria Madalena, na casa do Tio Manuel Augusto, perto do cemitério; posteriormente essa casa e actividade comercial, nomeadamente café, foi de Manuel Augusto, José Ribeiro e Manuel Contins. Nesse espaço, aberto e explorado por José Maria (de Abril de 1978 a Novembro de 1980), existiu café , salão de jogos e discoteca, tudo de forma legal; a discoteca funcionava aos sábados com música de aparelhagem e em alguns domingos chegou a contratar bandas de música (conjuntos) que normalmente vinham de chaves, a maior parte delas constituídas por amigos com quem tinha estudado. Rui Pereira Neves, que anteriormente teve negócio de comércio e taverna, vindo já do tempo de seu pai, abriu a actividade de café e salão de jogos em Dezembro de 1988. O café, e, mais tarde, pequena mercearia contígua de Fernando Alves, perto da igreja, encerraram na década de 90. O último café a abrir portas, final da década de 90, foi de Fernando Barreira, no largo das Adufas.
Por volta de 1955, chegou a existir no Bairro dos Ciprestes, mais propriamente no largo do Largar/Prensa do Azeite, numa dependência, da agora casa da família do falecido Sr. Arnaldo Domingues, um estabelecimento comercial, conhecido nessa época por “Café”. Esse espaço comercial, pertenceu anteriormente a Manuel Fontoura, conhecido também por “Manuel Broxas”, que veio passado pouco tempo, a trespassar a Francisco Barreira, conhecido também por “Chico da Elsa”, com a filha Natália à frente do negócio.
Nessa casa de bebidas, iluminada ainda por candeias ou candeeiros a petróleo ou azeite, o Café, era feito ao lume numa chocolateira de barro ou pote de ferro, e a música para os bailaricos, era tocada por grafonola a corda, com discos em vinil, de setenta e oito e quarenta e cinco datações. Muitos anos mais tarde apareceram os discos em vinil mais pequenos de trinta e três rotações, mas já para gira-discos a pilhas e a luz eléctrica.
Também, num pequeno espaço dessa mesma casa, ainda hoje conhecido por algumas pessoas por “escritório”, mesmo em frente à porta principal do Lagar do Azeite, chegou a funcionar até ao início do século XX (1915/1920 ?), um Posto de Conservatória de Registo Civil, para registo de nascimentos, óbitos, e casamentos das pessoas da nossa freguesia e outras vizinhas. As pessoas encarregues do acto, pensamos com alguma remuneração do Estado, eram os próprios donos da casa, família dos Videiras, na altura conhecidos como “ Ajudantes do Registo Civil ”. (Nota: ler facto referido na íntegra noutro espaço.)
Moagem de Farinhas:
Ficava na rua dos Ciprestes do mesmo bairro. Iniciou a actividade por volta de 1960. Era movida por um motor a gasóleo marca “Lister”. Pertenceu inicialmente a Manuel Fernandes, também conhecido na altura por Manuel “Peste”, e posteriormente ao Professor Carolino Augusto Afonso. Fechou a actividade no início da década de 1970. Nessas instalações ainda se chegaram a realizar, para além de alguns bailes domingueiros, várias actividades culturais, tais como, teatro e circo. Ainda há quem se lembre da peça teatral “ Amor de Perdição”. Mais tarde, chegou a ser habitação no primeiro andar.
Moinhos (de Rodízio) e Açudes:
O moinho movido a água, foi criado há mais de dois mil anos, e ao ser difundido pela Europa durante a Idade Média, provocou uma verdadeira revolução industrial.
No nosso ribeiro do Calvo e outras ribeiras da freguesia, chegaram a existir mais de uma dúzia de moinhos de moer cereais nomeadamente centeio e milho, e muitos mais açudes, que não só os faziam mover, como serviam também de regadio. Durante muitos séculos, moeram e foram e foram espaços com muitas recordações. Trata-se de um património cultural onde o nome e a sua história já está a ser perpetuado e que deveria ser preservado, não só pelas entidades públicas, como também pelas particulares ligadas ao sector do turismo. Infelizmente, a grande maioria, já está, ou ao abandono, ou ainda em ruínas associados ao furto de peças e pedras que compunham o património.
Os moinhos e açudes mais importantes de que nos recordamos foram três e quatro. Dois deles perto das Casas abandonadas do Calvo, denominados por moinho do Marcelo, moinho do Francisco Barreira, conhecido por “Xico da Elsa” e cunhado, onde muitos anos trabalhou e viveu com a esposa e filhos (início década de 1960) o falecido Alberto Santos, também conhecido por Alberto Moleiro, e um outro, de maior referência, mais abaixo, junto à ponte da estrada, pertencente aos falecidos Jaime Nogueira e esposa Palmira da Graça Costa, esta, conhecida na freguesia por Palmira “Moleira”, falecida em 25/12/2008.
Na pedra da padieira da porta deste último moinho, encontram-se algumas datas gravadas na pedra, como o ano de 1893 e, por baixo deste, em numeração romana, o ano de MDCCLXXX (1780). Nas superfícies frontais das ombreiras estão gravadas, à esquerda, uma pequena cruz e, na da direita, uma cruz, o ano de 1867 ou 1861 e, abaixo deste, de um ou outro lado de outra cruz, o ano de 16+38 (18+38?).
Esta última família acima referenciada tinha os aposentos da habitação dividida com o moinho e uma pequena casa quase contíguos, incluindo forno de cozer e outras divisões para os animais domésticos etc., mesmo junto à ponte, a uns escassos metros do moinho. Foi lá que criaram os seus filhos até à idade adulta, tendo sido uma família muito trabalhadora, humilde, honesta, respeitada, e de que toda a gente gostava. Dado o falecimento do marido, a Srª. Palmira, passados um ou dois anos (1968/1970?), abandonou a habitação e o moinho ,e passou a residir na aldeia.
Do moinho, apesar da enorme degradação, ainda é possível ver algumas coisas importantes, como os três cubos da entrada da água, a imponência das três caldeiras e restante estrutura. O telhado já não existe, bem assim como algumas outras importantes peças. Relativamente à casa de habitação e dependências, já não há qualquer vestígios, em virtude da demolição por volta de 1997, quando da última intervenção do alargamento da estrada e do tabuleiro da ponte.
As “Maquias” que normalmente eram cobradas pelos moleiros eram as seguintes: 1 kg. Por cada alqueire (12 kgs.). O cereal e a farinha depois de moída, eram transportados pelo moleiro num burro, de, e para casa dos fregueses.
Informaram-nos, que o último moinho a moer cereais foi o do Marcelo, pensamos até finais da década de 1970 ou princípio de 1980. Também as açudes, denominadas por Açude da Moleira e, mais abaixo, açude do Barrosão, serviram até ao início da década de 1980 de banheira e piscina de manutenção ao pessoal da aldeia. Nessa época o ribeiro do calvo nunca secava e era muito abundante em peixes, nomeadamente de escalos, dos melhores da nossa região. Em frente à descarga da água que saía para o rodízio de mover as mós (pedras) existiam sempre bons cardumes de escalos, tendo em conta que na corrente havia aí sempre que comer, particularmente restos de farinha e até alguns grãos que caíam do interior do moinho para a água.
Algumas peças do moinho: Cubo; Seteira com fecho; Rodízio com penas; Pela ou vela; Espigão ou aguilhão; Rela, Zorra ou urreiro; Alavanda da agulha ou aliviadouro; Pejadouro; Lobete; Veio Metálico; Buchas; Segurelhas. Agora do moinho propriamente dito ( rés-do-chão): Plantaforma de alvernaria com cerca 80 cm de altura; Mós; Dois Cambados ou Cambeiros ( um de cada lado da mó andadeira);Moega,;Caleira ou quelha; Chamadouro; Tremonhado; Alavanca da agulha ou aleviadouro; Comando do pejadouro e Regulador da moagem. Utensílios existentes nos moinhos: Martelo; Pá pequena de madeira para apanhar a farinha; Picos para picar as mós; Sachola; Tranca afiada na ponta para movimentar o aliviadouro; Tranca forte para levantara mó andadeira para ser picada e Vassoura pequena.
Nota: As peças e utensílios que aqui referimos foram colhidos junto do Site: ( http://moselos.no.sapo.pt/moinhos.htm#moinhos ). Quem estiver interessado em identificar melhor estas peças e saber o seu significado e funcionamento, aconselhamos a visita a este espaço na Net, da localidade de Moselos.
Adivinha do Moinho:
Mastigo, mas não engulo,
Ando e não venço caminho,
Sustento os meus, quando bulo,
Dentro do meu pobre ninho.
Fornos e Padarias:
Os Fornos Comunitários de cozer o pão, não eram de ninguém, mas eram de todos. Que se conste, nunca chegou a existir na nossa aldeia, nenhum forno comunitário. Havia sim, vários fornos de casas particulares, que funcionavam, a maioria, só para consumo próprio, e alguns, também para a população, mas com contra-partida (é claro!), de algum pagamento, que normalmente era em pães de centeio cozidos, conhecidas, na altura, por “maquias”, em que um pão de centeio tinha de peso oito “arrates” e meio pão (bolo), tinha quatro “arrates”.
Fornos artesanais particulares que funcionaram até meados da década de 1970: Br. Sobreiró: Claudina Cardoso (Ribeiro) (conhecido por forno da Tia Maria Vicência), Alfredo Santos e esposa Otília, e ainda, os de Laudemira Cunha (Cagigal) e Gualdino Nogueira; Pontão: Helena Lobo; Isabel lampaça; Benjamim Picamilho (conhecido por forno da Tia Patrocina); Bairro de Stª. Mª. Madalena: Cândido dos Santos e dos Emilios; Br. dos Ciprestes: Raul Videira, Dª. Margarida e Casa dos Ciprestes; Br. Igreja: João “Pedrinho” e Casa Paroquial, e, por último, o da casa do Moinho da Ponte do Calvo de Palmira Costa, que também cozia para vender na aldeia, ou quem passasse na estrada.
Como a grande maioria das pessoas não tinham lenha para acender e aquecer o forno, as pessoas iam para os montes, mais propriamente para os lados do Castelo, Monte – cerdeira, Semuro ou Ermitão e Avessada, arranjar molhos de lenha, transportados para casa normalmente à cabeça ou às costas.
Alfredo Santos, padeiro de profissão, que também era proprietário de um comércio/taverna, vendido em 1964 a Victor Neves (agora Café do Rui), chegou a ter até essa data um depósito de venda de pão nesse local.
No povoado do Calvo, chegou a existir um forno de cozer comunitário, e nas casas da Coitada, ou Coutada, um forno e um moinho, conhecido pelo moinho do “Cego da Coitada”, estes, só para consumo próprio. A Quinta da Teixogueira, que foi noutros tempos, quinta de Morgados, também tinha forno de cozer particular.
O método de fabrico do pão alterou-se drasticamente e o pão actual não possui o mesmo gosto de outros tempos, uma vez que o tempo de fermentação diminuiu, com consequente perda de aromas. A fermentação ocorre, principalmente, no segundo tempo, produzindo um pão mais volumoso mas de fraca densidade que, em poucas horas, fica duro. No método de fabrico antigo, a massa (velha/dia anterior) do fermento (levedura) era de fabrico tradicional/artesanal, e o pão ficava muito mais saboroso, e de melhor conservação. Também a farinha produzida nos moinhos movidos a água, era bastante mais espessa, do que a de agora, moída nas indústrias das movas tecnologias.
Por volta de 1976 ou 1977, Alfredo Santos, também conhecido por Alfredo “Padeiro”, por já ter exercido essa profissão, acabado de regressar de Angola, onde esteve emigrado, construiu a primeira padaria, localizada na rua que liga a estrada que vai para Sonim, à rua da Freixa. Esta indústria de panificação veio a encerrar alguns anos após o seu falecimento, por volta do final do ano de 1999 ou início de 2000, mas já gerida pela sua companheira, Berta Fernandes, e filhas: Julieta e Ermelinda Fernandes Barrosão. No início da década de 1990, os irmãos, Paulino e Altamiro Vergueira, constroem uma nova indústria “ Nova Padaria Stª. Valha”, que ainda hoje (2010) se conserva, mas já só com o Sr. Paulino e mulher, como proprietários.
Oração (espécie de ritual), de outros tempos e que se conserva ainda hoje no processo de fabrico do pão e do folar artesanais na nossa terra. Depois de amassado é posto a levedar (em lençóis de linho), dividido em porções e faz-se uma cruz, com a mão dizendo:
São Vicente de acrescente,
São Mamede te levede,
São João te faça pão,
Pela graça de Deus e da Virgem Maria,
Padre-nosso e Avé-Maria.
A pessoa encarregada de meter o pão ao forno, faz com a pá três cruzes na porta daquele e dizendo:
Cresça o pão no forno,
E os bens p´lo mundo todo,
Paz e saúde a seu dono.
Pela graça de Deus e da Virgem Maria,
Padre-nosso e Avé-Maria.
Obs: Normalmente é sempre a mesma pessoa no forno a rezar estas duas orações. Também há quem as reze de uma só vez, quando o pão se acaba de amaçar, ou seja: antes de levedar.
Serradores/Madeireiros e Carpintaria: Em 1940 a nossa região foi fustigada por um grande ciclone, que, para além de destruir muitos bens, derrubou também inúmeras árvores de madeira, nomeadamente pinheiros e amieiros. Atendendo a esse facto, apareceram nesse ano na nossa aldeia os primeiros serradores de madeiras, como foram, por exemplo, Manuel Maia e Deolindo Sousa, vindos da região do Minho. Mais tarde os filhos também coadjuvaram esse trabalho. Quer o corte das árvores, quer as madeiras serradas nos montes, era ainda e somente feito pelo sistema (artesanal) manual. Recordamo-nos ainda de uma estrutura em madeira que faziam nos montes para suportar os enormes troncos de árvores a fim de serem serrados “ a serrador”, chamava-se a essa estrutura parecida como um cavalete, “ de burra”. Para fazer o corte certo das tábuas, existia um fio onde era mergulhado num pó de cor azulado.
O tronco do tão falado enorme e soberbo pinheiro que existiu na “curva do pinheiro grande”, situado na estrada para Pardelinha a norte do antigo pombal e bem perto do depósito da água, foi serrado por Manuel Maia natural do concelho de Amarante (pai de Eduardo Maia, entre outros), talvez coadjuvado pelo conterrâneo da mesma região minhota, Deolindo Sousa “ Deolindo Serrador”. Dado o anormal porte da árvore, a gente de então dizia que ele não o conseguia serrar. ”Ver Link-Lendas, se bem que não foi uma lenda mas sim uma realidade”.
Na nossa terra houve uma família que se destacou na arte da carpintaria e de tornear a madeira. Foi a família Mata, conhecida também pelos “Xamorros”. Os maiores especialistas eram António José da Mata e o filho António Augusto da Mata, avô e pai de Adriano e de António Garcia da Mata, também primos dos Matas e dos Moreiras “Pedreiros” (Ricardo, José, Marina, Filomena e “Periquitos”,etc.) e ainda o sobrinho Mariano da Mata. Esta família de carpinteiros era muito grande, onde todos eles sabiam tornear a madeira.
Entre as últimas décadas do século XIX e as primeiras do século XX, essa família de carpinteiros e/ou marceneiros, chefiada por António José da Mata, eram também bons artífices em serviços de arte sacra, que entre outros serviços, ajudaram a construir ou reconstruir, a Igreja de Vilartão, e também a construir e reconstruir várias obras da nossa igreja matriz, como, por exemplo: a cruz em madeira que se encontra por cima do arco, entre os Altares do Sagrado Coração de Jesus e da Senhora do Rosário. Ainda é visível a assinatura desse carpinteiro esculpida em algumas obras da igreja. A carpintaria e a arte sacra da Capela da Quinta da Teixogueira, foi feita por essa família que atrás referimos.
Só por volta do final da década de 1960, é que apareceu a primeira máquina de serrar e aparelhar madeira, pertenceu a António Patrocínio Teixeira, “ António Arrobas”, como é vulgarmente conhecido entre nós.
Até 1968, todos os carpinteiros/marceneiros da nossa aldeia trabalhavam ainda no sistema artesanal, ou seja, sem ajuda de alguma maquinaria eléctrica. Referimos aqui alguns deles: O “Ti 79”; Mariano da Mata, António Augusto da Mata; Benjamim Picamilho; Amador Augusto; Aniceto Picamilho e António Patrocínio Teixeira (Arrobas) e Filhos.
Em 1968 António Patrocínio Teixeira, que tinha regressado da ex - Colónia de Moçambique, abriu uma pequena carpintaria e serração de madeiras, num pequeno armazém em frente ao cemitério. Como já havia chegado a electricidade no ano anterior, comprou então a primeira máquina de aparelhar madeira e uma outra de serrar. A carpintaria já não se encontra neste local, mas sim no Bairro da Maceira ou Maçaira, desde 1977.
As primeiras Moto-serras de cortar madeira, chegaram a St. Valha, por volta de 1970. Pertenceram aos Senhores: Manuel Nascimento Barreira, António Patrocínio Teixeira e Gilberto Simão Castro Domingues.
O primeiro “Rachador” de lenha, de fuso, movido a tractor, pertenceu a Gilberto Simão Castro Domingues, por volta de 1976/1977.
Sapateiros e Sóqueiros: Na década de 1950, havia os seguintes profissionais: Sapateiros: Francisco “ Boica” e Zé Cavalheiro. Sóqueiros: Agostinho do Calvo, Zé da Deolinda, Rafael do Calvo e Augusto Ervões. Hoje (2010), só temos um profissional a trabalhar na arte de sapateiro, Fernando Martins Rôlo, mas só nos tempos livres, por não existir trabalho que justifique a tempo inteiro.
Alfaiates e Costureiras: Dada a densidade populacional da nossa freguesia, existiram sempre Alfaiates e Costureiras. Recordamos aqui alguns destes, a partir da década de 1950:
Lafaiette Alves; Manuel Guedes; Manuel Alfaiate e sobrinho António; Armindo Picamilho; Fernando Farias; Fernando Mosca Pires “Nascimenta” e Toninho Carneiro. O último a exercer a profissão foi Fernando “Mascimenta”, na década de 1980. O costureiro Fernando Farias, ainda hoje (2010) conserva uma prestigiada alfaiataria na zona de Lisboa.
Atendendo à fama de bons alfaiates, passaram por cá também vários aprendizes de outras freguesias do concelho, como: João Pimenta, Marta etc.
Modista: Maria Augusta Ribeiro – Costureiras: Laudemira Conceição Cunha (Cagigal) e suas filhas: Carlota e Benvinda Cunha Cagigal; Judite de Castro; Laurinda Alves Nogueira; Lucinda Cardoso; Irene Gonçalves; Fernanda Pereira Neves; Deolinda Atanázio e Helena Barrosão. Desta profissão, hoje (2010) só resta a trabalhar na arte Helena Barrosão.
Barbearias e Barbeiros: Nas décadas de 1940, 1950 e 1960, chegaram a existir na nossa terra, meia dúzia de barbeiros. Recordamos os nomes de alguns destes: José Maria Cagigal, que emigrou para o Brasil no início da década de 1950; Manuel dos Santos; José “Arrobas”; Manuel e Teófilo Mairos, e os irmãos, João, Toninho e Arménio Vieira. Em finais da década de 1980, só já trabalhavam na arte, Arménio Vieira e Manuel Mairos. Hoje (2010), na aldeia, só existe um jovem que vai cortando uns cabelos, particularmente a alguns familiares e amigos, Fernando Martins Rôlo, fruto da modernidade de agora, e da facilidade de deslocação à sede de concelho.
Até finais da década de 1970, o pagamento da avença ao barbeiro pelo seu trabalho anual, não era feito em dinheiro, mas sim em géneros, como, por exemplo cereal (centeio). Dependia sempre da quantidade de pessoas da casa a cortar o cabelo ou barba, mas nunca excedia um ou dois alqueires. Eram, nesse época, muito poucas as famílias com posses para pagarem em dinheiro e mesmo o justo valor pelo trabalho ao longo do ano, já que nesse tempo, cada casa, tinha em média, três ou quatro homens (pai e filhos).
Ferreiros (Forjas), Serralharias e Ferradores:
Em Santa Valha chegaram a existir quatro Ferreiros: António Morais, conhecido também por António “Pedro”, Amândio Morais, conhecido por Amândio Ferreiro, José Cagigal, e os Irmãos Chelas. António Morais teve a primeira “Forja”, como vulgarmente eram conhecidas, no Bairro do Pontão, numas instalações da afalecida Helena Lobo, perto do largo principal, e a segundas e últimas, numas instalações revestidas a madeira anexas de sua casa, situadas na agora casa de habitação de sua filha e genro Fernando Alves. Por motivos da idade um pouco já avançada e por falta de seguidores, encerrou a actividade no início da década de 1970. O segundo, Amândio Morais, teve a sua “Forja” instalada num baixo da rua que dá acesso ao Bairro dos Ciprestes, agora casa de Domingos Serafim Mosca Pires. Deixou a actividade nos primeiros anos da década de 1960, por ter emigrado para os Estados Unidos da América.
José Cagigal, (visa-avô materno do Lilo), teve, até 1930, a forja no Bairro dos Ciprestes, mais concretamente no lugar onde agora onde se encontra a casa de habitação de Henrique Araújo, em frente à casa de Lucinda Cardoso. Mais tarde, essa forja veio a pertencer aos irmãos Chelas, António e Manuel Chelas. Dada a habilidade desses irmãos, já se faziam nessa indústria, alguns trabalhos de serralharia e outros concertos.
Eram as serralharias de outros tempos, mas indústrias de elevada importância para a freguesia, onde a moderna electricidade, era substituída pelos braços humanos, com muita força, para malhar no ferro em cima da bigorna e “bufar”, com o enorme fole para acender e aquecer a forja. Ambos já falecidos.
Serralharia Civil: A primeira e única existente até hoje (2010), abriu portas em 1979 e pertence a Fernando Araújo (vindo da cidade do Cartaxo), no rés-do-chão da casa de Armando Tender. Em 1985, transferiu as instalações para a Casa da Padaria, na rua que liga a estrada à Freixa, e em 1999, para o rés-do-chão da sua actual casa de habitação.
Os únicos ferradores que existiram na nossa aldeia até hoje (2010) foram José Joaquim Teixeira e o filho Sousa, sogro e (primeiro) marido de Maria Cândida Contins, numa casa à entrada da aldeia na Avª. Principal, actualmente em ruínas. O pai exerceu a profissão até por volta de finais da década de 1940. O filho, menos habilidoso na arte, até meados da década de 50.
Peixaria:
Na década de 1980, existiu um comércio de venda a retalho de peixe, situado no largo do Bairro do Pontão, mas concretamente, no rés-do-chão de uma casa de habitação, que pertenceu aos Herdeiros de José Joaquim Rôlo. A proprietária do negócio foi sua neta, Manuela Rôlo, que agora se encontra a residir em Espanha.
Por volta de 1968 ou 1969, Fernando Farias, alfaiate de profissão e Cunhado Antenor, tiveram uma sociedade de venda de peixe ambulante, mas não durou mais que um, ou dois anos. A alfaiataria e a banca da venda do peixe, era na casa de Fernando Farias, agora casa de habitação do falecido Sr. Lino na Avª. Principal, contíguo à ex-farmácia.
A furgoneta da venda ambulante do peixe, foi também muito útil nesse tempo, nomeadamente para transporte do pessoal aos domingos e feriados de dia Santo, para algumas festas e bailaricos de rua de aldeias vizinhas, tendo em conta que nesse tempo se contavam pelos dedos de uma mão os meios de transporte locais. Normalmente o meio de transporte da maioria para as festas, e vice-versa, era a pé.
Indústria de Mármores e Granitos:
A primeira e única indústria de transformação de mármores e granitos da nossa aldeia, fundada em Julho de 1994, continua a ser do conterrâneo Manuel Joaquim Dias. Regressou de França nessa data como emigrante e num anexo da sua casa de habitação, montou as primeiras máquinas de corte e transformação. Atendendo ao aumento do volume de negócios, no ano de 1999, construiu as novas e actuais instalações, no Bairro da Maçaira.
Farmácia :
Inicialmente (13/03/1989) abriu como Posto de Farmácia, da Farmácia Paula de Valpaços, nas instalações do rés-do-chão da Sede da Junta de Freguesia. Em 31/10/2003, por força da Lei em vigor, este Posto de Vendas teve que encerrar. Na semana anterior ao fecho abriu ao público a farmácia, em instalações próprias, situadas na Avª. Principal, em nome de outro proprietário – Farmácia Almeida Sousa -. Encerrou em finais de Junho de 2009, para se transferir definitivamente para Valpaços.
Santa Valha/ Site: 01-03-2011
Última actualização: Fevº. de 2012