MEMÓRIAS E DATAS QUE MARCARAM VÁRIOS ACONTECIMENTOS NA NOSSA TERRA

 

Coisas e Gentes da Nossa Terra

ASSUNTOS RELIGIOSOS:

Memórias Paroquiais de 1758 e outros registos do “lugar” e Freguesia de Santa Valha :

No manuscrito de 1758 do padre Domingos Gonçalves, pároco de Santa Valha, (Aldeias do Concelho de Valpaços nos meados do século XVIII por freguesias – Santa Valha), consta, entre outras memórias, o seguinte:

O lugar de Santa Valha, mais propriamente a sua “Abadia”, pertenceu, entre outras e durante mais de cinco séculos ao termo (Vila) de Monforte de Rio Livre, pelo Foral “Novo” reformulado por D. Manuel I, atribuído na vila de Santarém em 01 de Junho de 1510, conforme consta no próprio documento – Forais - arquivado na (DGRQ) Direcção – Geral de Arquivos na Torre do Tombo em Lisboa.

Os 598 forais antigos reformulados de todo o país foram todos atribuídos por D. Manuel I, entre 1497 e 1520.

Havia anteriormente um foral de (04 de Setembro) 1273 recebido de D. Afonso III, que compunham o seu termo e limites que se mantiveram no novo.

 

“Este tal lugar fica na Província de Trás-os-Montes, Bispado de Miranda, Comarca de Torre de Moncorvo, Termo da Vila de Monforte, Freguesia de Santa Eulália. É d’el Rei, Nosso Senhor, ao presente e sempre o foi.

Tem tal lugar, cento e quinze vizinhos e trezentas e noventa pessoas.”

 

Não tem termo seu, pois está sujeito ao termo da Vila de Monforte e dista desta duas léguas (Nota: nessa data,  a Sede da Vila já era em Lebução e não no Castelo de Monforte).

Não tem juiz ordinário nem câmara e, por esta razão, está sujeita ao juiz ordinário e câmara da Vila de Monforte.

 

Dista, o dito lugar, de Miranda do Douro, cidade capital, dezasseis léguas, e de Lisboa oitenta léguas.

 

Não padeceu ruína alguma no terramoto [de 1755].

 

O pároco é abade, apresenta-o o Padroado e tem de renda, com a patriarcal, um conto [1 000 000 de réis].

 

O “Orago” é Santa Eulália que está no Altar-mor. Tem quatro Altares, o mor e dois colaterais, um da parte da entrada ,de Nossa Senhora do Rosário, e outra da parte do Meio-dia, à direita, do mártir São Sebastião e uma capela ao lado esquerdo, do Santo Cristo com uma escada para o corpo da igreja, administrada por Jerónimo de Morais Castro, Morgado da Teixugueira. Há mais duas capelas dentro do povo, uma defronte da matriz, de São Miguel, e outra de Santa Maria Madalena, no bairro da Madalena, administradas as duas com as esmolas da vizinhança. Tem mais outra, de Santo António, no bairro assim chamado, que administra esta o Morgado António José de Morais Castro. E tem duas Irmandades, uma das Almas e outra de Nossa Senhora do Rosário.

O pároco é abade, apresenta-o o Padroado e tem de renda, com a patriarcal, um conto [1 000 000 de réis].

As ermidas ou capelas são três, dentro do lugar, de que já falei. A elas não acode nunca gente em romagem senão, por acaso, alguma vez.

 

Não há nesta terra outras coisas notáveis de que se possa dar conta. É muito pouco o tempo para se fazer como deve.

 

Observação do Site:

1)      Ouvimos dizer, que os “Manuscritos” existentes de todas as aldeias de Portugal de há 250 anos atrás, acima referidos, foram mandados fazer aos Padres das Paróquias/Abadias, por ordem do governo do primeiro ministro de então, Marquês de Pombal, em virtude dos que existiam, terem sido destruídos pelo terramoto de 1777 em Lisboa. Estes manuscritos encontra-se actualmente nos arquivos da Torre do Tombo em Lisboa (DGRQ – Direcção - Geral de Arquivos – Memórias Paroquiais).

2)      Santa Olaia ou Eulália, junto ao Crasto, é o local onde tudo indica ter nascido Santa Valha.
O nome de "Santa Valha", poderá, em tempos remotos, ter tido origem ou derivado de Santa Ovaia. Já quanto ao nome da freguesia, nos documentos/manuscritos de que tivemos conhecimento recentemente ( Janº.2012), consta, que em 1655, se chamava: lugar de Santa Valha da "Freguesia de Santa Olaia" e, em 1758, se chamava: lugar de Santa Valha da "Freguesia de Santa Eulália"; Santa Eulália que é Padroeira/Orago da nossa freguesia.

3)      Quem estiver interessado em ler parte destes manuscritos/documentos, poderá fazê-lo no espaço do nosso Site: Link- Freguesia.

 

 

 

Aproveitamos para deixar aqui mais algumas notas historiográficas referentes à evolução do concelho de Valpaços:

Foi por Decreto de 6 de Novembro de 1836 emanado do ministério setembrista de Manuel da Silva Passos (Passos Manuel), que a então pequena localidade de Valpaços se viu elevada a sede de concelho da freguesia com o mesmo nome, com a designação de freguesia de Santa Maria de Valpaços, integrando, apenas, as localidades anexas de Lagoas, Valverde e Vale de Casas. Por ser o concelho tão modesto, dificilmente se poderia, àquela data, antever-se os sucessos que o destino lhe reservava ainda.

 

……..Após um novo código administrativo promulgado pelo mesmo Ministro em 31 de Dezembro desse mesmo ano de 1836, código esse que se inspirava nas reformas que já haviam sido preconizadas por Mouzinho da Silveira e apontadas no mesmo sentido democrático e descentralizador da administração pública, abriram-se claras perspectivas para um futuro engrandecimento da história do municipalismo valpacense. Com efeito, logo em 27 de Setembro de 1837, por carta de lei, eram integradas no concelho de Valpaços as freguesias de Alhariz, Ervões, Friões, Lilela, Possacos, Rio Torto Sanfins, Vassal e Vilarandelo, que pertenciam ao termo de Chaves. Dezasseis anos depois, o Decreto de 31 de Dezembro de 1853 extinguia os concelhos e comarcas de Carrazedo de Montenegro e Monforte de Rio Livre, e determinava a transferência das freguesias dos respectivos termos, no todo e em parte, respectivamente, para o concelho de Valpaços. De Monforte passaram para Valpaços as freguesias de Alvarelhos, Barreiros, Bouçoais, Fiães (inicialmente integrada no concelho de Chaves e passada ao de Valpaços a 24 de Outubro de 1855), Fornos do Pinhal, Nozelos, Santa Valha, Sonim, Tinhela e Lebução, sendo de notar que era a localidade de Lebução que, desde 1836 assumia a categoria de sede do concelho de Monforte do Rio Livre, ainda que prevalecesse esta designação. Do concelho de Carrazedo de Montenegro passaram ao de Valpaços, além da própria sede, agora extinta, as freguesias de Água Revés, Argeriz, Canaveses, Padrela e Tazém, Sanfins, Santa Maria de Émeres, São João de Corveira, São Pedro de Veiga do Lila, Serapicos, Jou, Curros e Vales. Em 1896 Jou, Curros e Vales foram anexadas a Murça, em resultado de uma jogada política do candidato regenerador à eleição pelo círculo de Alijó, Teixeira de Sousa, mas dois anos depois, sob o governo do Partido Progressista de Luciano de Castro, as duas últimas freguesias são reintegradas no concelho de Valpaços.

Com tão vasto termo municipal, Valpaços foi elevado à categoria de Vila, com o nome de Valpassos, por Decreto Real de D. Pedro V, datado de 27 de Março de 1861. Finalmente, no dia 13 de Maio de 1999 foi a Vila elevada à categoria de Cidade.

(Autor: Câmara Municipal de Valpaços – 06-11-2010.)

 

Capela de “Santa Maria Madalena”:

Esta Capela é tão antiga, quanto a história da nossa aldeia de Santa valha.

Época “provável” de construção: 1555, data da pintura dos frescos da Capela-mor e altar do lado do Evangelho, mas também poderá datar-se, quem sabe, do princípio da fundação da nacionalidade portuguesa (1143), dada a sua humilde arquitectura e característica de construção primitiva e pré-românica. É provável também que poderá ter sido ampliada para servir de igreja, antes da existência da actual Igreja Matriz.

Tudo leva a querer ter sido a primeira construção/edificação da actual nossa aldeia.

No seu interior existem três imagens de madeira: a da Capela-mor é de Santa Maria Madalena, a do Altar lateral esquerdo, é de Nossa Senhora de Belém (com menino ao colo), e a do lado direito, é Santa Isabel (com as suas rosas), Rainha de Portugal.

Tanto o interior, como o adro, serviram de cemitério público, até à construção do novo e actual cemitério. No interior, junto à (pequena) porta lateral, existem duas pedras de grande porte que pensamos tratarem-se de duas sepulturas de duas pessoas importantes. Uma delas, poderá ser do (tal) Capelão Luís ……….(?),  referenciado nas letras escritas no painel dos frescos do Altar-Mor.

Antigamente, mais propriamente até ao início da década de 1970, era normal, algumas pessoas, à noite, fazerem a “Encomendação das Almas”, quer perto desta Capela, quer também no adro da nossa Igreja. (ver Sub-Link. Memórias).

Disseram-nos algumas pessoas mais idosas, que no tempo do Senhor Padre João dos Santos Ferreira (falecido em 1962), Padre João, como vulgarmente era conhecido, era normal as pessoas da aldeia pedirem ao Pároco algumas “Encomendações às Almas”, e outras preces ,entre elas, quando havia pragas de insectos ou outra bicharada nas culturas que era necessário eliminar, tendo em conta que na altura, ainda não haver insecticidas, bem assim como outras situações anormais que se passavam na aldeia. Também quando havia muita chuva seguida ou outras intempéries, ou havia muita seca. Pediam ao Padre João que fizesse uma procissão de fé com a ajuda da graça de Deus e de Santa Maria Madalena, onde a imagem da Santa era transportada aos ombros para a Igreja, o que ele sempre normalmente acedia. Quando os factos e o tempo voltassem ao normal, a imagem da Santa, regressava à Capela.

Últimas obras de melhoramento e conservação:

1982 e 1983, substituição da telha e pintura, e ainda, alteração dos muros junto ao caminho e da entrada da adro e portão. Em Setembro de 1984, uma equipa de oito pessoas vinda de Lisboa, do Instituto José Figueiredo, especialistas em conservação e restauro de Museus e de Igrejas, pôs à vista os dois painéis da pintura dos frescos existentes na Capela-mor e Altar, datadas de 1555, que estavam totalmente cobertas por pintura (tinta) de cal e por trás de um muito antigo altar de madeira, provavelmente primitivo.

Estas pinturas “murais” eram desconhecidas de todos nós. Foram três jovens que residiam junto à Capela, as irmãs: Maria José (Zé) e João Barrosão, e outra amiga, Julieta Vieira (Leta) que as descobriram pouco tempo antes, num dia de limpeza e arranjo do Altar.

Quanto ao Altar da Capela-mor de madeira, anteriormente referido, disseram-nos, que foi nessa data arrancado, por já se encontrar muito danificado, mas também e sobretudo, para dar lugar às pinturas recentemente descobertas. Disseram-nos ainda, que toda a sua estrutura foi colocada no adro, e que uma pessoa casada na terra, passado muito pouco tempo, juntou todas as tábuas possíveis e a levou para Espanha.

Em 2003, foi colocado o actual sino, adquirido em Braga por 1.200 €, em virtude da pequena sineta existente ter sido transferida para o campanário da Igreja Matriz para ajudar o relógio desta a dar horas. O Sino actual foi comprado por Sezinando Váz , coadjuvado por Alberto Silva, que se prontificaram a custear toda a despesa, incluindo as várias deslocações que fizeram a Braga, mas a Câmara Municipal e a Junta de Freguesia vieram a subsidiar com 1.000 € e 200 €, respectivamente. Disseram-nos algumas pessoas,   que sempre se constou na aldeia, que o sino primitivo da Capela foi roubado há muitos anos atrás.

Por volta de 2006, foi colocada uma porta nova, denominada porta principal (grande), oferecida na totalidade (750 ou 780 €), por Sezinando Váz.

Nos anos de 2008 a 2010: conservação interior e exterior, substituição completa de toda a estrutura do telhado e porta lateral pequena, e ainda, substituição da escadaria da entrada do adro para pedra rústica, voltando às origens, mas não regressando ao mesmo local, perto de duas enormes oliveiras que existiam na curva do adro e que davam anualmente à paróquia, várias sacas de azeitona. Também o chão interior da Capela, que tinha sido há uns anos atrás indevidamente revestido com areia e cimento, voltou às origens primitivas. Também há quem afirme, que sempre ouviu dizer, que as paredes interiores e até exteriores eram inicialmente revestidas a barro e pintadas com cal. Estas últimas obras foram orientadas pelos Senhores Padres: Alberto da Eira, pároco da nossa freguesia, e João Parente. Este último (arqueólogo?), especialista da igreja em obras de conservação religiosas.

Com todas estas últimas obras, temos a certeza, que a Santa ficou mais orgulhosa.

Em Maio de 2009, num concurso final levado a cabo através da Internet - “Blog - Noticias de Valpaços” -, com um período de votação de três meses, para eleger as “7 Maravilhas do Concelho de Valpaços”, entre as melhores 20 a concurso, já pré-selecionadas, por votação que terminou em 16 de Fevereiro, a nossa Capela de Stª. Maria Madalena, teve o privilégio de ser eleita em primeiro lugar na classificação final, com 35% do votos. A nossa Igreja Matriz, também pré-selecionada, ficou classificada em 6º. Lugar, com 20% dos votos.

Para essa eleição, não só contribuiu o nosso Site (www.santavalha.com), como mensageiro da notícia no espaço “Notícias Breves”, como também os Santavalhenses, residentes, e não residentes, e ainda outros votantes que conhecem bem este património, e reconhecem o valor desta “maravilha” histórica religiosa.

Tendo em conta que a imagem de Santa Maria Madalena já está bastante danificada por fazer sempre parte da procissão da festa anual de São Caetano e de outras que se fizeram anteriormente em honra de outros Santos, em Julho de 2011, foi mandado fazer, no Porto, uma réplica desta imagem. O majestoso andor de Santa Maria Madalena da festa de São Caetano do dia 07 de Agosto de 2011 já erguia então a nova e também bonita imagem. A iniciativa de a mandar fazer partiu da Santavalhense, Maria Raquel de Barros Alves, que contribuiu com o patrocínio de 90% do custo total de 370 euros. Uma excelente iniciativa desta cidadã da terra.

Igreja Matriz:

Construção/Fundação de 1657 (Século XVII).

Últimas obras de melhoramento e conservação que nos recordamos: 1961/1962; 1980/1981; 1984; 1992/93 e 2006. Ouvimos dizer, que por volta do início do século XX (1900/1920?), a capelinha do Santo Cristo, mandada edificar em 1722 por Jerónimo de Morais Castro, Morgado da Teixogueira, sofreu obras de reconstrução ou melhoramento (?), e que o pedreiro desses trabalhos foi Joaquim dos Reis Moreiras, natural de Chaves, especialista na arte de trabalhar a pedra, vindo a casar e a residir em Santa Valha. Por volta de 1940, num dia de tempestade/ciclone, uma das duas pirâmides de pedra escavada que se encontra no telhado (retaguarda exterior esquerdo), caiu e partiu-se. Essa pirâmide esteve algumas décadas partida no chão do exterior, encostada à parede da igreja/capela. Desde o dia que caiu, nunca mais lá foi colocada nenhuma igual, o que é lamentável…. .

Consta-se que a primeira Igreja, “de pequenas dimensões”, existiu muito antes, localizava-se a sul da aldeia, no sítio de Santa Olaia, propriedade agrícola conhecida por “Casal”, onde ainda existem alguns vestígios de sepulturas e de culto religioso dessa época, ou muito perto desse local (?). Também se consta, que alguns bens teriam sido transferidos para a actual Igreja e, que uma mulher, que se chamava “Gatinha ou Ribeirinha”, por promessa, transportou sozinha e numa giga à cabeça, toda a telha da cobertura. A imagem de Santa Eulália “de Mérida,” Padroeira de Santa Valha, que se encontra no Altar-mor da Igreja, e o sino “menor” que está no campanário, único das redondezas nessa época, poderão por ventura ter vindo de lá!?!?

O interior e o adro chegaram a servir de cemitério público até à construção do novo e actual cemitério. Em todo o chão interior são bem visíveis as pedras das sepulturas dessa época. Por volta do início da década de 1980, aquando de abertura de uma vala para obras de melhoramento na igreja e no adro, mais propriamente na margem direita da parte traseira da igreja e capela do Altar do Santo Cristo, (junto ao caminho), foi possível observar ainda várias ossadas de corpos aí enterrados.

Em 1984, uma equipa constituída por oito pessoas do “Instituto José Figueiredo” de Lisboa, especialistas em conservação e restauro de Museus e de Igrejas, esteve vários dias a trabalhar na limpeza e conservação de todos os altares, particularmente nos dourados. Pena foi que os dois quadros de madeira pintados a óleo que se encontram por cima dos altares de Nª. Senhora do Rosário e Sagrado Coração de Jesus, que representam as imagens de São João Evangelista e Nª. Senhora do Desterro, respectivamente, talvez datados do século XVIII, não tivessem também sido restaurados (mas no local…).

Em 1992 ou 1993, aproveitando o momento das obras de restauração e conservação em toda a igreja, o altar em madeira da imagem de Nossa Senhora de Fátima, foi substituído pela mísula/consola actual, em virtude de já se encontrar bastante danificado e necessitar de trabalhos de recuperação. Esse altar foi mandado fazer e oferecido pelo marido da Senhora Claudina Cardoso, também conhecida por Claudina Ribeiro do bairro do Sobreiró.

Passado  algum tempo,  esse altar, foi restaurado na sua totalidade e colocado na Capela de Nossa Srª, de Fátima, inaugurada em 13 de Maio de 1988.

Também em 1992 ou 1993, todo o coro foi restaurado por já estar bastante danificado. Nessa mesma fase das obras de melhoramento e conservação, foi alterado o acesso da praça à igreja junto ao portão principal de ferro. Ainda nas mesmas obras, foi arrancado todo o soalho/sobrado de madeira do chão do interior da igreja por já estar bastante danificado, ficando à vista, desde essa data, o actual de capas de pedra, que estão a capear antigas sepulturas. Este facto era desconhecido por todo o povo, tendo em conta que só sabiam  da existência de um cemitério antigo no (exterior) adro.

Existia até 1980 ou 1981, no chão, logo à entrada do portão, um patamar com uma vala e uma grade de ferro, seguindo-se de imediato um ou dois degraus em pedra e uma rampa em terra bastante desnivelada para o adro e porta principal. Essa grade de ferro dificultava bastante a entrada das senhoras, nomeadamente as que calçavam sapatos com tacos mais finos.

Na nossa igreja, existiu até finais da década de 60 ou meados de 70, pendurado no tecto e perto do altar do Sagrado Coração de Jesus, um enorme candeeiro/candelabro, a quem o povo dava o nome de “Lustre”. Esse candeeiro com cerca de um metro de largura e todo ele em cristal, servia para iluminar toda a igreja através de velas de cera, em dias de celebração nocturna. Para o levantar e baixar, tinha uma corda e uma roldana. Ninguém se recorda onde se encontra esse vistoso e valioso candelabro.

Disseram-nos algumas pessoas mais idosas, entre elas duas ainda actuais zeladoras da igreja, que esse candeeiro/candelabro (lustre) caiu do tecto  e ficou estragado, ainda que com fácil reparação, mas nunca mais foi visto desde o tempo dos padres: José Ribeirinha Machado da paróquia de Vilarandelo ou António Branco, abade da nossa paróquia. Como também somos curiosos, perguntamos: Se foi esse o motivo! onde se encontra ele danificado para uma possível reparação! Certamente não criou asas e voou (!?). Todavia perto do altar de Nossa Senhora do Rosário, existiu nessa época, pendurado no tecto, um lampadário  que iluminava com vela de cera ou azeite(?) e que para o levantar ou baixar era por intermédio de um fio com uma roldana. 

O actual pároco, Alberto Eira, que substituiu o padre António Branco, confirmou-nos pessoalmente, que quando chegou à paróquia (Agosto de 1977) nunca o viu na igreja nem nos aposentos da casa paroquial (abadia), nem nunca teve conhecimento da existência desse candeeiro “lustre”. Acrescentaram também essas pessoas, que não só o candeeiro desapareceu nesse tempo, como também vários outros objectos do espólio da igreja e da casa paroquial, como, por exemplo, a imagem de São Vicente, vendida pelo padre José Ribeirinha não se sabe a quem, mas que o pai de Artur Feijão o viu nas mãos de um homem na praça juntamente com o padre, não tendo nesse momento desconfiado do acto. O mesmo aconteceu também nesses tempos idos, com um valioso quadro pintado a óleo que desapareceu da Capela de São Miguel.

Também ninguém saber dizer o que foi feito às grades/gradeamento em madeira grossa torneadas de cor escura (preta?) que dividiam a entrada principal e pia baptismal, com o restante  corpo principal da igreja, assim como também aos gradeamentos em madeira grossa torneada da mesma cor que dividiam o corpo da igreja destinado aos paroquianos com o corpo do Altar-mor, e a grade que dividia a capelinha do Santo Cristo. Só sabem, que foram retirados no tempo dos mesmos padres, em meados ou finais da década de 1960. Onde pára também uma das quatro lanternas (em chapa e com cabo de suporte) muito antigas da nossa igreja que se utilizavam nos funerais. Ouvimos dizer que alguém a viu, há alguns anos atrás, na igreja matriz de Vilarandelo, mas que posteriormente também lá deixou de se ver.

Em meados da década de 80 (1985 ou 86 ?) foi adquirido, pela Comissão de Festas em honra de São Caetano, o relógio de dar horas que está colocado na fachada principal, por baixo do campanário, instalado no local (arredondado) de um antigo respiro. Esse relógio custou a essa Comissão o valor de 52 ou 53 mil escudos (265 €). Os comissários eram, entre outros: Manuel Barrosão, José(Zé) Domingues, Jaime e Fernando Alves e Vicente Domingues.

 Ouvimos dizer a uma conterrânea nossa,  Maria Raquel Barros Alves, que numa visita a Óbidos, perto do castelo, visitou uma igreja com o Altar-mor rigorosamente igual ao da nossa igreja.

O primeiro Padre desta igreja foi Nuno Álvares, natural da Vila de Azambuja, Abade do Padroado - Real da Abadia de St. Valha. Foi ele que a mandou edificar. Encontra-se sepultado no túmulo que está no interior da Igreja, ao lado ao Altar-mor.

Ainda sobre o túmulo deste Padre, contaram-nos o seguinte: Que o pai do Senhor Manuel António Alves, mais conhecido por Manuel da Freixa, visa - avô materno do Dr. Agostinho Alves Nogueira, entre outros, que viveu até por volta de finais do século IX (1880?), contava, nessa época, que este túmulo tinha sido aberto bastante tempo antes, e que, quando o abriram, as pessoas ficaram estupefactas ao verem o cadáver do padre totalmente intacto, visto já ter falecido há mais de um século atrás, facto anormal que veio provocar enorme surpresa e admiração a toda a gente que o viu e que soube.

Acontece, porém, que alguém mexeu nele e de imediato o corpo desfez-se parcialmente. Perante o triste acontecimento e manifesto descontentamento popular, logo correu a notícia em toda a freguesia e vizinhas, de que o Padre era Santo, e que se não tivessem mexido no cadáver, daria porventura para colocar uma tampa de vidro por cima do túmulo, a notícia se espalharia com certeza, e iria, acima de tudo, dar muito rendimento à paróquia.

Na fachada principal da Igreja, por cima da padieira da porta, existe um pequeno símbolo em azulejo colado na parede, composto por uma imagem e uma oração à Virgem Maria, as cinco quinas do escudo nacional, e a referência à data de 1940. Essa data, diz respeito ao aniversário comemorativo dos 300 anos da Restauração da Independência de Portugal em relação a Espanha, que ocorreu em 1640, e que abaixo explicamos:

“Em Portugal, o dia de Nossa Senhora da Conceição (Imaculada Conceição) é comemorado a 8 de Dezembro, feriado nacional. A 25 de Março do ano de 1646, D. João IV fez uma cerimónia solene, em Vila Viçosa, para agradecer a Nossa Senhora a Restauração da Independência de Portugal em relação a Espanha. Dirigiu-se à igreja de Nossa Senhora da Conceição, que declarou Padroeira e Rainha de Portugal. A partir dessa data, mais nenhum rei português usou coroa na cabeça, por se considerar que só a Virgem tinha esse direito. Nos quadros onde aparecem reis ou rainhas, a coroa está pousada ao lado, sobre uma mesa, num tamborete ou almofada de cetim - (Wikipédia)”.

Em todas as igrejas matrizes de Portugal foi colado nesse ano esta referência aniversaria (1940), mas infelizmente já muitas o não conservam, por negligência, ou desconhecimento de quem a retirou ou destruiu.

Em 15 de Junho de 2008 (domingo), a nossa igreja e a comunidade Santavalhense, teve o prazer e privilégio de receber na missa dominical o prestigiado Grupo Coral do Banco Millenniumbcp (BCP) de Lisboa. Este Grupo Coral foi convidado pelo Senhor Felisberto da Mata para participar no dia anterior, nas Festividades Comemorativas em Honra de Camões, de Portugal e das Comunidades Lusíadas, por si organizadas no salão da Junta de Freguesia. Os cânticos da missa dominical foram de elevadíssima qualidade e muito bem interpretados por esse Grupo Coral de elevado prestígio nacional e mesmo internacional, composto por cerca de quarenta homens e mulheres funcionários desse Banco.

O Decreto-lei Nº.45/93, publicado no Diário da república nr.280 – Série 1-B, de 30 de Novembro de 1993,  classificou a nossa Igreja Matriz, como “Imóvel de Interesse Público” (IPP) - classificada no anexo II desse diploma -.

Capela de São Miguel:

Capela de São Miguel, também chamada entre nós de São Caetano. Foi reedificada de novo e na totalidade em 1697, com esmolas de devotos de São Caetano “ de Thiene”, a maioria provavelmente de peregrinos que passavam por Santa Valha a caminho de Santiago de Compostela, obra essa, sob orientação do Padre/Abade da Paróquia de então, Martin Velho Barreto, pároco da freguesia, desde o início da década de 1690, sepultado no interior da Capela. Consta-se que a capela anterior era de inferiores dimensões e que tinha anexa uma casa.

“Martin Velho Barreto, natural de Monção - como atesta a inscrição da lápide da sua sepultura na capela-mor da igreja de Santa Valha -, foi durante o século XVII pároco de Santa Valha, de Fornos do Pinhal e provavelmente da Bouça. Há também inscrições desse padre gravadas no arco cruzeiro da igreja de Fornos do Pinhal. Pode aí ler-se que o arco e o tecto da capela-mor da igreja foram mandados fazer (à sua custa? Por Martins Velho Barreto, na era de 1682.  Consta-se também que esse padre também mandou construir a igreja da Bouça. Por aí se pode concluir e imaginar a grandeza desse homem e a sua obra (não apenas material, decerto) por estas terras. A nossa homenagem, com o sentimento e a certeza de que há uma história por descobrir e escrever. Martins Velho Barreto: eis um nome praticamente desconhecido na (quase) totalidade dos habitantes do nosso concelho. No entanto, o nome dum homem grande na história deste concelho de Valpaços; um nome que devia ficar escrito, gravado com letras de ouro. (Fonte: Jorge Fernandes 31/01/2011- Blogue  http://saocousasdavida.blogspot.com) “

No interior da Capela de São Miguel, para além da imagem de São Miguel, que lhe dá o nome, encontram-se também no altar duas imagens de São Caetano, conhecidas pelo nosso povo, da seguinte forma: São Caetano “Velho” e, São Caetano “Novo”.

Contaram-nos algumas pessoas mais idosas, que ouviram dizer, que a imagem “nova” foi comprada na década de 1950, por uma comissão de festas presidida por Benjamim Picamilho e/ou Lafaiette Alves, para não virem a danificar mais a imagem mais antiga, aquando da colocação no andor para a procissão da festa. Também nos disseram, que a imagem “nova” poderia ter sido comprada por essa tal comissão, em virtude da imagem mais antiga, ter sido enviada, nesse ano, para restauro.

Na sacristia desta capela, existiu até finais da década de 60 ou meados de 70, um valioso quadro pintado a óleo e uma cruz, que representavam as “Almas no Purgatório”. Dessas duas peças representativas do tema, ninguém mais se recorda de ver uma delas, o (valioso) quadro, desde o tempo dos padres de então: José Ribeirinha Machado da paróquia de Vilarandelo ou António Branco, abade de Santa Valha. Será que a exemplo do candeeiro/candelabro da nossa igreja, também criou asas e voou….. É caso para dizer: mistério!? Igual facto aconteceu nesse período com o desaparecimento de vários objectos de arte sacra pertencentes à nossa igreja matriz, nomeadamente, entre outros, um também (muito) valioso candelabro/candeeiro, todo ele em cristal, conhecido nesse tempo por “Lustre”, que tinha caído do tecto.

Todavia, outra dúvida nos surgiu e que ninguém nos conseguiu esclarecer: foi a falta do sino no campanário por cima da sacristia. Contudo e apesar do lugar cavado nas pedras laterais onde assenta a estrutura/cabeçalho de madeira que sustenta e faz movimentar o sino lá existir, ninguém se recorda de o ver no campanário/torre sineira, nem mesmo os mais idosos se recordam também de ouvir falar dele.

Na nossa aldeia, as festividades em honra de São Caetano “de Thiene”, não se costumam realizar a 07 de Agosto, dia comemorativo deste Santo, mas sim, no segundo domingo desse mesmo mês. Apesar, da Capela, pertencer a São Miguel “Arcanjo”, não se consta na aldeia, que tivesse havido, até à data de hoje, quaisquer festa religiosa ou profana em honra deste Santo, que a igreja católica comemora a 29 de Setembro, ou até mesmo em honra da padroeira (Orago) de Santa Valha, Santa Eulália “de Mérida, Virgem e Mártir”, que se comemora a 12 de Fevereiro.

Obras de melhoramento e conservação: 1984 e 2006.

Nota: A capela de São Caetano mais próxima fica situada no concelho de Chaves, mais propriamente na freguesia de Ervededo, local onde também se costuma realizar uma grande romaria. Trata-se de uma capela muito antiga, com data de construção indeterminada.

 

Capelinha do “Senhor da Boa Morte” (Cruzeiro):

Teve origem num cruzeiro existente mais abaixo, situado no cruzamento do caminho do Br. dos Ciprestes , com as agora estradas de Vilarandelo/Fornos do Pinhal.

Este cruzeiro foi transferido para o local onde agora se encontra, (antiga propriedade dos “Xamorros” do Br. dos Ciprestes cortada pela estrada, mais tarde tornada pública),  por volta de 1932 ou 1933, ou seja, um ano antes do rompimento da Estrada Nacional (EN), e que foi nessa altura edificada a Capelinha, a mando por uma devota da terra, com bastantes posses, Dª. Josefa Carlota Lopes, também conhecida na aldeia por “ Dª. Zefa Russa”, que foi tia da Dª. Marina Lopes de Morais Soares, do Br. dos Ciprestes. O pedreiro que o transferiu e que fez a capelinha foi Joaquim dos Reis Moreiras, (avô do Toninho “Periquito”, Ricardo e Zé Moreiras, entre outros), especialista na arte de trabalhar a pedra.

Contaram-nos também algumas pessoas mais idosas, que as falecidas, Dª. Marquinhas, (mãe da falecida Maria Cândida Costa que morava junto à Igreja), e a Dª. Glória Augusta da Mata, antiga empregada da também falecida Dª. Albertina Cunha, mais conhecida por Dª. Tute, e tia dos irmãos: Ana, João, Fernanda e Helena da Mata Barrosão, entre outros, chegaram também a contribuir nessa data, por promessa, com trinta escudos (0,15€) cada uma, mas só para a construção do telhado. Todo o resto foi a cargo da Dª. “Zefa Russa”.

Em 1967 ou 1968, foi substituída a cobertura inicial de zinco, por telha cerâmica. Desconhecemos se essas obras foram mandadas executar por alguém com promessa religiosa, peditório popular, ou outro. Quem executou esse trabalho foi António Patrocínio Teixeira e João Mota/Mata Barrosão, e quem lhes fez o pagamento foram Maria Cândida Costa e Bernardina Rosa, vulgarmente conhecida por Rosa “Cega”, por falta de vista, ambas já falecidas.

Esta Capelinha do Senhor da Boa Morte, voltou a ter obras de melhoramento em 2006, nomeadamente: conservação, limpeza e pintura das paredes, e colocação de novo telhado (madeira e telha) e, um ano mais tarde, foi melhorado o espaço envolvente e construída a escadaria frontal de acesso; todos estes trabalhos a cargo da Junta de Freguesia.

Após 1962, quando o Padre José Ribeirinha Machado era pároco da nossa paróquia, após o falecimento do Padre João, era costume fazer-se a festa anual do Corpo de Deus, junto a esta Capela. Houve anos em que a Banda Musical de Vilarandelo marcou presença.

Também até princípio da década de 1970, todos os anos em 13 de Maio, após a missa da noite em honra da Nª. Srª. de Fátima, a procissão das velas, saia da Igreja, pela estrada, e o terço era concluído nesta Capelinha.

 

Alminhas do Jardim:

Lembramo-nos delas em cima da parede do adro da Igreja, perto do agora cruzeiro e do antigo coreto da banda da música. Mais tarde, final da década de 1970, foram transferidas para a parede da casa paroquial (Abadia), mais propriamente no lugar da curva das Adufas, ao lado da pedra esculpida datada de 1692. No início da década de 2000, voltaram a ser transferidas, e muito bem, pela Junta de Freguesia, para este bonito local ajardinado da Avª. Principal, mas com a autorização superior do (nosso) Padre Alberto da Eira.

A pedra onde a capelinha das Alinhas presentemente assenta, ou que está a servir de base, serviu anteriormente como peça de suporte de um fuso de madeira de uma antiga e artesanal prensa de um lagar de vinho, instalado na casa de Celestino Domingues, vulgarmente conhecido por Néné, casa agora de Hilário Cardoso.

Foi o falecido Néné que a vendeu à Junta de Freguesia no tempo da Presidência de Manuel Guedes, mas foi só na Presidência de Jorge Castro que ela foi retirada da casa e utilizada para esse fim.

Atendendo a que azulejos originais da imagem das Alminhas estavam já bastante degradados, a Junta tirou-lhe uma fotografia e mandou fazer os actuais, rigorosamente iguais, a uma casa da especialidade.

 

Capela de Nª. Senhora de Fátima:

Inauguração: 13 de Maio de 1988. Construção da Junta de Freguesia, constituída pelos seguintes elementos: Presidente: Manuel Guedes; Secretário: Augusto Fontoura Ribeiro e Tesoureiro: Hilário Cardoso. Estiveram presentes, várias entidades públicas e religiosas.

A iniciativa desta construção foi do Senhor Manuel Guedes, que num período menos bom do seu estado de saúde e, a devoção a Nossa Senhora de Fátima, o levaram a esta brilhante ideia. Esta obra foi feita com dinheiros públicos e particulares.

O altar que está nesta Capela havia sido retirado há pouco tempo atrás da Igreja por já se encontrar bastante danificado, e que serviu de altar da imagem da Nossa Srª. de Fátima, foi restaurado, se bem que já não na sua totalidade, visto algumas (poucas) peças, com a idade, já estarem bastante danificadas.

Todos os anos, na noite de 13 de Maio e após terminar a missa, a procissão das velas, sai da igreja com a imagem de Nsª. Senhora de Fátima, em direcção a esta Capela e,  no percurso, os cristãos/devotos e o Senhor Padre,  rezam o tradicional  terço, finalizado neste local, com a Canção do Adeus a Nsª. Senhora.

(Nota: ver fotos da inauguração no Link: Junta de Freguesia “ Inaugurações”.)

 

Cruzeiros:

Existem bastantes cruzeiros, espalhados pelos vários bairros da aldeia, e ainda um outro, no caminho agrícola que serve Vale-bemfeito, onde foi, na década de 1990, colocada na pedra da cruz, uma imagem de Jesus Cristo, por um conterrâneo já falecido, Agostinho Fernandes, avô materno do Miguel Neves, que possuía uma propriedade agrícola muito perto. Mas há três que já não se encontram no mesmo local onde foram inicialmente colocados, ou seja: o da Praça, ao lado direito da Igreja matriz, construído em 1697, que se encontrava até à década de 1960, no agora jardim, muito perto da cabina da luz eléctrica e de uma, ou duas, oliveiras aí existentes. Outro, também perto da praça, na travessa da rua que liga ao Br. dos Ciprestes, junto á casa de Armindo Parauta. Este agora, encontra-se, desde meados da década de 1990, encostado à parede do lado direito da Capela de S. Miguel. Ainda, e por último, o que está no início da rua da escola, que liga o Br. do Pontão e que se situava anteriormente na curva das Adufas, mais propriamente na esquina que liga a rua o Br. do Sobreiró, com a dos Ciprestes, transferido no início da década de 1980, quando da construção do armazém de Mariano Domingues.

 

Cemitério Público:

Construído em 1903 por um pedreiro chamado Joaquim Reis Moreiras, (avô paterno de Ricardo, Marina, Filomena e José Moreiras).

A ampliação deu-se em 2001, a cargo da Junta de Freguesia presidida por Jorge Castro. Anteriormente, pelo que se sabe e, pelos vestígios ainda existentes, o primeiro Cemitério Público existiu no lugar de Santa Olaia (Eulália ?), numa propriedade conhecida entre nós pelo “Casal do Barrosão”,  pertencente a João Manuel da Mata Barrosão (ex-Regedor), agora da sua filha Fernanda, e genro, Hilário Cardoso.

Contou em 1983 o falecido Sr. José Domingues, já na posse de 80 anos de idade, mais conhecido por “Emílio Sarrá”, morador no Br. dos Ciprestes, que ouviu contar ao seu avô o seguinte: aquando da plantação da vinha inicial, por um tal “ Zé da Avó” há século e meio atrás, que cultivava na altura o casal, genro de Manuel António da Mata Barrosão, foram destruídas várias sepulturas intactas, ossadas de cadáveres e outros vestígios, assim como foram encontrados vários objectos em ouro.

Outra pessoa, a falecida senhora Clemência Gonçalves, que residia na rua dos Ciprestes do mesmo bairro, e que em 1983 também já contava a bonita soma de 78 anos, disse, (a quem nos contou), que na sua juventude,  ouviu falar, de que o falecido  Manuel António Mata Barrosão, pai do ex-Regedor João Barrosão e avô paterno de, entre outros, de Ana, Helena e Fernanda Barrosão,  chegou a destruir uma sepultura, conhecida por sarcófago, maior do que o existente à superfície, para repor/plantar nesse local videiras (bacêlo) e até, de alguns factos anormais acontecidos nesse local, presenciados por quem andava a abrir os valados ou “buracos” para a plantação inicial da vinha.

Acrescentou ainda que, de pequena, presenciou, juntamente com seu pai Germano num dia que vinham do trabalho do campo de uma propriedade próxima, o (velho) Manuel António Mata Barrosão, a cultivar e plantar videiras e atirou para o caminho público, duas caveiras ainda em bom estado de conservação, uma, devia ser de pessoa idosa, e outra, pelo aspecto, deveria ser de pessoa nova, dado o aspecto dentário e ainda de boa conservação, e que seu pai, agarrou nelas, e atirou-as novamente para dentro das paredes de onde vieram.

Também a Capela de Santa Maria Madalena e a Igreja Matriz, serviram de cemitério público. Na Capela eram sepultados: os ricos no interior, e os pobres no adro.

Depois da construção da Igreja, já se sepultavam os ricos na igreja, interior e adro, e os pobres, continuavam a ser sepultados no adro da Capela. Isto aconteceu durante largos anos, até à construção do actual cemitério em 1903.

 

Casa Paroquia (Abadia)

Tudo indica que foi o Padre/Abade da paróquia de então Martin Velho Barreto quem a mandou construir em 1692 e que serviria também para acolher os pobres e peregrinos. A sua construção deu-se cinco anos antes da reconstrução total da Capela de São Miguel.

Reconstrução, (de que nos recordamos), por já em ruínas, em finais da década de 1960, para residência paroquial do Padre da Paróquia António Branco. Mais tarde, décadas de 1980 e 1990, sofreu também algumas pequenas obras de conservação, ainda residência do Sr. Padre Alberto da Eira.

Hoje já não é possível ver parte da habitação, como, por exemplo, a enorme cozinha no rés-do-chão, a divisão da antiga escola primária, que ficava quase por cima dela (ver link. Escolas) situada mesmo na curva das Adufas, a uns escassos cinco ou seis metros da casa onde hoje se encontra o café Barreira, e ainda os enormes anexos da casa paroquial, tanto do lado esquerdo, como do lado direito do pátio. A maior parte deles, constituídos por adega, aposentos dos peregrinos e pobres, forno de cozer, alpendres, cavalariças, estábulos e armazéns contíguos de recolha de produtos e outros bens agrícolas, que estavam situados na agora Avenida, Sede da Junta de Freguesia e parte do agora jardim, a uns escassos metros do muro do quintal da casa de João Pedrinho e esposa Alice. A casa em frente, do falecido Dr. Luís Lopes, agora de Raquel Barros Alves, chegou a servir também de cavalariça dos peregrinos a caminho de Santiago de Compostela e, mais tarde, de comércio a retalho de miudezas de uma pessoa chamada por Salvador, que pensamos ter sido (antigo) familiar da falecida Srª. Maria Cândida(?). Tinha a porta de acesso virada para a igreja.

A imponente entrada principal da Abadia, com cerca de quatro metros de altura e pouco mais  de dois de largura, toda construída em granito, ficava situada no agora jardim, mais propriamente perto do lugar onde existe o actual moinho do azeite. A maioria do povo ainda se recorda da existência de uma cruz e dois pilares/pirâmides e outras pedras, todas elas construídas em granito trabalhado/escavado, que existiam por cima dessa entrada. Porém, nem memo os mais idosos, sabe dizer, qual o destino a que foi dado a parte dessas pedras da entrada e, particularmente, aos três símbolos e respectivas bases, retirados do local, quando da demolição da parede e dessa entrada, motivado pelo incêndio da última divisão dos aposentos (antigo espaço de teatro), que tinha acontecido em 1962 ou 1963. Todavia, vimos algumas (poucas) pedras das ombreiras dessa antiga entrada, nas laterais da agora porta de entrada do pátio da Abadia.

Todos estes trabalhos de demolição da foram da responsabilidade do padre José Ribeirinha Machado da paróquia de Vilarandelo, que a essa data (1963/1964) rezava missa em Santa Valha por falta de Abade - (outro mistério!? -). (ver essas imagens no Link: fotos antigas). Esse aposento/armazém danificado e toda a parede que ligava a entrada foram retirados, para dar lugar a uma nova parede em granito bastante mais baixa, vindo a aumentar substancialmente o espaço da praça.

A pedra com a inscrição esculpida de 1692, que se encontra presentemente na curva das Adufas, mais concretamente no muro da Abadia, em frente ao Café Barreira, estava anteriormente a servir de padieira na porta de um aposento denominado “aposento dos pobres” junto à cozinha da casa paroquial, lugar esse, situado sensivelmente no mesmo local onde se encontra agora. Tradução da inscrição esculpida: “Sempre tereis pobres convosco - Martim Velho Barreto – Abade neste lugar dedica a Deus esta casa – Pobres Peregrinos – 1692 “. De certeza absoluta, que a cozinha da casa paroquial (abadia), foi um local onde “matou” a fome a muitos pobres e se serviu uma sopa (malga de caldo) a quem necessitava, aquando da passagem de peregrinos por St. Valha, a caminho de Santiago de Compostela, um dos Santuários mais importantes da Europa e do mundo. Nessa época, ainda não se tinha dado o milagre de Fátima, que só veio a acontecer a 13 de Maio de 1917, data da primeira das três aparições da Virgem Maria aos Pastorinhos.

Santa Valha localizava-se na rota do caminho de Santiago de Compostela da época românica. Há pessoas da nossa terra que já ouviram falar, que o nome de “Santa Valha” está inscrito/esculpido algures, na catedral/igreja de Santiago de Compostela. Não temos a certeza que essa inscrição exista, mas se sim, seria porventura o reconhecimento de algum ou de alguns peregrinos desse tempo, que passaram por cá, e que teriam sido bem acolhidos na nossa Abadia Paroquial.

Por volta de 1962 ou 1963, deflagrou durante a noite um grande incêndio,  que veio a  consumir toda a última divisão (armazém), situada muito perto da Capela de São Miguel, local esse onde era costume realizar algumas acções culturas da época, como, por exemplo, peças de teatro apresentadas por pessoas das nossa aldeia. Esse incêndio foi provocado por um cigarro mal apagado de um pobre, que pernoitou nesse local.

Numa das divisões de um dos dois armazéns ficava a Adega e o Celeiro, que serviam para guardar/armazenar a côngrua, vinho e cereal (centeio, milho, etc), que os paroquianos pagavam ao pároco anualmente para a sua sustentação, pois nesse época (+-) até finais da década de 1970 ou início de 80, poucos eram os que lhe pagavam em dinheiro.

Consta-se que até ao século XIX, as casas vizinhas (quarteirão) de: João “Pedrinho” e esposa Alice, Aglai Moura, e de Fernando Alves, pertenceram todas à (Abadia) casa Paroquial, sem bem que na maioria delas a arquitectura inicial já foi alterada.

No centro do pátio, existe um lagar cavado na rocha, com a superfície de (+-) 2mx2m, que se consta ter sido um lagar de fazer o vinho, parecido com alguns que existem nos montes da nossa aldeia, de origem castreja ou romana. Esse lagar foi soterrado no final da década de 1970 ou início de 1980, aquando do arranjo/nivelamento do pavimento do pátio, por parte da Comissão de Festas.

As (duas) propriedades agrícolas e pinhal, delimitados a norte do regato contíguo, que se prolongam até à estrada para Pardelinha, agora pertencentes a Agostinho Parauta e família herdeira de Cândido dos Santos, e ainda outras parcelas mas distantes, como alguns lameiros, terras de cultivo, etc.,  pertenceram  à Casa Paroquial, outrora conhecida por Abadia. Existe mesmo um lameiro no lugar das Lages, perto da Eira que lhe dá o mesmo nome, agora propriedade dos herdeiros de Albino dos Santos, vulgarmente conhecido por “Carrazedo”, que ainda hoje é conhecido por muitos, por “Lameiro do Senhor”.

Consta-se, que nos finais da década de 1800, (Século XIX) ou princípio de 1900 (Século XX), estas propriedades, doadas por fieis à Igreja, foram usurpadas e vendidas, em negócios menos claros, com documentos falsos e outras vigarices, com a contribuição e/ou ajuda, de um tal “Contador de Fiães”, (espécie de Guarda Livros da Fazenda Pública/Chefe), de nome Miguel Machado, natural de Fiães, nascido em 1845 e falecido em 1916, proprietário agrícola, pessoa de posses, de influência pessoal e poder político, que exerceu várias vezes (até 1915) o cargo de Presidente do Partido Regenerador no Concelho de Valpaços, e ainda, Administrador/Autarca do nosso Concelho (Presidente da Câmara).

Disseram-nos algumas pessoas mais idosas, que se constava também, que essas propriedades (Cerca), foram parar às mãos de uma família de Fornos do Pinhal, de nome António Gonçalves Pereira (agora pertencentes aos herdeiros de Cândido dos Santos), e outra parte (agora de Agostinho Parauta), a uma família de Barreiros, de nome Carminda Pereira Areias, mas que, quem adquiriu, poderá também ter alguma culpa, pois sabia com certeza, das vigarices de quem vendou e/ou ajudou a vender.

Por volta por início da década de 1950, chegou mesmo a haver uma revolta popular na aldeia com tomada de posses dessas propriedades, liderada pelo Senhor. Lafaiette Alves e outros conterrâneos, como : Manuel Guedes, Augusto Ervões (Soqueiro), Clemência e Cândida Gonçalves, etc., etc., com sentido único de repor a legalidade desse (falso) negócio. Chegaram a ocupar esses terrenos para os devolver de imediato ao seu legítimo dono, a Igreja. Alguns populares chegaram mesmo a construir lá um campo de futebol, e extrair parte da cortiça dos sobreiros da quinta/cerca, armazenando-a, escondida, na Capela de Santa Maria Madalena. Essa cortiça foi maioritariamente transportada pelas fianças da aldeia.

Porém, os novos donos de então, ao tomarem conhecimento da situação, comunicaram de imediato às autoridades e à justiça, tendo vindo a ser presas e espancadas várias pessoas, e ainda, obrigadas a pagar  algum dinheiro de multa pelo acto de ocupação. Disseram-nos ainda muitas pessoas que assistiram e participaram, ter o sino da igreja tocado várias vezes a rebate para o povo se ajuntar, tendo em vista a ocupação dos terrenos, assim como ter havido uma grande zaragata, aquando da intervenção das autoridades.

Ainda se recordam também de uma frase que todos diziam em voz alta no momento da concentração, revolta, e ocupação, e que era a seguinte:: A Cerca é da Igreja!!!. A Cerca é da Igreja!!!. A Cerca é da Igreja!., bem assim como de uns versos cantados alusivos ao facto:

*A Cerca!, A Cerca!, A Cerca!, - A Cerca é da Igreja,. - O Povo assim o diz, - Deus queira que assim seja.                                                                                                                                                          

Nem Fornos, nem Barreiros, - Vencerão a questão, - Mas sim os de Santa Valha, - Que têm toda a razão.

**Certo é, que a nossa Igreja, acabou por ficar sem esse valioso património, que lhes pertenceu por direito e que deveria estar hoje registado nos termos da Lei, conjuntamente com os actuais bens imóveis, na Repartição de Finanças e Conservatória do Registo Predial, em nome da actual “ FÁBRICA DA IGREJA PAROQUIAL DA FREGUESIA DE SANTA VALHA” COM O NIF: 502259299.

        

 Abadia de St. Valha: Igrejas e lugares que outrora lhe pertenceram:

Consta num livro do século XVII (primeira metade do século VXIII), abaixo identificado, que pertenciam nessa data à Abadia de St. Valha, os seguintes lugares, bem assim como os respectivos rendimentos paroquiais: Santa Valha, Fornos do Pinhal, Pardelinha, Bouça e Gorgoço.

“COROGRAFIA e desrcipçam topográfica do famoso reyno de Portugal…” do Padre António Carvalho da costa.

 (1706 – 1712)

LIVRO SEGUNDO – Da Comarca da Provincia de Trás os Montes

TOMO PRIMEIRO

CAP. III – Da Villa de Monforte do Rio Livre [pp. 432 - 433]

[conforme o original]

 

Abbadia de Santavalha, &lugares, que neste termo lhe pertencem.

 

Santa Valha he cabeça da Abbadia do Padroado Real, que rende setecentos mil reis: tem este lugar, & a quinta de Calvo da sua Freguesia cento & trinta visinhos, & demais da Igreja Matriz tem huma Ermida, & vinte fontes.

Fornos tem noventa visinhos, Igreja Paroquial da apresentação do Abbade de Santavalha, mais huma Ermida, & oito fontes.

Paradelinha tem 16. Visinhos, nenhuma Ermida, & seis fontes.

Bouça tem cincoenta visinhos, Igreja Parochial da mesma apresentação, nenhuma Ermida, & huma fonte.

Gregozos tem treze visinhos, huma Ermida, & quatro fontes.

 

 

Padres da nossa Paróquia:

Desde finais da primeira década do início do século XX (1900), foram os seguintes:

João dos Santos Ferreira, falecido em Santa Valha no ano de 1962, Padre João, como sempre foi conhecido e chamado. Abade da nossa paróquia durante muitas décadas. Foi sepultado na sua terra natal, Curral de Vacas, agora denominada de Santo António de Monforte, do concelho de chaves.

Disseram-nos que antes da sua vinda para a nossa paróquia, terá sido um tio dele, chamado de “Zé” José Chaves “, a exercer esse cargo, e que o corpo desse padre está sepultado num túmulo do nosso cemitério, chamado de túmulo dos padres e recentemente adquirido pela família Barreira do bairro dos Ciprestes..

Seguiram-se os padres: Azevedo; José Ribeirinha Machado;  António Branco, desde meados da década de 1960 até 1976; Bernardo, até 1977 e, por último, Alberto da Eira, desde 14 de Agosto de 1977.

 

Abades Residentes na Casa Paroquial.

Que nos recordamos: Padres: João Santos Ferreira, desde 1908 a 1962. Esteve 54 anos nesta paróquia; António Branco, desde meados da década de 1960 a 1976, e, por último, Alberto da Eira, de 1977 a 1999/2000, data da construção da sua casa de habitação em Santa Valha.

Sacristães da Paróquia e Sino da Igreja:

O último Sacristão da nossa paróquia foi Victor Fernandes, também conhecido por nós por “Kiko”. Exerceu esse cargo religioso desde a década de 1930, até meados da década de 1990. Durante esse período, ainda chegaram a ser também Sacristães, - mas por períodos relativamente curtos -, Francisco Batista, conhecido também por “Roque”, Celestino Domingues, também conhecido pelo Néné e o irmão Artur, também conhecido por “Praça ou Zé Velho”.

A substituição da pessoa “Sacristão” aconteceu com a entrada em funcionamento das novas tecnologias, tais como a do relógio automático de dar horas, associado ao sistema também automático do toque do sino para os vários serviços da igreja que o sacristão anteriormente (muito bem) executava, quer através da secular corrente de ferro que existia até há poucos anos atrás pendurada junto à porta e que ligava aos sinos, quer através do (saudoso) toque pessoal dos sinos no campanário, que o Victor Fernandes fazia com aquela mestria que só ele sabia fazer.

Ainda sobre a corrente de ferro que servia para fazer tocar os sinos, somos de opinião, de que a mesma deveria voltar o seu local de origem, mesmo que não voltasse mais a ser utilizada para o fim religioso, pois trata-se de uma peça de ferramenta que já vem do tempo da construção da igreja e que faz parte do seu/nosso património cultural.

Quando o sacristão, por qualquer motivo, não podia tocar o sino para os serviços religiosos, havia sempre algumas pessoas que o fazia através da corrente existente.

O sino era e, continua a ser, uma peça fundamental e imprescindível nas igrejas do meio rural como a nosso, pois para além do serviço da igreja, serve ainda para avisar as pessoas de alguma situação anormal que se está a passar na aldeia. Serve ainda para reunir de urgência todas as pessoas disponíveis quando há incêndios em habitações ou outros bens em perigo com motivos de grande urgência e de imediata acção. Chama-se a isto: tocar o sino a rebate.

No início da década de 2000, foi instalada no telhado da Sede da Junta de Freguesia, por esta, uma sirene eléctrica, destinada a avisar o povo da freguesia de qualquer eventual situação de emergência. Contudo, esta máquina, pode avariar a qualquer momento ou até não haver electricidade no momento da utilização para a fazer funcionar. Aí está a “corrente e o sino” para a substituir.

O sino da igreja teve e, continua a ter, uma função muito importante junto de todas as comunidades, principalmente nos meios mais isolados do nosso país.

 

Juventude Agrária e Rural Católica (JARC):

A “JARC” é um movimento de jovens católicos residentes em zonas rurais cuja função é a evangelização e o desenvolvimento do meio rural. Foi fundada na década de 1930, com a criação de movimentos de Acção Católica. Inicialmente denominada “JAC” (Juventude Agrária Católica), atingiu o auge de implantação e participação na década de 1960. Em 1985 passou a chamar-se “JARC”, com estatutos aprovados pela Conferência Episcopal Portuguesa.

Em Santa Valha também chegou a haver até ao início da década de 1950 esta organização de jovens católicos, na altura denominada por “JAC”.

Principais tarefas ligadas às actividades da igreja e da nossa comunidade: Arranjo da Igreja e Capelas; Catequese; Cânticos Religiosos; Participação na organização de Comunhões, Crismas, Procissões, e outras festas da igreja, e ainda, visitas aos enfermos.

A maioria dos jovens era raparigas, mas tinham que usar nas actividades ligadas à igreja, o seguinte vestuário: saia, blusa e lenço ao pescoço, tudo de cor azul.

Entre outras(os), referimos aqui alguns elementos dessa organização:

Cândida Daniela; Ferreirinha; Maria Conceição Lopes; Leonor e Clementina Lopes; Mariazinha e Celeste Lampaça; Margarida Cagigal (Carlota); Cândido dos Santos e José Maria Cagigal. As Mascotes do último grupo eram: Guida Lopes e Marina Lopes Morais Soares.

 

Primeira Festa em Honra de São Caetano:

São Caetano de Thiene, é o “padroeiro” da festa de Santa Valha, Santo este, que o povo venera com muita fé e devoção. A sua imagem encontra-se, e muito bem, no interior da capela de São Miguel, mais propriamente no Altar, ao lado de São Miguel. No altar, existem duas imagens de São Caetano, conhecidas, pelo: São Caetano “Velho” e São Caetano “Novo”.

Consta-se, que a imagem “nova” de S. Caetano foi adquirida, na década de 1950, por uma comissão de festas, em virtude da imagem antiga já estar um pouco danificada, e não a virem a danificar mais, aquando da colocação no andor para a procissão, ou que, poderá ter sido enviada, nesse ano, para restauro.

Há ainda algumas pessoas que confundem o padroeiro da festa de Santa Valha, que é São Caetano, com a Padroeira (Orago) de Santa Valha, que é Santa Eulália de Mérida, cuja imagem desta Santa encontra-se no Altar-Mor da nossa Igreja Matriz.

São Caetano nasceu em Itália, mais propriamente em Veneza, no ano de 1480, vindo a falecer também em Itália, Nápoles, no ano de 1547. Foi canonizado pelo Papa Clemente X em 1671 e  as suas relíquias estão guardadas em Munique (Alemanha) e em Nápoles. Entre outros títulos, são Caetano é conhecido coimo o pacificador dos populares. Na arte, São Caetano é descrito como monge Teatino. É padroeiro dos treatines e dos animais domésticos. A sua festa é celebrada no dia 7 de Agosto, dia da sua morte.

 A primeira festa na nossa terra em honra deste Santo, foi no ano de 1950. Para essa festa, foram eleitos 10 Comissários: Toninho Cunha, Francisco “Ferruge(m)”, João Ribeiro, José Domingues (Sarrá), Domingos Lopes, Cândido dos Santos, Lafaiette Alves, José Vicente Gonçalves (Feijão), Francisco Batista (Roque) e Maurício Morais. Todos estes comissários entraram com uma manda pessoal de 100 escudos, cada. Há divergências de memória, por parte dos mais idosos, quanto à primeira Banda Musical a actuar nesse ano de inauguração: Banda Musical de Valpaços, ou de Vilarandelo, de Rio Torto, ou ainda de Mateus( Vila Real)?????

No contacto com pessoas mais idosas, informaram-nos, que antes de se realizar a festa de São Caetano, festejavam-se anualmente na nossa aldeia, duas festas, a de Santa Bárbara, no inverno, e a do Santo Cristo, no verão.

Não obstante, a festa de S. Caetano ser celebrada no dia 7 de Agosto, na nossa aldeia, que nos recordamos, nunca coincidiu com esse dia. Foi sempre realizada no “segundo domingo” do mês de Agosto, excepto uma vez,  num ano compreendido entre 1984 e 1986.

A comissão de festas desse (?) ano, cujos mordomos eram entre outros: Manuel Barrosão, José (Zé) Domingues, Jaime e Fernando Alves e ainda Vicente Domingues,  resolveu antecipar o dia festivo para o domingo da semana anterior, se bem que de não muito agrado da maioria da população. Aconteceu, porém, que na tarde desse dia, antes de se realizar a procissão, despenhou-se uma enorme tempestade de trovoada, tipo tromba de água, sobre a parte poente, norte, e centro da aldeia. A água caída chegou a atingir em várias ruas, como em frente ao comércio/café do Sr. Domingos Mosca Pires e largo d e S. João, em frente ao antigo comércio do Sr. António Teixeira, mais de meio metro de altura, dando bastantes prejuízos, não só a estes comerciantes, como a muitas outras pessoas da nossa terra, e até mesmo a alguns vendedores ambulantes que se encontravam nesse dia na aldeia. Era um autêntico mar de água e lama a correr pelo meio da aldeia abaixo.

 

Convento de Freiras:

No Bairro do Sobreiró, mais propriamente na casa de habitação de Maria Cândida Fontoura “Teixeira” (mãe do falecido Marcolino) e contíguas, que pertenceram antigamente ao mesmo proprietário, dizem algumas pessoas mais idosas, ter-se constado, que há dois séculos atrás, foi casa dividida de Padre e Freiras, eventualmente Convento, mas ninguém sabe informar mais do que isto. Neste imóvel, com fachada de traços seculares, ainda é possível ver no interior, um bonito Oratório, e dizem, ter existido até há uns anos atrás, também uma pia em pedra de água - benta.

 

Endoenças em Santa Valha:

Este facto cultural religioso vivo, conhecido por “Endoenças”, realizado no calendário religioso na Quinta-Feira Santa, imediatamente anterior à Sexta-Feira da Paixão, da Semana Santa, também se realizou na nossa terra no ano de 1946.

Última representação do Auto: O palco principal desse Auto e dos vários actos de representação da peça de parte dos últimos dias da vida de Jesus, foi na praça, em frente à entrada da Abadia (agora jardim) e de um cruzeiro que se encontrava muito perto, presentemente situado junto à entrada da igreja. Os ensaios foram efectuados no bairro do Sobreiró, mais concretamente num salão de uma casa do pátio dos Fernandes. Também há quem se recorde de alguns ensaios terem sido feitos no Br. do Pontão, numa casa onde habitou e teve a alfaiataria  Manuel Guedes, ultimamente pertencente à família do falecido Manuel “Mudo”.

 No dia da celebração, o cortejo teatral com perto de uma centena de figuras representativas, saía do pátio dos Fernandes, em direcção à praça, principal local da representação da peça. A parte final, conhecida pela crucificação de Jesus no Calvário, foi concluída no adro da Capela de Santa Maria Madalena, onde o cortejo seguia em procissão teatral, desde a praça, até esse local. Foram três dias de representação: Quinta e Sexta-feira da parte da tarde, e sábado de manhã.

O ensaiador era um homem  residente em Vale de Salgueiro, do concelho de Mirandela, conhecido por  “João  (?)” e os versos da peça eram todos cantados/proclamados em voz alta. Já quanto ao vestuário dos figurantes e alguns utensílios utilizados, ninguém se recorda da origem; contudo, tudo leva a querer, que fossem alugados a alguma casa da especialidade de Braga.

Todavia, disseram-nos, que o “cavalo branco” que transportava o figurante que fazia de São Longuinhos, pertencia à casa de Dª. Alice Fernandes Teixeira e marido Mário Neves, pais de Victor e Rui Neves, entre outros, e ainda, que os manuscritos dessa peça teatral, se encontram ainda na posse de uma pessoa, sobrinha de um ex-serralheiro da nossa terra entre as década de 1940/1960, conhecido por Manuel “Chelas”, que actualmente reside em Valpaços.

Referimos aqui, entre muitos outros, alguns conterrâneos nossos (a grande maioria já falecidos) que fizeram parte dos figurantes da última representação religiosa, nos dias de Quinta e Sexta-Feira Santa, ambos da parte da tarde:

Ensaiador: João “de Vale Salgueiro”    -    Narrador:  “Filho do Ensaiador”

Cristo:  “Ensaiador da peça” João de Vale de Salgueiro; Nossa Senhora: Adelaide da Mata (Xila); Pôncio Pilatos: Manuel Guedes; Acusador: Artur Pereira (Vila); São Longuinhos: Herculano da Mata; São Pedro: João José Cardoso (João Ribeiro); São João: Aniceto Picamilho; Diabo: Cândido “Polide”; Jesus ou Anjo: “Mandino ou Mandinho“ Fontoura (Cantarinhas); Maria Madalena: Noémia “Clérguinha”; Verónica: Zéfinha “Passarica”; mulher de Pilatos: Maria Garcia da Mata; criada de Pilatos: Benvinda Cagigal (Bindinha); Judeu da Corda: “Zortor”; Rei Herodes: Domingos Lopes; Pajem do Rei Herodes: Artur Picamilho; Espia: “Dico” Fernandes; Judeu dos pregos para a crucificação de Jesus: Manuel Catalão “Capela”; Judas e Bom Ladrão: José Maria Cagigal; Bom Ladrão: Cândido dos Santos; Mau Ladrão: Cândida Catalão (Capela); Velho Anás: João Fontoura (Cantarinhas); Meninas de Jerusalém: Maria Garcia da Mata; Generosa da Mata Barrosão; Fernanda da Mata Barrosão; Isabel Picamilho; Clementina Clerguinha; Benvinda Cagigal e Mariazinha Lampaça. Os figurantes que faziam de criadas e mulheres de Soldados Romanos e Judeus eram mais de duas ou três dezenas.

O Padre da paróquia nessa altura era João dos Santos Ferreira, Padre João como todos lhe chamavam, arcipreste da freguesia paroquial de Santa Valha, que não só autorizou a apresentação da peça, como também colaborou no acto.

Foram efectivamente muitas mais pessoas a representar os vários actos, que peça contemplava na totalidade, e que não foram referidos aqui, tais como: Reis Herodes, Barrarás, Caifás, etc. Contudo, foram só o nome destas pessoas que de momento vieram à mente de quem nos contou nostalgicamente esta memória. Acrescentaram ainda, que vieram muitas centenas de pessoas de fora assistir à peça, que durou a tarde dos dois dias, e que, quem assistiu e já tinha visto outras, afirmavam ter sido a melhor representação já mais vista no nosso concelho.

Disse-nos a Dª. Fernanda da Mata Barrosão, que também participou na representação como figurante de “Menina de Jerusalém”, que a totalidade dos manuscritos dos actos do auto da peça (casco), todos escritos em versos, ainda se encontram guardados desde essa data, e que se encontram na posse da família “Chelas”, mais concretamente junto duma filha de Manuel “Chelas” e da falecida Adelaide Mata (Xila) chamada de “Lulu (Lurdes?)”, a residir actualmente em Valpaços.

 

Encomendação das Almas e Oração do Responso:

É uma manifestação popular de carácter religioso, onde, até finais da década de 1970, também se praticava por várias pessoas na nossa aldeia, sobretudo a nível individual.

Havia alguns “encomendadores “ que rezavam regularmente em voz alta algumas preces a Deus, tais como, entre outras pessoas espalhadas por toda a aldeia, um Senhor chamado Vieira, pai do Sr. Augusto Vieira e da Srª. Gertrudes, e ainda, João “Cantarinhas” e Rosa Bernardina, mais conhecida entre nós por “Rosa Cega”, que habitavam todos eles muito perto da Capela de Santa Maria Madalena.

Ainda há pessoas entre nós que se recordam desses dois homens: Vieira e João “Cantarinhas”, tendo-nos dito, que o fizeram até meados do século passado (1930 ou 1950), pois já eram na altura, pessoas de bastante idade. A senhora Rosa, pessoa de muita religiosidade, que só veio a falecer na década de 1990; a reza da encomendação das Almas era normalmente feita dentro de sua casa, assim como também fazia “Responso das Almas do Purgatório”, que é uma reza feita a pedido de alguém, quando algum objecto é roubado.

As orações da encomendação eram sempre feitas à noite, ou na varanda de suas casas, ou junto a um enorme sobreiro que existiu na eira desse bairro, agora largo da cabina dos telefones, mas este, mais utilizado pelo Senhor João “Cantarinhas”.

Algumas, entre muitas orações:

Irmãos meus; Pensai na Morte; E no dia do Juízo; O inferno é muito feio; Deus nos leve ao paraíso.

Paraíso, paraíso. Paraíso bom lugar! Uns vão para o paraíso, outros vão para mau lugar!

Ó Almas do purgatório, que no outro mundo estais; Nessas chamais acendidas; Cada vez se acende mais.

Ó Almas que aí penais; …………..

Ó Almas que no outro mundo estais; Mandai-lhes dizer uma missa no ano; Dai-lhe essa consolação. Lembrai-vos dos herdeiros e testamenteiros que se encarregaram dos bens que cá deixaram.

Em cada oração rezada, era intercalado um Pai-Nosso e Ave-Maria.

Oração do Responso:

“Ó almas do Purgatório; Eu com nove tenho mistério; Três dos enforcados; Três dos mal -sentenciados; Três da morte a ferro frio; Para que todos os três, os seis, os nove; Vão ter ao coração dessa pessoa que me tirou (dizer o nome do objecto roubado); Não possa estar, nem dormir, nem descansar; Se as almas assim fizerem; Eu, um terço lhes vou rezar”.

(Depois, aguarde e esteja atento aos sinais).

Responso ao Santo António para perdidos e achados:

Santo António se levantou, se vestiu e se calçou, e o Senhor lhe perguntou:

Onde vais António Santo!? Senhor, convosco vou, tu comigo não irás, tu no mundo ficarás, os perdidos achados, os esquecidos lembrarás, e todos os bichinhos vivos guardarás. Em louvor e honra da Virgem Maria, um Pai-Nosso e Ave-Maria.

 

Escritos (receitas) do Livro de São Cipriano:

O livro de São Cipriano, conhecido por algumas pessoas, e do qual muita gente já ouviu falar, é um livro que, para além de outras coisas e ciências do culto, fala e descreve assuntos de magia negra, rituais e muitos outros feitiços, defumadouros, etc., etc., até alguns bastante perigosos, se bem que há quem afirme que os verdadeiros manuscritos originais estão muito provavelmente arquivados na biblioteca do Vaticano, ou noutro lugar qualquer de uma universidade antiga, ou ainda,  nas mãos de algum coleccionador de manuscritos recolhidos em campanhas de arqueologia, e que estes manuscritos do livro agora conhecidos, sofreram bastantes adulterações em relação aos originais.

Mas há quem afirme também, que esses manuscritos de feitiçaria foram supostamente destruídos/queimados quando o Santo, que nasceu em 250 d.C., (anteriormente bruxo e feiticeiro), decidiu abandonar a magia negra e abraçar a fé cristã e distribuir os seus bens entre os pobres.

Em Santa Valha também havia até há escassos anos atrás (finais da década de 2000), quem “passa-se” esses tais escritos em papel, ou, o fizesse em reza, a pedido de várias pessoas, com base nos descritos desse tal livro, mas, só se constando sobre alguns assuntos, tais como: afastar os espíritos das pessoas, mau-olhado, inveja, ou ainda, para protecção dos bens das pessoas.

Havia também quem recorresse a esses escritos em momentos que a vida lhe corria menos bem, ou tivesse algum assunto importante para resolver.

Essa pessoa foi, Judite de Castro (falecida em Outubro de 2008), que residia no bairro dos Ciprestes, tida por toda a comunidade como pessoa honesta, de bem, e ainda, de certa influência social na freguesia. Contudo, nunca foi pessoa, que a pedido de alguém, acedesse “passar” esses escritos, com sentido de praticar o mal ou prejudicar a alguém que fosse. De todo o modo também nunca o praticou pessoalmente, pois nunca se constou ter quaisquer inimigos. Acrescentou ainda quem nos informou, que também nunca se constou ter pedido dinheiro, ou outro interesse por tal prestação de serviços, e que o Livro de São Cipriano que tinha na sua posse, se constava, ter pertencido inicialmente a um carpinteiro residente no mesmo bairro, chamado de Amador, mais conhecido na aldeia por “Mador”.

Até final da década de 1950, houve uma pessoa na nossa aldeia que também teve o  livro de São Cipriano, e que costumava passar escritos do mesmo género, chegando mesmo a ter uma boa  fonte de receita desse expediente. Chamava-se Manuel António Alves (ex-regedor), mais conhecido por Manuel da Freixa, avô materno de Joana, Lucília e Agostinho Alves Nogueira (Dr.), pessoa de quem nos falaram também muito bem e que gozava de muita simpatia na comunidade; acrescentaram ainda, que esse homem era uma pessoa de muito respeito, muito crente nos escritos que passava, e, acima de tudo, que levava muito a sério o que estava escrito no tal livro.

Todavia, ouvimos dizer, que outro livro existiu, ou ainda existe em algures, o do falecido “Cerieiro”, que residia no Br. do Pontão, vindo-o a deixar a uma familiar também já falecida de nome  Ermesinda, que, por sua vez, o ofereceu há muitos anos atrás a Artur Morais seu vizinho, mais conhecido por Artur Maurício. Desconhecemos se alguma vez o utilizou para escritos do género.

Poderão, muito provavelmente, ter existido, ou mesmo ainda existir, mais livros e/ou pessoas que tiveram ou têm na sua posse estes escritos e praticado de alguma forma estas ciências do culto, mas foram só estes, os que vieram à memória a quem nos contou.

 

Orações Diversas:

Ainda há hoje em dia, se bem que muito menos do que antigamente, pessoas que se socorrem de alguém na terra, que saibam rezar orações para curar certas e determinadas feridas no corpo, como, por exemplo:

Oração para cura do Coxo, mais conhecida por “Reza do Coxo”:

Primeiro faz-se o sinal da cruz com uma faca (em cruz) em cima do coxo, dizendo/exclamando: Jesus; Jesus; Santo nome de Jesus.

Após, reza-se o seguinte:

Sapo, sapão - Cobra, cobrão -  Lagarto, lagartão – Aranha, aranhão – Rata, ratão – Aranha, aranhão - Salamandra, salamandrão . Bichos maus de toda a nação, deixa este corpo são, em louvor e honra de Deus e da Virgem Maria, um Pai-Nosso e uma Ave-Maria.

Esta reza faz-se três vezes ao dia, sendo nove vezes de cada vez, durante três dias seguidos. Mistura-se água e azeite numa tigela, juntamente com nove pontas de silvas, molhadas da tigela no coxo sempre em cruz.

Oração para curar as Lombrigas:

Mil lombrigas, mil compridas, mil apalastradas. Que estas mil lombrigas se transformem em nove, nove em oito, oito em sete, sete em seis, seis e cinco, cinco em quatro, quatro em três, três em duas, duas em uma (numa), e no corpo desta menina/menino (dizer o nome) que não fique nenhuma. Em louvor e honra da Virgem Maria, um Pai-Nosso e uma Ave-Maria.

Reza-se com uma faca fazendo uma cruz em cima da barriga, três vezes ao dia e nove rezas de cada vez, durante três dias seguidos.

Na nossa aldeia, ainda existem pessoas, nomeadamente algumas (poucas) mulheres, que o sabem fazer da forma que acima referimos, e que nos contaram, como também lhes ensinaram. A Senhora Adelaide Moreiras, é uma delas.

 

Também algumas pessoas nos contaram algumas orações que lhes foram ensinadas pelos seus antepassados ou amigos:

Oração para quando algum vai em viagem, para que Deus o guarde ou proteja:

Diz-se o nome da pessoa que vai em viagem, por exemplo:

____(nome)_______ , salvo chegues como saíste, na Arca de Noé te meto, com as chaves de São Pedro te fecho, e te entrego a Jesus Cristo. Em louvor e honra da Virgem Maria, um Pai-Nosso e uma Ave-Maria.

Repete-se a oração e o Credo nove vezes seguidas, ou não, antes da viagem.

Oração que se reza antes da confissão:

Ó meu Senhor Jesus Cristo ; Eu queria-me confessar; São tantos os meus pecados; Que não os consigo nomear; Confesso-vos a voz Senhor; Que bem sabeis quantos são; Por piedade vos peço; Que me deiteis a vossa absolvição.

Oração que se reza quando se entra na Igreja:

Por esta porta vou entrando; Jesus Cristo vou buscando; Água-benta que me lave; Jesus Cristo que me salve.

Oração que se reza quando nos ajoelhamos, após entrar na Igreja:

Aqui me ajoelho Senhor; Com o poder da minha vida; Vós sois o Divino Pastor desta ovelha perdida; Dá-me a Tua salvação pr´a minha alma e remédio para a minha vida.

Reza-se de seguida o Pai-Nosso e Ave-Maria.

 

ORAÇÃO CONTRA O MAU-OLHADO

 (Para destruir a inveja e a cobiça alheias)

 

O Olho da Luz me envolve. Seu brilho me protege.

Quebre mau-olhado! Desfaça-se toda a intriga e a

perfídia. Estou com a Bênção do Senhor. Estou dentro

do Manto do Senhor, nada me destruirá. Amém!

 

 

 

ORAÇÃO CONTRA PESADELOS

(Para afastar os maus sonhos e os terrores da noite)

 

O Senhor é meu refúgio e minha rocha. Ele me livra da rede dos caçadores, das coisas funestas

e com as plumas de suas magníficas asas me protege. Não temo mais o terror nocturno, nem a seta que voa durante o dia. Caminharei sobre as serpentes e leões, porém nada me  passará. Pois eu Te invoquei e Tu me ouviste! Amém.

 

 

DOCUMENTOS: Tribunal do Santo Ofício – SANTA VALHA

Por Leonel Salvado

 


Nota prévia: Esta série documental que se encontra entre o acervo do Arquivo Nacional da Torre do Tombo do qual subscrevemos aqui no Clube de História de Valpaços a designação genérica de “Tribunal de Santo Ofício” será apresentada em duas categorias distintas designadas, também em conformidade com ANTT – Digitarq - DGA, como Diligências de Habilitação e Processos” referentes a pessoas que nasceram e/ou viveram em Valpaços e noutras freguesias do actual concelho e se viram envolvidas, em situações opostas, no Tribunal do Santo Ofício. No primeiro caso os documentos relacionam-se com pessoas que se propuseram à admissão entre os “familiares do Santo Ofício”, às quais, uma vez reconhecidas as suas habilitações completas, cabia a responsabilidade de assegurar o funcionamento da máquina inquisitorial nas localidades ou regiões em que residiam, denunciando e executando as prisões dos suspeitos de heresia, confiscando os bens dos condenados e cumprindo com todas as diligências ordenadas pelos inquisidores. Inserem-se ainda nesta categoria documental as diligências de habilitação para outros cargos de prestígio, contemplando também as senhoras. No segundo caso, os documentos referem-se às pessoas que se encontravam no campo oposto, o dos acusados de crimes de heresia, em função de uma multiplicidade de actos praticados, acusações que podiam variar entre a blasfémia, o perjúrio, a bigamia, práticas de feitiçaria e judaizantes, entre outras estigmatizadas pela Igreja católica e seus mais acérrimos devotos. Estes documentos são um claro indicador da existência de numerosas comunidades de cristãos-novos (cripto-judeus) em certas freguesias do actual concelho de Valpaços pelos séculos XVII e XVIII, com mais representatividade em Carrazedo de Montenegro e, sobretudo, Lebução. Convém que se diga que estas duas últimas localidades adquiriram nos séculos XVIII e XIX particular dinamismo e prosperidade para o que muito contribuiu, decerto, a presença, nelas, dos “cristãos-novos” que, como se sabe, eram, na generalidade, pessoas abastadas e ligadas aos ofícios mais proveitosos e dinamizadores da economia local e regional (haja em vista nos documentos que se seguem as suas referências profissionais mais comuns: “mercadores”, “rendeiros”, “homens de negócios”…) e que se foram integrando no tecido social das mesmas localidades e da província de Trás-os-Montes, não obstante a repressão que sobre eles exercia a Santa Inquisição, como primordialmente se conclui dos mesmos documentos. Os documentos que não dispõem de representação digital, que são a maioria, são aqui apresentados na forma sinóptica e, portanto reproduzidos directamente a partir da fonte. Os restantes são apresentados em transcrições realizadas para o Clube de História de Valpaços e da responsabilidade do respectivo autor da dessas transcrições. O caso presente de SANTA VALHA é sintomático da clivagem social que se vivia em muitas localidades do reino nos séculos XVII e XVIII, uma franja social benquista e habilitada à promoção e outra sujeita às malhas da implacável máquina da Inquisição.  

 


A – DILIGÊNCIAS DE HABILITAÇÃO

1. DILIGÊNCIA DE HABILITAÇÃO DE MARIANA JOSEFA

RELAÇÃO COM SANTA VALHA: Filha de Natural
DATAS DE PRODUÇÃO:  1715  a 1715

ÂMBITO E CONTEÚDO
Mariana Joseja, pretendente a ama [do Paço], natural e moradora em Lisboa, filha de Bartolomeu Rodrigues, natural de SANTA VALHA, termo da antiga vila de Monforte de Rio Livre, do bispado de Miranda do Douro, e de Maria da Conceição, irlandesa; neta paterna de Mateus Gonçalves e de Catarina Rodrigues, naturais e moradores em Santa Valha.

Casada com Mateus Spadini, natural de Livorno (Itália).

COTA ACTUAL: Tribunal do Santo Oficio, Conselho Geral, Habilitações de Mullheres, mç. 4, doc. 17.



B – PROCESSOS DA INQUISIÇÃO

1. PROCESSO DE DUARTE CHAVES
DATAS DE PRODUÇÃO: 1704-06-25  a 1705-05-11

ÂMBITO E CONTEÚDO
Duarte Chaves, CRISTÃO-NOVO , com 46 anos de idade, sem ofício, solteiro, natural de SANTA VALHA, termo de Monforte de Rio Livre, bispado de Miranda, morador no mesmo lugar, filho de Luís Chaves, cristão-novo, sapateiro, e de Mécia Álvares, cristã-nova,  acusado de culpas de JUDAÍSMO, foi preso em 19/07/1704.

O réu FALECEU NOS CÁRCERES DA INQUISIÇÃO, em 11/05/1705.

Sentença: Auto-de-fé de 24/07/1706. Seus ossos enterrados em sepultura eclesiástica, oferecer a Deus, por sua alma, sacrifícios e sufrágios da igreja. Foi ordenado que a sentença do mesmo fosse lida em auto-de-fé.

O réu dizia ser judeu, não queria ser nomeado por cristão-novo, porque considerava que só os mouros, depois de baptizados, eram cristãos-novos.

COTA ACTUAL: Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Coimbra, processo 533.


2. PROCESSO DE MARIA CHAVES
DATAS DE PRODUÇÃO: 1679-04-18 a 1682-02-05

ÂMBITO E CONTEÚDO

Maria Chaves, MEIA CRISTÃ-NOVA, com 46 anos de idade, natural de SANTA VALHA, termo Monforte de Rio Livre, bispado de Miranda, moradora no mesmo lugar, filha de Baltasar de Chaves, cristão-velho, e de Branca Dias, cristã-nova, casada com António de Tovar, parte de cristão-novo, mercador, acusada de culpas de JUDAÍSMO, foi presa em 18/04/1679.

Sentença: Auto-de-fé de 18/01/1682. Confisco de bens, abjuração em forma, cárcere e hábito penitencial a arbítrio dos inquisidores, instrução na fé, penitências espirituais.

Por despacho de 05/02/1682, foi-lhe tirado o hábito penitencial, dada licença para ir para qualquer parte do reino, donde não poderia ausentar-se sem licença da Mesa, e foram-lhe impostas penitências espirituais.

COTA ACTUAL: Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Coimbra, processo 1007.

Fonte: http://digitarq.dgarq.gov.pt (publicação autorizada para o Clube de História de Valpaços).

 

Publicado por Clube de História de Valpaços em 18:00        -       02 de Janeiro de 2012http://img2.blogblog.com/img/icon18_edit_allbkg.gif

Categoria: Documentos Históricos, Santo Ofício

 

Santa Valha, Site/01-03-2011

(Última alteração: Fevº. de 2012