

Coisas e Gentes da Nossa Terra
Acontecimentos vários:
Telefone Público e Particular:
O primeiro telefone público foi instalado no início da década de 1960 na casa de Lafaiette Alves (casa do falecido Manuel “Mudo”), no Br. do Pontão. Posteriormente, passou para a casa de Benjamim Picamilho no mesmo bairro, a seguir, para a taverna/comércio de Adelino Melo Alves (agora casa de Zé Murteira - Cacete -), e, por último, pensamos início da década de 1980), para a taverna/comércio de António Teixeira, no início da rua da Freixa. Mais tarde, os modernos telefones públicos foram instalados em outros locais, mas já sem o interesse comunicativo de outros tempos.
Relativamente aos “particulares”, pensamos ter sido, também na década de 1960, nas habitações de Manuel do Nascimento Barreira, Amândio Lopes (Cerca) e Casa dos Ciprestes.
Correio ao domicílio:
Inicialmente, a mala de transporte do correio do posto de Vilarandelo, não era só transportada a pé para a aldeia e anexas, como também era às costas. O último “ correio”, como era chamado na altura, foi Victor Fernandes, também conhecido por “Kiko”. Lembramo-nos desse tempo e desta forma de transporte, década de 1960, até início da década de 1970. A partir dessa altura, passou a ser transportado, também diariamente, pelo autocarro (carreira).
O correio, trazido em sacos de lona, era depositado em casas particulares, já contratadas, e lido, ao final do dia e à hora marcada, com a presença, de, pelo menos, uma pessoa de cada casa. As casas de distribuição e caixas de depósito do correio dos CTT, de que nos lembramos, foram as seguintes: Casa de Raul Videira, de Lafaiette Alves; de Benjamim Picamilho; Comércio/Taverna de Adelino Melo Alves, que também foi explorada por tempo curto (início da década de 1970), por Domingos Mosca Pires e irmão Fernando, e, por último, o Comércio/Taverna de António Teixeira. A partir dessa data, o correio passou a ser distribuído no actual sistema.
Luz Eléctrica:
Foi inaugurada em 28-04-1967. A partir dessa data, as candeias, os candeeiros e os lampiões a petróleo e azeite, começaram a ser pendurados na parede. Antes dessa data, houve duas casas em St. Valha, que já tinham (alguma) luz eléctrica, fornecida por motor gerador: a casa onde habitava os falecidos: Professor Carolino Augusto Afonso e esposa Clotilde Augusta Ferreira Sarmento Afonso, (de familiares/arrendada ?) situada no largo da Igreja, agora da família Parauta (Álvaro e Agostinho), mas só com uma lâmpada na sala de jantar, e de Manuel Lopes, conhecido por Amândio Lopes, ex-Presidente da Junta de Freguesia, (do tempo da ditadura), casa agora da família do falecido Cândido dos Santos. Os motores/geradores só eram ligados algumas horas durante a noite. Referimos aqui algo caricato que se passou, e que foi o seguinte:
O Professor Carolino, homem de posses, de reconhecida idoneidade, influência social e até política na época, foi proprietário ao mesmo tempo de duas casas, uma, situada na rua dos Ciprestes, que a família (filha Margarida Izilda Sarmento Afonso Vaz) ainda hoje conserva, e a outra, na Quinta da Teixogueira, ambas as duas, com excelentes condições de habitabilidade na época. Porém, ao longo de várias décadas que residiu em Santa Valha, e até ao seu falecimento no ano de 1966, nunca chegou a morar em nenhuma.
Houve também dois ou três petromáx(es) a petróleo, com manga de vidro, e uma bomba incorporada, que servia para injectar e vaporizar o petróleo até à camisa e que gerava uma forte luz. Um deles pertencia a Laudemira da Cunha (Cagigal), (avó materna do Lilo). Coisas só de ricos diziam alguns! Lanternas a pilhas, as que existiam contavam-se pelos dedos de uma mão.
No dia da inauguração da luz eléctrica (28 de Abril de 1967), aconteceu um caso insólito e caricato, que foi o seguinte:
Na tarde desse dia, na praça, junto à Capela, no decorrer do discurso de inauguração proferido pelo Presidente da Junta de então, Amândio Lopes, (reformado da Guarda Fiscal da ex-colónia de Angola), alguém do adjunto que assistia, atirou uma pedrada, cuja pedra foi bater na cabeça do presidente, tendo ele exclamado em voz alta o seguinte: - aí….!?!?!?, que já me racharam a cabeça!!!!. Dos presentes, ninguém se manifestou. Teria sido, com certeza, algum amigo dele da época que lhe queria bem…!!!!!, atendendo ao feitio e arrogância para com os seus munícipes.
Durante os muitos e longos anos seguintes, nunca se chegou a saber quem na realidade atirou a tal pedrada, sem bem que sempre se desconfiou de alguns da multidão. Hoje, mais de quatro décadas passadas, alguns já sabem quem na realidade praticou o acto. Dizem ter sido um amigo dele que reside no bairro dos Ciprestes. O segredo foi sempre bem guardado, tendo em conta que se tratou de um crime e ainda dos poderes severos conferidos na lei no regime da ditadura, caso viesse a ser denunciado.
Estamos no ano de 2010 e só este ano é que a velhinha rua dos Olharigos, que liga os bairros dos Ciprestes e Sobreiró é que foi electrificada. A última da aldeia a receber a iluminação pública, se bem que só há uma década atrás e já na presidência da Junta de Jorge Castro, é que foi alargada e melhorado o pavimento para dar possibilidade à passagem de algumas viaturas.
Primeiros Fogões de Cozinhar:
Até aos primeiros anos da década de 1960, contavam-se pelos dedos de uma mão os fogões de cozinhar em toda a freguesia. Eram todos aquecidos a lenha e fabricados em ferro fundido. Por volta de meados dessa década, começaram então a aparecer as primeiras máquinas a petróleo, de uma só grelha de forma arredondada, onde o petróleo era injectado em vapor por um bico injector através de uma bomba incorporada. Seguiram-se logo após, os primeiros fogões (sem forno), conhecidos por grelhas, de dois e três bicos, mas que já funcionavam através de gás butano em garrafas de 6 e 13 quilos, e nos primeiros anos da década de 1970, os então fogões a gás com forno incorporado.
Primeiros Rádios na Freguesia:
Por volta de 1945 a 1950, pertenceram aos Senhores: Augusto “ da Quinta da Teixogueira” , Padre João e ao Professor Carolino Augusto Afonso. Estas máquinas de som eram alimentadas por baterias, carregadas com um carregador com motor a gasolina.
O primeiro Gira-discos “a pilhas” apareceu por volta de 1962 ou 1963, pertenceu ao Senhor Albino Santos, também conhecido por “Carrazedo”, que o trouxe de França, onde anos antes tinha emigrado. Seguiram-se outros nos anos imediatos, também de emigrantes: Eduardo Maia, Francisco Rôlo (Xico), João Atanázio (Polino), Carolino Ribeiro, Cesário Espiritosanto, entre outros.
Antes dos primeiros gira-discos a pilhas, já as Grafonolas que tocavam com discos em vinil de 33 rotações movidas manualmente a corda, tinham entrado na nossa aldeia. As primeiras novidades, pensamos do início do século XX (1900), pertenceram às seguintes pessoas: Avô materno de Victor Teixeira Neves, casa de Laudemira da Cunha (Cagigal) (avó materna do Lilo), Raul Videira, António Ribeiro (depois de vir do Brasil) e António Morais “Pedro”.
Ainda há pessoas que se recordam de alguns bailaricos feitos aos domingos (década de 1940) com música de grafonola, como por exemplo, junto ao comércio/taverna do falecido Sr. Armando Tender, agora casa de Lucinda Cardoso na rua dos Ciprestes, e o bailarico era no terraço da casa, que ainda hoje existe.
Em 1975, a família de Manuel Fontoura (filhos Jorge e Carlos) e o António Cagigal Neves (Tótó), regressados de Angola, trouxeram as primeiras aparelhagens de música, com gira-discos, toca-cassetes e rádio incorporados, incluindo as colunas de som. Esses moderníssimos e bem equipados aparelhos, foram nessa época, uma mais-valia para os bailaricos domingueiros.
Primeira Televisão na Freguesia:
A primeira, com ecrã a preto e branco, pertenceu a Amândio Lopes (ex-Presidente da Junta de Freguesia), por volta de 1965, proprietário da casa/quinta que hoje é do falecido Cândido dos Santos. Demorava bastante tempo a aquecer as válvulas eléctricas para se ver a imagem e era alimentada por uma bateria e por um gerador, que também fornecia luz para casa, mas só na parte da noite.
Mais tarde, logo após a chegada da electricidade (1967), a dos Comerciantes António Teixeira e Victor Teixeira Neves, e particular, na casa de Laudemira da Cunha Cagigal no Br. do Sobreiró. Informaram-nos, que na altura, houve algumas pessoas da aldeia, que pagavam com trabalho, os poucos minutos que viam (a novidade) televisão na casa deste senhor, e que estava quase sempre a avariar.
Recordam-se também, que em 1966, vários populares (Victor Neves, Adriano Mata, entre outros), por ainda não haver luz, nem televisão, foram ver alguns jogos de futebol do Mundial, a Vilarandelo, e que a televisão, para o povo assistir, estava instalada no salão da Casa do Povo.
Primeiro Frigorífico:
Início da década de 1960 e pertenceu a Amândio Lopes, na casa que agora pertence à família do falecido Cândido dos Santos, pai, entre outros, do Camilo. Funcionava a petróleo.
Fontes e Bicas de Água:
Santa Valha sempre este bem servia de água potável. As fontes de mergulho de abastecimento público devem datar do início da aldeia, e que são as seguintes: Br. Sobreiró: Fontela e Olharigos e fonte da Tia Maria Vicência; Br. dos Ciprestes: Vilar; Fonte do Largo de S. João, conhecida antigamente por “da Largaça”. Br. da Freixa: fonte do Outeiro; Br. Stª. Marª. Madalena: Fonte da Praça, e Br. do Pontão: Fonte do Pontão.
As principais e que a partir de 1966 começaram também a servir algumas bicas, foram a dos Olharigos e Vilar. Também a fonte do Pontão serviu até finais da década de 1960, água para a Escola Primária, puxada por uma bomba manual. A fonte da Fontela, mais para dar de beber aos animais e a fonte da Tia Vicência, como era vulgarmente conhecida, para servir água para o forno de cozer da Srª. Claudina Ribeiro/Tia Vicência.
Fontes particulares: da casa de Laudemira da Cunha Cagigal, e minas, dos Srs. Victor Cardoso e, Gualdino Nogueira, conhecida pela Fontela, já todos falecidos, e todas estas situadas no Br. do Sobreiró.
Em 1985 e 1986, a Junta de Freguesia veio a construir mais algumas bicas, espalhadas pelos bairros, mas já fornecidas pela água das explorações de Pardelinha e Ribeiro do Calvo, desactivadas uns anos mais tarde, quando completada a rede de água potável ao domicílio.
Estas fontes públicas, foram outrora, locais de encontros e desencontros amorosos, ” é claro!..”, dos nossos pais e avós.
Maior Seca que nos recordamos:
A maior seca que nos recordamos, aconteceu nos anos de 2007 a 2009, com a maior incidência no final do verão de 2009. A partir do início do mês de Agosto de 2009, o abastecimento público de água ao domicílio foi diariamente fornecido pelos Bombeiros e ainda por uma cisterna puxada por um tractor, água extraída de dois poços da propriedade do pisão do Sr. Júlio José Teixeira, que mais tarde também deixaram de fornecer água.
O rio do Calvo e os ribeiros da freguesia secaram completamente em todos os seus leitos, assim como uma grande quantidade de nascentes e alguns poços “ mesmo antigos” secaram também. A água nos tubos das captações de abastecimento público quase já não corria. Contudo e felizmente que as fontes de mergulho de água potável, resistiram todas à seca extrema desse período.
Para compensar, o fim do mês de Novembro e todo o mês de Dezembro de 2009, e ainda, Janeiro, Fevereiro e Março de 2010, têm sido os meses mais chuvosos e até mesmo invernosos destas últimas décadas, com as águas a saírem por várias vezes dos leitos dos rios e ribeiros, vindo, desta forma, contribuir, para repor os caudais dos nascentes, rios e ribeiros em todo o país, se bem que também vieram dar imensos prejuízos em todo o país. A neve também apareceu com alguma intensidade nos meses de Dezembro, Janeiro e Fevereiro.
De acordo com a informação do Instituto de Meteorologia, Dezembro de 2009, foi o mês mais chuvoso dos últimos 100 anos e, Fevereiro de 2010, dos últimos 24 anos. Também Março de 2010 foi o mês mais frio dos últimos 24 anos. Todavia, quanto às temperaturas e de acordo com o Instituto: Julho de 2010, foi o mês mais seco dos últimos 24 anos e mais quente dos últimos 79, e ainda, a primeira quinzena de Agosto registou as temperaturas mais elevadas destas últimas décadas com temperaturas médias diárias de 32,8 graus centígrados, com 5 graus acima da média e, Setembro, foi o mês mais seco dos últimos 22 anos. Novo registo aconteceu no verão de 2011, tendo sido o mais quente e mais seco das últimas oito décadas
Outrora na nossa aldeia os invernos chuvosos e nevosos eram consecutivos e a água para a rega agrícola não faltava nos poços, regatos e ribeiras. Ainda nos recordamos da água que vinha através de um rego e caleiros das “poças da Avessada” (serra) para regar uma parte dos campos da aldeia, até mesmo algumas culturas de todo o bairro de Santa Maria Madalena, em que o rego da água atravessava a estrada perto entrada da casa do Sr. Eduardo Quintela.
Ainda existem bastantes vestígios desse rego e caleiros, com mais de dois quilómetros de distância entre as poças a aldeia, e até mesmo ainda dentro da aldeia. Essa rega deixou de fazer-se desse local, por volta do início da década de 1970.
Nevadas ou Nevões na nossa terra:
Antes da década de 80 do século XX (1980), era regular na nossa aldeia caírem anualmente no inverno, nevadas ou nevões, que em certos locais a neve atingia mais de meio metro de altura e que duravam, por vezes, mais de 10 dias a derreter. Os mais de uma dúzia de rebanhos de gado que existiam, tinham que ser alimentados dentro dos currais no interior da aldeia, assim como as juntas de bois e outros animais de trabalho, mas as pessoas já se precaviam antecipadamente para estas situações. Por vezes alguns pastores de rebanhos de gado das localidades mais altas, como Pardelinha, Fiães e Monte de Arcas, para alimentar os animais, desciam para junto da nossa aldeia, sempre havia mais alguma coisa para dar aos animais.
Hoje em dia (2011), quando a neve chega a atingir a altura de 20 centímetros, já deixa se ser considerada uma nevada, para ser chamado de nevão, coisa que outrora era irrisória. O maior “nevão” que nos recordamos foi do início do mês de Janeiro dos anos de 1991 e 1992, sem bem que o de 1991 foi um pouco maior. A neve no centro da aldeia atingiu 20 a 30 centímetros de altura. Depois, passaram-se vários anos sem nevar ou sem qualquer expressão.
Neste três últimos anos, tem nevado sempre alguma coisa, se bem na nas zonas mais elevadas, como Pardelinha e Monte Cerdeira, cai sempre bastante mais. Em 27 de Janeiro deste ano de 2011, a neve começou a cair com muita força e ininterruptamente das 07 horas até por volta do meio-dia, tendo chegado a atingir em certos lugares de Santa Valha, Gorgoço e Fornos do Pinhal, 20 centímetros de altura e até mais, bastante superior do que nos lugares mais elevados, como lugar de Monte Cerdeira, Pardelinha e até Vilarandelo. Facto jamais visto, afirmaram muitas pessoas da nossa terra. Também os mais jovens afirmaram que foi a maior nevada/nevão na nossa aldeia que até à data presenciaram.
Primeira Furgoneta de Carga:
1950/1951: de Agostinho Fernandes e Raul Videira.
Primeira Camião de Carga:
1947: de João Fernandes “ Pedrinho”. Mais tarde, Manuel do Nascimento Barreira.
Primeira Rectro - escavadora:
No início da década de 70 do século XX, da marca Ford, e pertenceu ao falecido Manuel do Nascimento Barreira. Esteve bastantes anos na sua posse, mas pouco ou nada trabalhou na freguesia. Prestava serviços mais de aluguer em outros concelhos. Só bastante mais tarde, finais da década de 1980, é que Armindo Lampaça Parauta comprou uma, já muito antiga e gasta pelo trabalho, de marca Massey Ferguson ,de só tracção a duas rodas, que durou pouco tempo na sua mão. Em meados da década de 90, Gilberto Simão C. Domingues comprou uma, e Armindo Parauta, comprou novamente outra, no início da década de 2000.
Primeiro Transporte Público de Passageiros:
1955 ou 1957. Era conhecida por “Carreira”, metade do veículo, era de passageiros e a outra de carga.
Primeiro Táxi, ou Carro de Praça.
Foi em 1951 ou 1952. Esse meio de transporte público pertenceu inicialmente a Lafaiette Alves, que residia no largo do Pontão, antiga casa particular do Padre João. Mais tarde casa do falecido “Manuel Mudo”. A viatura tinha a marca “ Vanguard”. A seguir teve um “Plimout” de seis lugares.
Essa praça de táxi, ou melhor, “carro de praça”, como a maioria do povo lhe chama, foi em 1953/54, vendido a Francisco Rôlo, pelo montante de vinte mil escudos (agora 100 €), que por sua vez (1956), a/o vendeu, incluindo a viatura, a Agostinho Fernandes.
Mais tarde, década de 1960, Francisco Rôlo veio a comprar novamente a praça de táxi, mas sem viatura, e colocou um automóvel de marca Fiat 1400 ao serviço. Passados poucos anos da mesma década, trespassou novamente a praça sem viatura a Agostinho Fernandes, tendo, para o efeito, este adquirido um carro de marca Opel (Kadet ?).
Em finais da década de 70 ou início de 80, Agostinho Fernandes vendeu a praça, sem viatura a Domingos Mosca Teixeira, que a conservou até ao início do mês de Fevereiro de 2011. Consta-se, que o novo proprietário da praça é do concelho de Chaves, mais concretamente de São Lourenço. Santa Valha ficou, a partir dessa data, sem “táxi ou carro de praça”. Era uma viatura já bastante antiga, de marca Mercedes 300D (carroçaria alongada), de 7 lugares + lugar de condutor.
Primeira Bicicleta:
Ano de 1942. Este velocípede de duas rodas sem motor pertenceu a Armindo Afonso “Armindinho”, filho do professor Carolino Augusto Afonso. A seguir, 1957, de Francisco Rocha Pinto, “Chiquinho, como ainda é conhecido na família”, neto do falecido Raul Videira, agora médico no Porto. No início da década de 1960, só nos recordamos de duas bicicletas a funcionar/pedalar, de marca Flândria “pasteleiras” como agora são chamadas: a de António Neves (Tótó), e as de Fernando Mosca Pires, Armindo Picamilho e Artur Domingues Gonçalves todos estes do Br. do Pontão. Dois ou três anos mais tarde a bicicleta da menina “Zita”, neta de Adolfo Domingues (Simão) do Br. do Sobreiró, que residia nesse tempo em Angola, e que por vezes vinha passar férias a St. Valha.
Há muita gente que ainda se recorda de uma queda dessa época, com algumas escoriações pelo corpo à mistura, principalmente na cara, dada pela menina Marília Neves, (agora professora já aposentada) na curva antes das Adufas, mesmo em frente ao (agora) nicho das Alminhas. Essa bicicleta era de Fernando Pires (cunhado), e o motivo da queda, deveu-se, a uma junta de bois que lhe apareceu de surpresa na curva da estrada, ainda em terra-batida.
Contaram-nos, que por volta de 1963, Paulo Moreira dos Santos (irmão de Camilo), que reside há muitos anos nos Estados Unidos como emigrante, construiu uma bicicleta toda em madeira, e que um certo dia, ao dar a volta na curva da praça, vindo em roda livre das Adufas, não conseguiu fazer a mesma, e despistou-se juntamente com ela para a cortinha do Dr. Luís Lopes, agora de Raquel Alves.
Em 1969, só existiam três a funcionar, as bicicletas de Fernando (Pardal), Elias Vergueira e Amílcar Rôlo (Lilo), e em 1970, duas, a de Elias e Lilo. Dada a escassez destes transportes, havia, nessa altura, aos domingos de tarde, quem pagasse (e bastante), dois escudos e cinquenta cêntimos (bastante dinheiro na época - agora com a inflação: 0,50 ou 0,60 €), para dar uma volta, da praça, ao cemitério, e regresso.
Primeira Motorizada:
Foi de José “Zé” Cavalheiro, em 1950. A seguir a de Pedro Morais, que agora reside em Barreiros.
O Primeiro Avião:
O primeiro avião a sobrevoar os céus da nossa terra, foi no ano de 1947 ou 1948. As pessoas, como nunca tinham visto nenhuma máquina voadora, diziam o seguinte: Lá vem a guerra!, lá vem novamente a guerra!. Poderia até já ser um avião comercial de passageiros, mas como a segunda guerra mundial acontecer entre 1939 e 1945, e tinha terminado havia ainda muito pouco tempo, as pessoas ainda associavam este (moderno) acontecimento ao da guerra.
O primeiro Computador:
Pertenceu a Carlos Vieira, adquirido no ano de 1998, pelo preço de duzentos mil escudos 200.000$00 (1.000,00 €). Preço muito elevado na época para a qualidade do material: capacidade de memória, conteúdos, programas, etc., informou-nos o próprio.
A Primeira Antena Parabólica:
Foi no início da década de 1990, da Casa dos Sarmentos ou Ciprestes, como é vulgarmente conhecida. O prato da antena tinha uma largura de dois metros e custou cerca de 400.000$00 (2.000,00 €). Seguiram-se passado pouco tempo, as do Srs. Padre Alberto e Carlos Vieira. Este último disse-nos, que o prato da sua antena tinha um metro de largura, e que custou na altura, 120.000$00 (600,00 €).
Primeiro Telemóvel:
O primeiro telemóvel surgiu nos Estados Unidos no ano de 1973 e em Portugal em finais dos anos 80. Esta novidade de comunicação móvel, foi vista pela primeira vez na nossa terra nas mãos dos irmãos, António e Júlio José Teixeira. Eram telemóveis instalados nas viaturas, com um aparelho de comunicação receptor, ligado à rede móvel. O de António Teixeira, em 1987, custou 700 ou 800 contos (3.500 ou 4.000 €) e em 1991, o de Júlio Teixeira, que custou 500 contos (2.500 €). Esses aparelhos com antenas exteriores, tinham muito fraco sinal de comunicação. Passados dois anos, substituíram-nos por outros aparelhos mais modernos, sem necessidade de central de ligação na viatura, mas muito caros, atendendo, sobretudo, à falta de rede de comunicação e do próprio material, mas era a novidade (luxo) da época.
Os primeiros telemóveis de residentes pertenceram: Daniel Castro e David Vergueira, pensamos, por volta de 1997. Um ano mais tarde, o de Carlos Vieira, que nos disse ter custado na altura 50.000$00 (escudos), equivalente a 250,00 €, muito dinheiro para tão fraca qualidade de material e comunicação. Pesavam bastante e a maior parte, chegava a ter mais de um palmo de cumprimento.
Santa Valha, Site/01-03-2011
Última actualização: Fevº. de 2012